sábado, 25 de março de 2017





Eide Justino Costa





Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro






Eide Justino Costa  [25-03-2017]




Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p.  153: [PDF p. 464]  “Assim, ao lado das componentes de sarcasmo e desvario, há nessa ”[...]
até a p. 155 :  [PDF p. 466]  [...] [2. Conflito...Junqueira Freire] [...] “(“Vai”, “Temor, “O arranco da morte”).”



No trecho, Candido segue traçando um panorama da poesia romântica e destaca aspectos como o sarcasmo, o desvario e a musicalidade superficial. Sobre a última, o autor cita que foi a grande responsável pela divulgação da obra desses poetas e segue apontando, sobretudo, as irregularidades provocadas pela estilização musical, responsável pela banalização e pelo convencionalismo tão censurados nos românticos.


Adiante, o autor cita a obra de Casimiro de Abreu, dando destaque a sua razoável harmonia, e justifica tal aspecto pela falta de ambição, bem como por situar-se o poeta já em um momento não tão sombrio, ao contrário de seus predecessores.


Dentre  os demais poetas, Candido cita o maior de todos, Álvares de Azevedo, dando ênfase ao ponto de que, no conjunto, afinal, todos apresentam obras demasiadamente inferiores à problemática que apresentam.


Além disso, o autor traça um breve roteiro dos defeitos presentes nos poetas românticos: a falta de equilíbrio estético, a pressa e o culto da improvisação. Candido ainda cita Bernardo Guimarães, Laurindo Rabelo e Aureliano Lessa como sobreviventes desse período e que nada fizeram de aproveitável, além de apontar que a idade em vez de melhorar seus defeitos, provavelmente roubou suas veias literárias, transformando-os em poetas que não conseguem se separar da inspiração árdega, da escrita atabalhoada, da notação imediata de uma sensibilidade adolescente. Todavia, acrescenta que essas características correspondem de certo modo às da cultura brasileira do romantismo, bem como indica que a atmosfera do tempo fez com que eles apresentassem isso em alto grau de concentração e, portanto, têm grande valor para nossa literatura, como expressão da sensibilidade local.


Em seguida, Candido tece comentários sobre Junqueira Freire e aponta a contradição fundamental de sua obra, afirmando sua ligação com os padrões do Neoclassicismo. Vale-se das palavras de um dos seus mais competentes biógrafos (Homero Pires), para justificar o quanto foi o poeta “um dos mais presos à tradição portuguesa – um lusitanizante”. E conclui lembrando que ele empregou pouco os metros típicos do Romantismo, manteve quase sempre a cadência tradicional dos versos setissílabo e  decassílabo, usou o verso branco nos modelos setecentistas, além de encontrar suas melhores soluções na estrofe epódica, de sabor arcádico.





sexta-feira, 10 de março de 2017




Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro




Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva





Marcos Falchero Falleiros  [11-03-2017]
[substituindo Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro]




Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p.  151:      [PDF p. 463]  “Mas enquanto não morriam e viviam na ‘lembrança de morrer’, ”[...]
até a p. 153 :  [PDF p. 465]   [...] “falta de medida que não encontraremos em Castro Alves.”




A condição de mascaramento, que esses avatares do egotismo encenam, balança nos extremos da poesia obscena e do lânguido quebranto, como se pode ver, por exemplo,  entre o fálico “O elixir do pajé”, de Bernardo Guimarães, e “Poesia e amor”, de Casimiro de Abreu. Tal comportamento estético aninhou-se na sociabilidade poética das rodas de boêmia do Rio, da Bahia e, especialmente, de São Paulo, onde agremiações oficiais e semissecretas, à Byron e Musset,  festejavam o caráter noturno e satânico do Romantismo com o desregramento das atitudes e das ideias.


Música e recitativo


Música e recitativo uniram-se no triunfo dos salões, que atendiam às expectativas de um público ávido pelo patético e pela pieguice, num contexto que sobrepôs o verso à insuficiência das palavras, através dos metros e ritmos melodiosos, da modinha, da arieta italianizante, da ópera, submetendo-o ao recitativo de sala e à cantiga com acompanhamento musical (violão e piano). Era a moda da ópera, decênio de 1850, prova da paixão dos brasileiros da época pelo melodrama, como se vê nas crônicas de Alencar em Ao correr da pena (1854-1857). Tais registros acolhem um ambiente cultural marcado pelo projeto de criação de um teatro lírico, as primeiras peças de Carlos Gomes, os libretos de Manuel Antônio de Almeida, de José de Alencar, de  Machado de Assis, e a presença de figuras como o refugiado espanhol D. José Amat, musicando poesias de Gonçalves Dias e outros, e o português Furtado Coelho, poeta, romancista, músico e ator. São presenças que contribuíram dinamicamente para esse momento decisivo da musicalização do verso romântico, de grande importância para a história de nossa sensibilidade: a ligação do canto aos versos.



A seguir, serão estudados poetas que começaram antes desse “delírio sonoro”, mas que, por influência dos ultrarromânticos portugueses, “muito mais desabalados na lamúria e na melopeia”, aí se prefiguram. Efeitos do processo se encontram na poesia de Casimiro de Abreu e de Fagundes Varela. 

sábado, 26 de novembro de 2016



Bethânia Lima Silva





Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 





Bethânia Lima Silva  [26-11-2016]



Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p.  149:      [PDF p. 461]  Capítulo IV Avatares do egotismo 1. Máscaras / “Quando se fala em Romantismo”[...]
até a p. 151 :  [PDF p. 463]   [...] “Meu lobinho pardo, pede ela: devora-me.”


A leitura inicial do capítulo, marcada pelo tópico intitulado “Máscaras”, apresenta várias referências ao romantismo e aos seus escritores (Junqueira Freire, Laurindo Rabelo, Bernardo Guimarães, entre outros). A própria alusão ao termo “Máscaras” é  bem referendada por Candido, ao explicar:


Para os compreendermos, é na verdade através de máscaras que os devemos imaginar, mudando-as ao sabor das sugestões que deles vêm: máscara de devasso no moço bom [...]; máscaras de loucura, embriaguez, perversidade substituídas pelas de bonomia, ingenuidade [...] (CANDIDO, p. 461)


Antonio Candido cita ainda a legitimidade da geração literária marcada pelo romantismo e por seus mascarados, ao constatar que a personalidade poética para se realizar e se impor, parece ampliar e valorizar as manifestações que soam como incoerentes (muitas vezes).  A marca dos contrastes parece acompanhar e definir os românticos: espírito x carne; belo x horrível; vida x morte.


Essa filosofia dos contrastes acaba fortalecendo a citada “dialética das máscaras”, como algo que pode assustar o leitor. Esse desgastante modelo também acaba sendo algo que restringe e limita a própria existência dos poetas, tornando-os, essencialmente, (sobre)viventes do período romântico. Como destaca Candido, esses poetas (da 2ª geração) são:


bem os “filhos do século”, mais voltados para o próprio coração (segundo o conselho de Musset) do que para a Pátria, Deus ou o Povo, como os da primeira e da terceira geração. Por isso, já no seu tempo havia quem os reputasse menos brasileiros e, portanto, (segundo os cânones do nacionalismo literário), menos originais. (CANDIDO, p.  462)


Marcados pelo pessimismo, perversidade, ternura, singeleza e doçura, pode-se considerar que formam um conjunto apurado e peculiar do espírito romântico. Aliado a esse tom, também pode ser lembrada a “síndrome de Chapeuzinho Vermelho”, a atração pelo descaminho, pela morte e a autodestruição... algo que os deixa “dessintonizados” com a vida.






sábado, 12 de novembro de 2016






Antônio Fernandes de Medeiros Jr 






Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais





Antônio Fernandes de Medeiros Jr  [12-11-2016]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:

da p.  142:[PDF p. 456] “Se procurarmos encarar independentemente esses dois eixos, veremos”[...] 
                                                                                                                                        até a p. 145 :  [PDF +- p. 459]  [...] “densidade que veremos nalguns de Alencar, antes que surgisse a galeria de Machado de Assis .”[final do capítulo]



A sequência final do capítulo ‘O honrado e facundo Joaquim Manuel de Macedo’ reitera a compreensão crítica de Antonio Candido a respeito do valor literário do autor de A moreninha, incluindo uma modalização para expressar o entendimento do nexo entre vida e obra: “como criador e como pessoa parece-nos mediano, sem relevo de qualquer espécie”. Modalização que revela o mérito do título emprestado ao capítulo dedicado, exclusivamente, ao escritor carioca.

Os termos do título referidos a Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), de fato, determinam a importância autoral da obra extensa e diversificada no conjunto da literatura brasileira que, àquela altura do século XIX, não poderia presumir a grandeza da presença de Machado de Assis, cuja obra singular em andamento expandiria bastante, ainda, durante décadas posteriores ao ano de 1882.

“Honrado e facundo”. Independente da ordem de apresentação dos termos, a percepção global de Antonio Candido não admite hesitação. Tal perfil humano e literário inibe qualquer interpretação duvidosa a respeito da reputação que Joaquim Manuel de Macedo alcançou transmitir aos seus contemporâneos e ecoar aos pósteros. Identificado o traço de valor humano (registro sempre bem-vindo), a apreciação crítica flagra e exemplifica por meio de transcrições de trechos, no contexto da obra, o pendor à narração digressiva, a tendência a descrever costumes miúdos, hábitos e comportamentos comezinhos, coisa típica de parcela significativa da população de um Rio de Janeiro no século XIX.

Para Antonio Candido, a leitura com finalidade crítica da obra de Joaquim Manuel de Macedo passa inevitável pelo entendimento prévio de prática de criação literária por meio de expressão eloquente perpassada por valores que buscam obstinadamente o artificioso apaziguamento social (“reduziu tanto a psicologia à moral, e esta ao catecismo”), aspecto flagrado como determinante para julgar o conjunto dessa obra como “exemplar da subliteratura romântica”.

Como demonstrativo de critérios adotados para avaliar a obra de Joaquim Manuel de Macedo, Antonio Candido entende examiná-la partindo de dois aspectos, “esteios”: o diálogo mimético com o “real” e a liberdade para formular a expressão com vistas ao “poético”. Conclui que da primeira convenção a obra revela a fragilidade de não alcançar a dimensão crítica do real, limitando-se a descrever “o pequeno realismo” conciliado “com maior pureza na veia cômica, entremeada por toda a sua obra”; e percebe que, no segundo ponto de observação, o tratamento de linguagem com ambições poéticas também apresenta debilidades porque duplamente limitado: “manifesta-se não apenas na peripécia folhetinesca, mas ainda, no sentimentalismo por vezes deslavado”.

O tirocínio de Antonio Candido demonstra, mais ainda, que – registro didático bastante vigoroso – o valor mediano, intermediário (distinto de medíocre) da obra de Joaquim Manuel de Macedo decorre da baixa adesão do conjunto da obra às “três acuidades fundamentais do bom romancista: a sociológica, a psicológica, a estética”. Entretanto reconhece que existe espaço relevante reservado para o autor na história da nossa literatura “por glória de haver lançado a ficção brasileira na senda dos estudos de costumes urbanos, e o mérito de haver procurado refletir fielmente os da sua cidade”.

‘O honrado e facundo Joaquim Manuel de Macedo’ é ocasião muito significativa no denso Formação da Literatura Brasileira para o leitor assimilar determinados procedimentos críticos e uma diversidade de estratégias, por vezes, necessários utilizar para discernir peculiaridades de autores e obras, mais ou menos inventivos, sem perder o crivo da importância histórica e literária que mereçam.




quinta-feira, 10 de novembro de 2016





Alynne Ketllyn da Silva Morais




Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero





Marcos Falchero Falleiros [29-10-2016]
[substituindo Alynne Ketllyn da Silva Morais]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p.  140:      [PDF +- p. 453]   “Banalidade e fantasia/ Se a vocação coloquial de Macedo serviu para estabilizar”[...]
até a p. 142:  [PDF +-p. 455][...]“o eixo poético não interfere, no final das contas, com o real.”



Antonio Candido frisa com insistência por todo o capítulo o aspecto coloquial da obra medíocre de Macedinho e sua submissão às expectativas de julgamento do leitor médio: daí os personagens “convencionais”: modelos quotidianos e padrões corriqueiros, que levam uma leitura crítica a interrogar-se com espanto sobre a possibilidade de personagens tão chãs se envolverem nos arrancos romanescos de seus enredos.

É que para que a narrativa exista é necessário peripécias. Assim, as peripécias aparecem de permeio, entre um início e um final conformistas e aderentes ao meio de um autor que fugiu de questões mais complexas como as das revoltas populares e agitações ideológicas de seu tempo. Como não há vida interior nos personagens submetidos ao mero acontecimento exterior de seu pequeno realismo, tudo começa e acaba como está, de modo plenamente pacificado. Mesmo um personagem de meticulosa vilanice como Salustiano, de Os dois amores, ao encerrar o romance, anuncia sua regeneração e arrependimento.

Nesse contexto formal, dois conformismos se manifestam. O acima mencionado, a banalidade do conformismo ao real, e outro, a fantasia do poético. Neste caso, o escritor investe em lágrimas, treva, traição, conflito. Mas menos por ser folhetinesco que por sua inclinação ao romantismo do dramalhão tenebroso. Antonio Candido faz a percuciente observação de que em O moço loiro há um “complexo de Monte Cristo”: forças ocultas e personagem ubíquo conduzindo os destinos da narrativa. A obra literária de Macedo, montada sob dois esteios, o real e o poético, permite a convivência entre as balizas da normalidade e a peripécia tenebrosa de permeio.




domingo, 16 de outubro de 2016


Afonso Henrique Fávero






Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais
Adriana Vieira de Sena





Afonso Henrique Fávero [15-10-2016]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p.  138:      [PDF +- p. 450]     “A tagarelice possui vantagens e desvantagens”[...]
até a p. 140:  [PDF +- p. 452]   [...] “Por isso já os veteranos o reputavam fiel na pintura dos costumes.”



O referido trecho continua a tratar de Joaquim Manuel de Macedo e inicia-se por: “A tagarelice possui vantagens e desvantagens”. Tem-se a impressão de que, por tão óbvias, as desvantagens não precisam ser explicitadas nem analisadas. Candido, então, ocupa-se em demonstrar e comentar uma vantagem específica, a saber, que os romances do autor – marcados por uma “tendência para a prosa falada” – produzem o efeito de conter a expansão própria dos românticos. O resultado é uma simplicidade que conduz à observação minuciosa do meio social. A comunicação fácil com o público leitor assenta-se na temática afeita às cogitações da classe média urbana e no estilo fluido, próximo à linguagem oral.

Num momento-chave do trecho, Candido faz uma observação que nos remete à parte inicial desse capítulo III (“Um instrumento de descoberta e interpretação”). Ao lembrar as intrigas amorosas que o autor põe em cena, diz: “Os labirintos românticos da paixão tornam-se as veredas sociais do namoro, neste bom burguês incapaz de trair a realidade que o cerca, acabando sempre por harmonizar no matrimônio o dote da noiva e o talento sutilmente mercável do noivo.”

Quando conclui aquela parte inicial com Machado de Assis, fica mais visível para nós o sentido que Candido ali imprimiu ao demonstrar que a grandeza do escritor devia-se, entre outras coisas, à capacidade de perceber os acertos e equívocos de seus antecessores. Notamos, pois, o legado de Macedo a Machado: “fidelidade ao meio”. A diferença fundamental, com implicações na qualidade de nível literário, enorme entre eles, é que o primeiro “não inventa, portanto, condições socialmente impossíveis para os personagens”; Machado, por seu turno, põe a nu a ferocidade dessas condições.



sexta-feira, 30 de setembro de 2016





Adriana Vieira de Sena





Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais




Adriana Vieira de Sena [01-10-2016]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p.  136:      [PDF +- p. 449]     “4. O HONRADO E FACUNDO JOAQUIM MANUEL DE MACEDO”[...]
até a p. 138:  [PDF +- p. 450]   [...] “Bernardo Guimarães, que é uma espécie de Macedo caipira.”


Antonio Candido, abrindo o capítulo “O honrado e facundo Joaquim Manuel de Macedo”, faz referência a duas maneiras de se elaborar um romance, ou conforme uma nomenclatura que seria mais próxima de Macedo, um folhetim. Isto significa dizer que os escritores de romance pegavam da pena a fim de revelarem uma proposta nova para o leitor, submetendo-o a seu pensamento, ou, por outro lado, tentavam cair no gosto do leitor, escrevendo à moda então dita atual. Assim, Macedo escrevia para “as possibilidades médias de compreensão e as expectativas do meio.”


Tal abordagem equaciona duas formas “principais de comunicação literária”: uma é a de impor seu padrão literário, sua forma de dar vida à arte literária; a outra tem como regra preponderante se encaixar no que o leitor está desejoso de ler. As duas óticas de manipulação do romance têm seus prós e contras, podem se manifestar nos grandes ou nos pequenos.


Apesar de tudo, o autor Joaquim Manuel de Macedo – o Macedinho, gozou de boa reputação literária na época, que lhe deu “modesta imortalidade”. Não é à toa que foi o autor mais lido de sua época. Ateve-se, no entender de Candido, a fórmulas de fundo social: “as cenas, a vida de uma sociedade em fase de estabilização, personagens e cenários eram familiares; peripécias e sentimentos enredados e poéticos”. A obra clássica de Macedo é A moreninha. É uma obra recheada de romances, peripécias, os bailes da época, os chás com as amigas, as confidências às escondidas, as estrepolias. Tem linguagem simples, clara, de trama fácil, sempre presa aos costumes da sociedade fluminense, tudo isso sob os auspícios do amor. Dessa forma, não é forçado dizer que a obra A moreninha representa o mito sentimental brasileiro, como assinala Candido.


Apesar da tagarelice,  o escritor romântico Joaquim Manuel A. de Macedo se consagra como um dos pioneiros do romance brasileiro, revelando, através de suas obras, os costumes, amores e também hipocrisias da sociedade carioca da época. É interessante, a meu ver, que o leitor atual passe os olhos pelos romances de Macedo não apenas por ele ser um dos primeiros romancistas brasileiros, mas ainda por nos fazer conhecer, via arte literária, os modos e costumes fluminenses, os embates e ligações políticas, enfim, todo um modelo social diferente do contemporâneo, podendo, ainda que através de uma literatura ingênua, fazer dela uma fonte da história do Brasil.