sábado, 12 de abril de 2014








Maria Valeska Rocha da Silva




Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins 
Rochele Kalini 
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres 
Thayane de Araújo Morais 
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero 
Andrey Pereira de Oliveira 
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa 
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza






Maria Valeska Rocha da Silva  [12-04-2014]


Edição: Ouro sobre Azul, 2012, v. único [parte II]:
da p. 349: “É que o poeta romântico procura, como ficou dito, refazer a expressão”[...] até a p. 350: ”E sorlovano insiem la via mortale Primi conforti d’ogni saggio core.”


O relativismo romântico repele o valor cunhado pela tradição para a Natureza e para sua expressão literária. Quando o verbo literário perde a categoria quase sagrada que lhe conferia a tradição clássica, surge a necessidade de “refazer a expressão a cada experiência”, e a autoridade perdida pela tradição transporta-se unicamente para o gênio do artista. Surge o “poeta mediúnico”, cuja criação é “um processo mágico”, em que ele se vê tomado pelas forças do Universo.


No desaparecimento da equivalência entre natural e real no horizonte dos românticos, Candido reconhece a origem de “uma nova marca da natureza na sensibilidade romântica: o sentimento de mistério”. O poeta volta-se, então, para seus aspectos mais desordenados, como “tempestade, furacão, raio, treva, crime, desnaturalidade, desarmonia, contraste”.


Candido relembra a pergunta do Fausto  (“Por onde prender-te, Natureza infinita?”) . É sobre a impossibilidade de uma resposta racional que se estabelece a sedução de Mefistófeles (“Despreza razão e ciência, força suprema do homem: deixa-te firmar pelo Espírito da mentira nas obras de ilusão e de magia...”) e o oferecimento da “vertigem” como único caminho para apreender “uma Natureza que se fecha ante as nossa perguntas”. 


Para Candido, a “desconfiança da palavra em face do objeto que lhe toca exprimir” é uma condição estética do “mal do século”, com seu desejo de fuga, a invocação da morte e sua associação ao amor. Certos pós-românticos, como Baudelaire e Antero de Quental, encontrarão um “veio opulento” nesse “filete de tonalidade sádica e masoquista”.


sábado, 29 de março de 2014





Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza



Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa



 



Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza [29-03-2014]

Edição: Ouro sobre Azul, 2007, v. único [parte II]:
da p. 346: “Revisão do Mundo | O verbo literário, simples medianeiro entre a natureza e o intérprete” [...]
até a p. 349: “No Tramonto, finalmente, ela é como a alma das coisas que se retira, sepultando-as na noite privada da sua... fuggente luce.



No tópico Revisão do Mundo, prosseguindo no estudo do início do Romantismo no cenário literário, Candido expõe que os românticos, “operando uma revisão de valores”, impõem pessoalidade à sua visão de mundo, divergindo assim das imagens do “arsenal clássico”, as quais “pressupunham relativa fixidez do sentimento”. Desse modo, “impregnado de relativismo”, o Romantismo possuiria “em grau mais elevado que os clássicos a dolorosa consciência do irreversível”. Como exemplar completo da alma romântica, Candido cita o primeiro Fausto, no qual a angústia do “velho sábio” encontra-se presa ao “sonho de encontrar a perfeita manifestação do ato perfeito” (“Se conseguires fazer com que eu diga ao instante fugaz – ‘Pára, és tão belo!’...”)


A partir do Romantismo, diz Candido, as concepções do homem “sofrem o seu embate”. Estados de ânimo descritos em versos como os de Álvares de Azevedo (“No mundo exausto / Bastardas gerações vagam descridas”) decorrem da vitória da “cultura urbana contemporânea, sobre o passado em grande parte rural do Ocidente”; problemática que é colocada por Goethe no segundo Fausto, no que diz respeito às violentas transformações de uma modernidade incipiente, na qual o último empecilho para o “velho sábio” é representado pelo horto no qual Filemon e Baucis “prolongam a visão bucólica e o ritmo agrário da existência”, o que, contudo, é destruído por Fausto em sua ânsia pelo domínio da natureza. Segundo Candido, “Na consciência romântica, o horto de Filemon representa a alternativa condenada, a que o homem moderno se apega, ou que destrói, para curtir no remorso a nostalgia do bem perdido”.


Como bem observou Marcus Vinicius Mazzari em leitura anterior (21-12-2013), a “magia romântica” teria então desalojado o “encanto” árcade, no que diz respeito à visão da natureza, o que pode ser confirmado na “magia” com que os poetas românticos traduzem a lua, pois a “antiga Selene”, conforme Candido, “Deixa de ser a referência unívoca, a divindade imutável de todos os momentos, para se tornar uma realidade nova a cada experiência, soldando-se ao estado emocional do poeta”.



sexta-feira, 14 de março de 2014





Maria Aparecida da Costa



Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari




 



Maria Aparecida da Costa [15-03-2014]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:  
da p. 26: “Esta exigência de realismo, que assinala a maior parte da novelística moderna” [...] 
até a p. 28:  [...]”condicionado pela nova situação do artista em relação à palavra com que se exprime.”



A missão do poeta
Após o momento em que a criação estética aceita aspectos do cotidiano em sua composição isso se torna quase uma exigência nos movimentos literários que se seguiram. Na tentativa de superar movimentos anteriores, é lugar comum quando surge uma movimentação nova, no âmbito da literatura, acontecer uma espécie de degradação do movimento anterior. Assim foi com o romance realista que aparece em contraposição ao individualismo romântico, refletindo, por sua vez, o mundo cotidiano comum e servindo de inspiração para “quase tudo o que literariamente temos realizado até agora”. 

No entanto, antes da consolidação do Realismo, quando a pauta ainda eram os românticos, mais necessariamente, os poetas românticos, estes se comportavam aquém dos acontecimentos cotidianos reais, se sentindo, por vezes, como enviados divinos. Com isso, o individualismo egocêntrico desses poetas é justificado como se fosse algo necessário para uma espécie de transcendência do poeta em seu momento de criação artística, para eles era necessário sair da convivência com os terrenos para o plano do divino. Dessa forma, o poeta se vê como um enviado para uma missão espiritual ou social. 

Conforme Antonio Candido, exemplo dessa sensação de ser quase um enviado divino é o poeta religioso Gonçalves de Magalhães e sua dedicação a Deus como o maior de todos,

De mágico poder depositário,
Qual um Gênio entre os homens te apresentas,
Ante ti não há rei, nem há vassalo.
Tu nos homens só vês virtude, ou vício.



Para o poeta, cuja história da literatura considera o fundador do romantismo no Brasil, o egocentrismo, o isolamento e o egoísmo fazem parte de uma espécie de sacrifício que vai salvar o povo e elevar o vate a seu posto de enviado divino. Assim, o poeta se afasta do que Candido chama de equilíbrio neoclássico na busca de um novo desequilíbrio, “condicionado pela nova situação do artista em relação à palavra com que se exprime”.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013



Marcus Vinicius Mazzari




Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros



 



Marcus Vinicius Mazzari   [21-12-2013]


Edição: Martins, 1971, Vol. 2:  
da p. 24: “Paralelamente, altera-se o conceito de natureza; em vez de ser, como para os neoclássicos, um princípio” [...]

até a p. 26:  [...]”A Nebulosa, em pleno século XIX, já parece erro de visão, parecendo um retardatário.”


Nas suas Confessions, escritas entre 1765 e 1770, Rousseau fala no Livro VIII no propósito de romper bruscamente com todas as “máximas de meu século” (rompre brusquement en visière aux maximes de mon siècle). Embora não citadas por Antonio Candido ao estudar o advento do romantismo no panorama literário europeu, essas palavras de Rousseau ajudariam a elucidar a atitude de contestação e negação que o crítico brasileiro atribui ao movimento romântico em sua totalidade.


Nesse sentido, o romantismo teria retomado uma tendência que já se verificara no arcadismo, mas aprofundando e intensificando a níveis extremos o gesto de resistência aos valores e princípios constituídos, uma vez que “revoca tudo a novo juízo”, promovendo inversões e buscando constantemente o “único”, o elemento irredutivelmente individualizado que se substitui então ao “perene” que constituíra outrora a aspiração dos árcades.


Individualismo e relativismo convertem-se, nesse processo, na base de todas as atitudes românticas, que se opõem abertamente e em todas as instâncias às tendências racionalistas para o geral e absoluto.


As concepções românticas acarretam igualmente profundas transformações no relacionamento humano com a Natureza, que deixa de ser um “princípio” envolto em equilíbrio e classicidade e se torna uma potência inapreensível, incomensurável, perante a qual o ser humano se posta numa solidão sem paralelos em épocas anteriores. Nas manifestações literárias contemporâneas A. Candido vê se reforçarem cada vez mais o senso de isolamento do homem e a tendência para os arroubos individuais e mesmo para o desespero. (Referências ao movimento “Tempestade e Ímpeto”, que prepara o romantismo na Alemanha, seriam aqui plenamente cabíveis.)


Ainda quanto à visão da natureza, uma constatação muito importante nesse subcapítulo diz respeito à “magia romântica”, que teria desalojado inteiramente o “encanto” árcade – essa formulação repercute cinco páginas adiante, quando se fala da “magia” com que poetas associados ao romantismo envolvem a lua, “que deixa de ser a metáfora unívoca, a divindade imutável de todos os momentos, para se tornar uma realidade nova a cada experiência, soldando-se ao estado emocional do poeta”.


No bojo do movimento romântico, a poesia passa a concentrar-se com crescente intensidade na “pesquisa lírica”, o que pode ser observado na linha que leva de Cláudio Manuel da Costa a Gonçalves Dias e, sobretudo, Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu. (Para Candido, nessa evolução residiria uma das raízes da expressão lírica de alguns modernos, como o Mário de Andrade dos Poemas da Negra ou o Manuel Bandeira da Estrela da Manhã, em seus “balbucios quase impalpáveis”.)


Contudo, o fruto mais relevante desse desenvolvimento teria sido a consolidação do gênero “romance” no Brasil, um dos mais genuínos produtos do Romantismo. Valeria observar que na própria literatura francesa, o romance, isto é, o moderno realismo de Stendhal e Balzac surge, no ano de 1830, como tributário do Romantismo, conforme as explanações de Auerbach no antepenúltimo capítulo de seu Mimesis (“Na mansão de la Mole”). No Brasil, todavia, esse novo gênero parece ter uma força de atração ainda maior, pois passa a sugar para sua esfera quase todas as manifestações literárias, seja o conto fantástico (A Noite na Taverna), a reconstituição histórica (As Minas de Prata), a descrição dos costumes (Memórias de um Sargento de Milícias). Nesse novo contexto, o surgimento de uma obra como A Nebulosa, o longo poema publicado em 1857 por Joaquim Manuel de Macedo, revela-se, na visão de Antonio Candido, como um fenômeno defasado e até mesmo obsoleto. De qualquer modo, a tendência que irá de fato prevalecer em nossa jovem literatura está associada à prosa de ficção, mais particularmente ao romance de costumes e ao romance regional, o que leva a um extraordinário enriquecimento do panorama romântico brasileiro, com desdobramentos que perduram até os dias de hoje. 



sábado, 7 de dezembro de 2013



Marcos Falchero Falleiros



Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro



 



Marcos Falchero Falleiros  [07-12-2013]


Edição: Martins, 1971, Vol. 2:  
da p.21: “Apesar da doutrinação da Niterói, nenhum dos seus colaboradores  ” [...]

até a p. 24 [primeiros parágrafos do 2. O Romantismo como posição do espírito e da sensibilidade] : [...]”que lhe competia exprimir e, por isso mesmo, relegada a plano secundário .”


A doutrinação da Niterói pró indianismo só apresentou frutos posteriormente, no início entre os medíocres e o “belo” [: segundo Antonio Candido, apesar do título:] “Gemido do índio”. Foi Gonçalves Dias, entretanto, quem decidiu favoravelmente seu destino. Daí por diante o Brasil foi tomado pela avalanche indianista, incluindo de passagem, Machado de Assis, em 1875, com Americanas. Mas não foi moda unânime: manifestações de resistência apontavam a distorção da realidade, como a de João Francisco Lisboa, que, lembrando as descrições da barbárie por cronistas como Gabriel Soares, chama o “O leito de folhas verdes” de “rendez-vous no mato”.

2. O Romantismo como posição do espírito e da sensibilidade

O movimento de negação do Romantismo aprofundou o do Arcadismo, num sentido revolucionário não só estético mas também humanista, ultrapassando os limites deste em sua submissão ao "perene" das tradições clássicas: dá novo papel ao artista, liquida as convenções greco-romanas, investe em sentimentos novos no “único” da inspiração local, ainda que, em substituição às convenções descartadas, busque o irregular e diferente de países estranhos e da Idade Média.

Visto de modo universal-europeu, com a devida repercussão nos países dependentes, trata-se de um novo estado de consciência, com acento no indivíduo e no senso da história, relativista, em oposição ao racionalismo geral e absoluto.

O Romantismo revira o conceito de arte na direção do desequilíbrio, retira das palavras a condição coextensiva à natureza com apontar sua insuficiência para a grandeza inexprimível do mundo, dando ao artista um sentimento de frustração simultaneamente ao de glória, já que o “eu” terá como tarefa transcender essas limitações em busca do mistério.

Para o Arcadismo, o artista era mero intermediário. Para o Romantismo, a arte é que fica de permeio, relegada, entre a natureza e o artista, a plano secundário, sempre impotente para a grandeza que lhe competia exprimir.


sexta-feira, 22 de novembro de 2013



Marcel Lúcio Matias Ribeiro





Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
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Paulo Caldas Neto
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Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro


 



Marcel Lúcio Matias Ribeiro [23-11-2013]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p.19: “Já vimos na Niterói, os reformadores encararem o índio como” [...]
até a p. 21: [...]”poema equivalente de Machado de Assis à morte de Gonçalves Dias.”

O Romantismo na sua exploração do índio como elemento de nacionalidade aproximou-o da imagem do cavaleiro medieval europeu, pois havia a necessidade de equiparar o comportamento do índio ao do conquistador.

Assim, o indianismo serviu para construir um passado mítico e um passado histórico para o povo brasileiro, conforme havia acontecido aos países europeus com a recuperação das imagens medievais. O esforço de autores, como Gonçalves Dias e José de Alencar, foi de criar um “mundo poético digno do europeu”.

A temática indianista serviu, portanto, ao Romantismo brasileiro como uma compensação: não possuindo idade média, os escritores buscaram construir este período no imaginário americano através do índio. Tentou-se incorporar as grandes temáticas da literatura universal a uma tradição brasileira.


A primeira obra a tratar o índio na perspectiva romântica na literatura brasileira foi Nênia (1837), de Firmino Rodrigues Silva.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013


Marcela Ribeiro





Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues

 



Marcela Ribeiro [9-11-2013]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p.17: “Mas foi a segunda modalidade que dominou: religião concebida” [...]
até a p. 19: [...]”monografias como O Brasil e a Oceânia, do autor dos Timbiras (1852).”


A religião, um dos temas mais caros aos românticos, possuía duas faces para uma mesma moeda: conquanto apresentasse nuanças de devoção mostrava-se muito mais como religiosidade. Enquanto isso a crítica literária afirmava que sem essa religiosidade não existia literatura, como foi concebida por Schlegel, sobrepujada pela força do pecado. Macedo Soares falará na religião do belo, forçosamente confundida com o catolicismo. Para Candido o espiritualismo deixa sua marca como um pressuposto dessa escola literária.


Outra marca indelével à temática romântica foi o Indianismo, que teve seu auge de 1840 a 1860, representado na pena poética de Gonçalves Dias e na prosaica de José de Alencar. Guiando-nos às origens desse tema dentro do novo movimento literário, Candido nos dirá que nada mais era do que a busca do específico brasileiro que surgiu anteriormente entre os neoclássicos Durão, Basílio, Diniz. A temática inseria o Brasil num cenário de grande apelo mitológico, tendo o exotismo dos franceses como ponto de partida.


Capistrano de Abreu classificará essa tendência ao indianismo como partindo do universo popular, arraigada no folclore, para fazer a ligação entre nativismo e indianismo. Candido, seguindo por outro caminho, afirmará que essa ligação identitária surge antes em fonte erudita chegando ao popular apenas o produto disso, o índio como representante do nativismo. Ilustrará essa afirmação com a utilização do índio como símbolo, feita por José Bonifácio ao pôr em seu jornal o nome de O Tamoio e também com o nome que D. Pedro utilizava dentro da sociedade secretada O Apostolado, Guatimozim, referência aos nativos da América Espanhola, que resistiriam bravamente aos colonizadores.


Tanto interesse no indígena como símbolo do nativismo brasileiro desembocará em sua quase carnavalização, tirando do quarto de guardados maracás e cocares e, como zombará João Francisco Lisboa, cantando, envernizando, amenizando e poetizando os costumes dos primeiros brasileiros.


É importante lembrar que o indianismo não se resumia somente a essa referência superficial à maracás e cocares, mas também encontrava apoio no recém-fundado Instituto Histórico, que incentivava os estudos etnográficos, como a monografia O Brasil e a Oceânia feita também pelo forte representante do Indianismo, Gonçalves Dias.


domingo, 27 de outubro de 2013


Manoel Freire Rodrigues





Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
 



Manoel Freire Rodrigues  [26-10-2013]



Edição: Martins, 1971, Vol.2:
da p.15: “Esta tendência era reputada de tal modo fundamental para a expressão do Brasil” [...]

até a p. 17: [...]”realizando um catecismo metrificado com mais largueza de espírito.”



A orientação nacionalista torna-se de tal importância na literatura brasileira, que nem mesmo os românticos da segunda geração, de acentuado intimismo e mais propensos a um “sentimentalismo exacerbado”, ficaram alheios a essa tendência. Embora refratários aos problemas da sociedade, esses autores (o modelo é Álvares de Azevedo) “manifestaram verdadeiro remorso” ao sobrepor temas universais e/ou seus dramas íntimos aos motivos locais, imbuídos que estavam do “dever patriótico” de contribuir para a consolidação da literatura nacional.


A confluência de fatores externos e elementos locais, certamente foi determinante para o desenvolvimento do nosso Romantismo, dando-lhe consistência estética e ideológica. Por outro lado, isso produziu certa ambivalência no seio do movimento, cujo equilíbrio se buscava entre a expressão de uma realidade local “mal conhecida” e o culto de temas universais e modelos europeus, em que assentava raízes a matriz cultural da civilização que se formava nos trópicos.


A religião constituiu-se como fator dos mais importantes para a “reforma literária” empreendida pelo Romantismo brasileiro, tornando-se um dos temas privilegiados da “nova literatura”, haja vista que se adequava aos valores e aspirações do movimento tanto no plano universal (espiritualismo), quanto no plano local (cristianismo). É no plano local que reside a sua maior importância para literatura de orientação nacionalista, na medida em que, ao se contrapor ao “temário pagão dos neoclássicos”, representava supostamente uma oposição ao passado colonial, constituindo, assim, um dos fatores mais significativos do nacionalismo literário.