segunda-feira, 23 de maio de 2016





Massimo Pinna



Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva









Massimo Pinna [21-05-2016]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p. 117 :      [PDF p. 433]  “Este realismo, que foi virtude e obedeceu ao programa nacionalista”[...]
até a p. 118 :  [PDF p. 434]  [...] “os achados modestos dos escritores que passaremos agora a estudar.”[final do subcapítulo]




Encerrando o subcapítulo um, Antonio Candido evidencia que o realismo limitou os escritores na representação narrativa, sendo Macedo o caso mais peculiar. De um lado, nasce uma literatura regionalista que apresenta situações repetitivas, de outro, uma fiel mimese dos modelos literários franceses e portugueses, impedindo, desta forma, uma continuidade literária autóctone. Caso notável, de parte dos romancistas post-românticos, não terem aproveitado o trabalho admirável do Alencar, e terem repetido o erro dos realistas.


Circunstância diferente foi a de Machado, que conhecia profundamente a obra de seus predecessores brasileiros e, justamente partindo disso, desenvolveu seu trabalho literário, livre dos vínculos europeus, de modo original, porém ligado à literatura que o precedeu. Ele pode ser considerado, assim, o legatário de escritores como Macedo, Manuel Antônio e Alencar, sem cair, contudo, devido à sua genialidade, na mera imitação deles.


Candido afirma, de maneira peremptória, que Machado “é o escritor mais brasileiro que jamais houve, e certamente o maior”. Não só pelo já comentado, mas também pela capacidade introspectiva que caracteriza suas obras.


Daí, se ele teve inúmeras fontes europeias que constituíram a sua visão do mundo, foram a consciência e a apreciação da literatura brasileira precedente que formaram o terreno fértil para sua criação literária, como também a humildade em saber valorizar o legado recebido, acrescentando além disso algo inédito até então.




sábado, 7 de maio de 2016




Maria Valeska Rocha da Silva





Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza











Maria Valeska Rocha da Silva  [07-05-2016]


Edição Ouro sobre Azul, 2012, V. Único.

Da p. 434: “O desenvolvimento do romance brasileiros, de Macedo a Jorge Amado”  

                     [...]
até a p. 436: [...] apreciar o tato com que Alencar manuseava sugestões europeias”.



Antonio Candido lembra que os romancistas românticos assumiram a tarefa de dar expressão à realidade social brasileira e à cultura nacional. Mais que uma tarefa, exercer artisticamente essa consciência era uma missão.


Na composição do romance romântico brasileiro, em geral, a busca pela reprodução fiel da realidade da nação através dos temas consagrados, da paisagem característica, dos tipos brasileiros e de seus costumes deu-se com a força contraditória do idealismo do romantismo europeu, manifestada em “certas tendências da escola para o fantástico, o desmesurado, o incoerente, na linguagem e na concepção”. Essa tensão interna resultou num problema específico de expressão literária, que ensejou inadequações tanto na vertente indianista quanto na regionalista.


No Indianismo – que retratava o habitante primitivo do país –, o exercício da fantasia na constituição literária dos personagens e de sua linguagem não feria o compromisso do romancista com a fidelidade ao real, dado o grande distanciamento cultural e linguístico entre as populações indígenas e o homem da cidade.


O problema da verossimilhança avivava-se no romance regionalista, centrado no homem rústico, que era diferenciado do habitante urbano europeizado mas não totalmente dele apartado. Como diz Candido, “o original estava ao alcance do leitor”. Essa proximidade concreta tornou o gênero regionalista menos maleável à influência dos modelos europeus. Num “esforço pessoal de estilização”, o autor do romance regionalista ora tendia à fantasia na composição, ora retornava ao esforço de ser fiel a um mundo que podia ser observado não só por ele, mas também pelo leitor. Ao mesmo tempo em que os frutos dessa oscilação conferiram ao romance regionalista traços de artificialidade, as dificuldades de sua composição a transformaram em “um fator decisivo de autonomia literária e, pela quota de observação que implicava, importante contrapeso realista”.


Candido ressalta, por fim, que os bons romances românticos “não foram irreais na descrição da realidade social, mas apenas nas situações narrativas”. 


sábado, 23 de abril de 2016





Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza






Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
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Rosiane Mariano
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Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa










Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza  [23-04-2016]

Edição Ouro sobre Azul, 2007, V. Único.
Da p. 432: “Acompanhando de perto as vicissitudes do nacionalismo literário” [...]
até a p. 434: [...] “ mas simplesmente humano, que os engloba e transcende”.



Diz Candido que o romance, atendendo às necessidades e aspirações de uma nova classe, a burguesia, se desdobra numa larga frente, “que não cessaria de se ampliar e refinar”. Cita, dentre outras obras, A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, em que são ressaltados enredo e tipos. Assim, Candido expõe que o romance, até atingir a maturidade de Machado de Assis, não irá além destes elementos básicos.


Segundo o ensaísta, os três graus na matéria romanesca (vida urbana, rural e primitiva), determinados pelo espaço em que se desenvolve a narrativa, promovem na ficção romântica uma tomada de consciência da “realidade brasileira no plano da arte”.


Portanto, “o nosso romance tem fome de espaço e uma ânsia topográfica de apalpar todo o país”. E assim –  considera Candido – o legado talvez consista “menos em tipos, personagens e enredo do que em certas regiões tornadas literárias”, proporcionando, desse modo,  na mente do leitor,  um “ Brasil colorido  e multiforme”, que se sobrepõe à realidade geográfica e social.  


Enfim, para Candido, na sondagem profunda a que chegará Machado de Assis, delimita-se, então,  “um espaço não mais geográfico ou social, mas simplesmente humano, que os engloba e transcende”.




domingo, 10 de abril de 2016



Maria Aparecida da Costa




Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari









Maria Aparecida da Costa [09-04-2016]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p. 111 :      [PDF p. 427 [p. 98]]   “O lastro do real/ O eixo do romance  oitocentista é
                                                           pois o respeito inicial pela ”[...]
até a p. 113 :  [PDF p. 433 [p. 100]] 1º§ de Visão do país/[...] “desenvolvimento da
                                                           análise e o confronto do indivíduo com a sociedade .”


O LASTRO DO REAL

Antonio Candido, ao falar sobre o eixo central do romance oitocentista, destaca como ponto fulcral desse momento literário o respeito do gênero pela aproximação da realidade social, formulado, principalmente, na “verossimilhança que [o escritor] procura imprimir na narrativa” (p. 111), mostrando de certa forma sua intenção ideológica, científica ou até jornalística.


Segundo o crítico, o que norteou o romance romântico no Brasil, por exemplo, foi a visão afetiva e ideológica dos escritores que tentaram, com sucesso ou não, registrar em seus textos a cor local com o intuito de criar um “nacionalismo literário” (p. 112). O romance funcionou, pois, na maioria das produções, como material de pesquisa e descoberta do Brasil. Intencionado em marcar o “ideal romântico-nacionalista de criar a expressão nova de um país novo, encontra no romance a linguagem mais eficiente” (p. 112). Destarte, as tentativas literárias oitocentistas no Brasil serviram mais como apresentadoras da geografia do Brasil do que como material de qualidade estética, salvo alguns escritores.


Visão do país


Com o espírito de nacionalidade, iniciado no Romantismo, percebe-se, no Brasil, as primeiras tentativas dos escritores brasileiros de se desvencilhar das influências portuguesas, com investidas literárias de cunho mais particular, mais autêntico.


Até o começo do século XIX o Brasil apresentava uma sociedade escravocrata e rural. Com o advento da burguesia criou-se uma classe social mais crítica, que permitiu um confronto do “indivíduo com a sociedade”, mudando assim o formato constituído até então na sociedade brasileira em formação. O romantismo vem colaborar com isso quando amplia “largamente a visão da terra e do homem brasileiro” (p. 112), fornecendo subsídio intelectual para a discussão sobre a formação da identidade social e literária no país em formação.



sábado, 26 de março de 2016



Marcus Vinicius Mazzari




Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais



Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros








Marcus Vinicius Mazzari  [26-03-2016]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p. 109 : [PDF +- p. 430]  “CAPÍTULO III/APARECIMENTO DA FICÇÃO/ UM   INSTRUMENTO DE DESCOBERTA E INTERPRETAÇÃO/ “Tendo, no Capítulo I, considerado sobretudo a poesia como ”[...]
até a p. 110 : [PDF +- p. 431]     [...] “- os escritores mais irregulares que se pode imaginar numa certa ordem de valor.”


A caracterização do romance enquanto “instrumento de descoberta e interpretação” mostra-se especialmente procedente, conforme se pode inferir das explanações feitas por Antonio Candido no capítulo “Aparecimento da Ficção”, no contexto da literatura brasileira, mais precisamente do nosso movimento romântico, que nele encontra sua forma de expressão mais representativa. Isso se deve certamente, abstraindo-se das características gerais desse gênero que tem no Dom Quixote sua primeira grande manifestação, às dimensões continentais de nosso país, que o Romantismo procurou justamente “descobrir” e “interpretar”.

Por isso dirá Candido, ainda nesse segmento “Um instrumento de descoberta e interpretação”, que o romance brasileiro “tem fome de espaço e uma ânsia topográfica de apalpar o país”. E se ao romance inglês ou francês bastava circunscrever seu enredo a Londres ou Paris (ainda que vários romances de Henry Fielding, Balzac ou Zola se desdobrem em outros espaços) para transmitir ao leitor as grandes linhas de força de suas respectivas sociedades, o romance brasileiro precisava abrir-se não só à cidade (isto é, o Rio de Janeiro) para empreender o levantamento do que se passava então no Brasil, mas também ao “campo” e à “selva” – precisava, portanto, estender seu projeto mimético a três níveis da matéria brasileira: “vida urbana, rural e primitiva”.

A obra romanesca de José de Alencar, englobando 21 títulos, oferece uma ilustração convincente desse processo, na medida em que se divide (ou antes, se multiplica) nas vertentes regionalista (O GaúchoO Sertanejo), citadino-burguesa (A Pata da Gazela, Senhora, Lucíola), histórica (A Guerra dos Mascates, As Minas de Prata), rural (O tronco do Ipê, Til) e indianista (Iracema, Guarani, Ubirajara).

À luz do romance alencariano se poderiam demonstrar assim as asserções gerais colocadas por Candido no segmento em tela (“Um instrumento de descoberta e interpretação”), não só no que diz respeito ao triunfo do gênero “romance” no bojo do Romantismo, mas também quanto às suas diferenças fundamentais em relação a obras de caráter mais lírico (a Gonçalves Dias, por exemplo, não seria possível a realização do projeto literário levado a cabo por Alencar), ao “estudo sistemático da realidade” (como empreendido pela sociologia), ou ainda à epopeia, já que o romance, enquanto gênero que se fundamenta no princípio aristotélico da “verossimilhança” (εικός, eikós), prefere antes “encontrar o miraculoso nos refolhos do cotidiano”, citando palavras de Antonio Candido, a “arrancar os homens à contingência para levá-los ao plano do milagre”.


sábado, 12 de março de 2016











Marcos Falchero Falleiros



Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva







Marcos Falchero Falleiros [12-03-2016]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p. 103 : [PDF +- p. 422]         “Outro tema corrente, o da amada inaccessível, brilha na         excelente ‘Partida’, onde encontramoscomo que a prefloração de um poema de Manuel Bandeira: ”[...]

até a p. 105 : [PDF +- p. 425]     [...] “ quando Bernardo e Aureliano estavam no 2º, Álvares de Azevedo no 1º ano.”




Na parte final do subitem “Otaviano, burguês sensível”, para comprovar a boa lavra da mediania de Francisco Otaviano, Antonio Candido destaca ainda “Partida”, um poema que pode ser visto como uma prefloração de Manuel Bandeira:

Por que foge a minha estrela,
Se no exílio em que me achava
O prazer que me restava,
O meu prazer era vê-la?
Por que foge a minha estrela?
[...]


Entretanto, a alegada vocação que o poeta lamentava ter trocado pela carreira de homem público, na verdade não existia. Prova disso é que o seu melhor conjunto de poemas está nas traduções, por onde o poeta se limitou ao que tinha de melhor: gosto, ouvido, plasticidade. Entre todas as grandes obras da literatura ocidental que traduziu, Antonio Candido observa, como exemplo, que não conhece tradução mais perfeita que a do relato de Otelo ao Conselho, realizada por Francisco Otaviano ainda  estudante. Enfim, trata-se, segundo o crítico, de um “poeta de raça”, que merece maior atenção.


Cardoso de Meneses


João Cardoso de Meneses e Sousa, que viria a ser o Barão de Paranapiacaba, já é um caso mais difícil de engolir. Nem merece atenção o que escreveu na velhice: “uma incrível adaptação de Os Lusíadas, o pavoroso A Virgem Santíssima – Poema em 8 Carmes, com retificações teológicas do Cardeal-Arcebispo”, ou abundantes versinhos de circunstância. Entretanto, no decênio de 40, foi precursor dos românticos e apontou rumos como melancolia, isolamento, cenas históricas e certo indianismo com vocábulos que pretendeu autênticos. Assim, por exemplo, seu poema “A Serra de Paranapiacaba” pode ser visto como um parente pobre e mais velho, precursor de “O Gigante de Pedra”, de Gonçalves Dias. O que há nele de melhor talvez seja circunstancialmente um soneto bestialógico em réplica a Bernardo Guimarães:

Era no inverno. Os grilos da Turquia,
Sarapintados qual um burro frito,
Pintavam com estólido palito
A casa do Amaral e Companhia.

Amassando um pedaço de harmonia,
Cantava o “Kyrie” um lânguido cabrito,
E fumando, raivoso, enorme pito,
Pilatos encostou-se à gelosia.

Eis, súbito, no céu, troveja um raio;
E o pobre Ali Pachá, fugindo à chuva,
Monta depressa num cavalo baio.

[...]


Desespero, sarcasmo, piada caracterizam sua aproximação com a 2ª. fase do romantismo, quando acabava o curso de Direito, enquanto Bernardo Guimarães e Aureliano Lessa estavam no 2º ano e Álvares de Azevedo no 1º.






domingo, 29 de novembro de 2015


Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva



Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

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Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
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Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro







Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva [21-11-2015]


da p. 101 : [PDF +- p. 420]          [subtítulo] “Otaviano, burguês sensível”[...]
até a p. 103 : [PDF +- p. 422 ]     [...] “Oh! se te amei! Toda a manhã da vida
                                                                 Gastei-a em sonhos que de ti falavam!”




Otaviano, burguês sensível


Francisco Otaviano exerceu os mais altos cargos do império – deputado, senador, conselheiro, plenipotenciário. Apesar da vida política satisfatória para os padrões burgueses da época, cultivou sua vocação para a poesia. Explorou de modo interessante na sua biografia os polos da política e da literatura, insinuando que, caso não tivesse se dedicado à política, teria sido um poeta de uma qualidade mais aprimorada.



Acredita-se que o resultado de sua produção literária não seria alterado com a dedicação exclusiva às letras. Extraiu o máximo que poderia de sua elaboração do texto poético e conseguiu bons resultados, com sensibilidade, gosto, elegância e equilíbrio.



A sua pequena obra em termos de quantidade apresenta a “inspiração do homem médio, não banal”, revelando, por meio de versos transparentes e leves, o drama das convenções sociais impostas ao homem burguês. Assim, em nome da “coerência social”, controla seus impulsos mais autênticos para permanecer inserido nas normas da sociedade do período.



Dos “poetas menores” da primeira fase romântica, é o que consegue as melhores soluções no campo da poesia: aliando senso de equilíbrio, correção da língua e sensibilidade contida a temáticas melancólicas e comparativas da vida humana à natureza. Talvez tenha sido o primeiro dos românticos brasileiros a utilizar regularmente o alexandrino, de doze e treze sílabas.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015


Marcela Ribeiro





Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
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Rosiane Mariano
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Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

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Eldio Pinto da Silva
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Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo






Marcela Ribeiro  [07-11-2015]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p. 99 : [PDF +- p. 418]  “Ei-la vai: – generoso sacrifício
                                            Mísera Doida a consumar se apressa”[...]
até a p. 101 : [PDF +- p. 420 ]     [...] “– a noite do sonho literário, onde as estrelas são
                                                       as imagens dos poetas.”



Dando continuidade à exposição acerca dos menores do movimento romântico, Antonio Candido apresenta-nos A Nebulosa, de Joaquim Manuel de Macedo, obra poética que ele qualifica como o melhor poema-romance do Romantismo.



No plano geral, o texto materializa-se na representação do amor impossível, tema caro ao Romantismo; nesse caso, tem-se o amor que não se realiza por uma das partes não o desejar, acarretando o suicídio da outra parte: o Trovador ama a Peregrina sem nunca ter sido correspondido e sem receber nem um fio de esperança de um dia o ser. Assim, ao optar pela morte como caminho, topa com a Doida, com quem morre abraçado, num fim poeticamente trágico.



A Doida, mulher-fada, tem raízes no folclore germânico, como também nos parece ter todo o texto, enredo, personagens e espaços em que se desdobra, um ar europeu que descarta a cor local como mote. Como bem pontua Candido, bafeja a fantasmagoria do mundo romântico poucas vezes alcançado pela pena dos poetas brasileiros.



Ao classificar o texto como poema-romance, Candido pontua outro caráter do movimento romântico: o hibridismo de gênero, modernização do poema feita por Byron, criador de versos que rebrilhavam caracteres de romance. Há influência de vários outros representantes do Romantismo europeu no poema de Macedo, como Leopardi, citado por Candido.



Abundam figuras de linguagem antitéticas que dão conta de marcar as oposições entre claro e escuro, céu e mar, fogo e água, que prefiguram a mágica do poema e a fantasia romântica. No entanto, foi legado a esse poema-romance apenas o esquecimento: obteve sucesso à época, porém teve apenas duas edições, a primeira de 1857 e a segunda de 1870. Seu autor ficou principalmente conhecido pelo seu primeiro romance, A Moreninha, que pouco tem em comum com A Nebulosa, mas é mister notar a presença de heroínas que protagonizam as duas obras.


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Lígia Mychelle de Melo





Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
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Rosiane Mariano
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Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima






Ligia Mychelle de Melo Silva [24-10-2015]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p. 97: [PDF +- p. 416]  [subcapítulo 6. Menores “Em torno de Gonçalves Dias podemos dispor alguns poetas que,”[...]
até a p. 99 : [PDF +- p. 418]  [...] “ao modo que apareceria mais tarde no verso encantado de Raimundo Correia.”



Nesse subcapítulo, Candido aborda os poetas que formavam o segundo plano do decênio de 1850. Os poetas desse decênio, os quais eram estudantes de Direito de São Paulo e de Recife, apresentam uma poesia que gira em órbitas mais ou menos afastadas das características de duas das três linhas básicas da nossa poesia romântica: da linha de Gonçalves Dias, que é marcada pelo nacionalismo e pela meditação e da linha de Álvares de Azevedo, marcada pelo drama interior, humor e satanismo.


Ademais, tais poetas têm em comum várias características, como a pieguice, a loquacidade, o automatismo de imagens, a frouxidão do verso, o desleixo da métrica e da gramática, entre outras. Esse conjunto de características é o que permite classificar esses poetas ditos “menores” como uma corrente à parte das outras corentes já conhecidas da poesia romântica, visto que “o triunfo de uma corrente literária tem por companheira inseparável a banalização dos seus padrões”.


Antonio Candido observa que lendo tais obras há a impressão de sermos vítimas de dois tipos de chantagens: a chantagem psicológica, uma vez que eles tentam comover pelo exibicionismo; e a chantagem formal, tendo em vista que eles escondem a deficiência técnica  através do truque fácil do verso cantante.


No ano de 1858, Antonio Joaquim de Macedo Soares organiza uma antologia dos poetas do Norte e do Sul, buscando classificá-los por tendências. Estabeleceu, deste modo, um balanço das tendências predominantes, dentre as quais se destacaram: a descrição da natureza, os costumes regionais, o escravo, o índio e os sentimentos pessoais. A partir, então, dessa antologia, Candido faz uma lista dos que merecem referência, destacando os poetas Aureliano Lessa, Teixeira de Melo, Franklin Dória, Bittencourt Sampaio, Trajano Galvão, Almeida Braga e Sousa Andrade. Dentre os poetas mencionados, Lessa se diferencia dos demais, chegando ao tom de Bernardo Guimarães, descrevendo a natureza e manifestando certo atavismo arcádico, tendo produzido sonetos passáveis e poemas de metro curto, como o poema “Ela”.


Com relação aos demais poetas, Candido observa que apresentam em suas obras as características gerais já mencionadas, praticando o anapesto e o anfíbraco. Além disso, todos cultivavam a musa patriótica. Os poetas Bittencourt Sampaio, Bruno Seabra, Sousa Andrade e Trajano Galvão cantam o negro, lançando, assim, um elemento importante da última linha de poesia romântica, a qual teve Castro Alves como representante principal.