quarta-feira, 25 de junho de 2014





Rochele Kalini


Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins




Rochele Kalini  [21-06-2014]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:

da p. 42: “Não esqueçamos finalmente, que o primeiro terço do século XIX”[...]
até a p. 44:   [...][fim do capítulo] ”para exprimir, nós mesmos, estas e outras emoções”. 


No início do século XIX, com o aparecimento dos primeiros escritores românticos, surgem algumas influências advindas de dois principais movimentos, pregadores e maestros, que nortearão a escrita desse período. A combinação da música com a oratória trará uma sensibilidade mais profunda e olhar atento ao modo de vida brasileiro. No intuito de trazer esse olhar, o estilo retórico servirá de “véu” ideológico e “maquiador” de uma realidade pouco exuberante.

Através desse estilo retórico, os escritores exaltarão a tradição nativista, a pátria e as belezas naturais, buscando dar vida a uma paisagem ingênua. Além disso, o estilo retórico servirá para uma maior proximidade entre escritores e leitores que optaram por uma escrita “dialogada” na busca de angariar “ouvintes” para os seus textos.



terça-feira, 17 de junho de 2014





Peterson Martins


Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto




Peterson Martins [07-06-2014]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:

da p. 40: “O decassílabo é o grande, incomparável metro originado nos Cancioneiros”[...]
até a p. 42:   [...]”veremos estreitar-se este vínculo, patenteando a analogia das concepções”. 



Dando continuidade à análise da construção formal da estética romântica, Antonio Candido faz uma reflexão sobre o “decassílabo” apontando essa métrica e os padrões rítmicos que a envolvem como um legado do Sá de Miranda que ao retornar de uma longa estada na Itália trouxe o “dolce stil nuovo” para as plagas portuguesas (e que iria, futuramente, repercutir no Brasil). No entanto, esse estilo italiano propagado com grande intensidade por Dante Alighieri no séc. XIV terá uma raiz profunda na lírica trovadoresca provençal. (Disso, então, extraímos a mesma conclusão obtida por Mikhail Bakhtin e Eric Havelock na qual as formas eruditas teriam uma relação profunda com os gêneros literários pertinentes a uma cultura oral).

Assim, essa predileção alcançará o seu auge no período romântico, onde os artistas dessa fase irão atingir um alto grau de musicalidade, assegurando uma continuidade plástica e a própria preparação para uma evolução poética. Destaque especial para José de Alencar e sua importante pesquisa, não apenas sobre os mitos e lendas populares, mas, sobretudo, relacionado ao cancioneiro popular nordestino. Essa tendência, porém, não encontrou esteio em todos os críticos da época, houve alguns posicionamentos que condenavam a isorritmia dos versos, tal como apontava o manual de frei Caneca. Essa prática fará com que os românticos se assemelhem aos árcades. Como exemplo disso, temos os setissílabos que tanto inspiraram Bocage e vários poetas brasileiros desse período.

( Como crítica da estética realista a esse processo do Romantismo, iremos encontrar um trecho na obra de Machado de Assis (Memórias Póstumas de Brás Cubas), na qual o poeta romântico Vilaça é descrito de maneira caricata cujas glosas (ou motes) lhe favorecem um status social e fama, embora seus versos sejam medíocres.
Não era um jantar, mas um Te-Deum; foi o que pouco mais ou menos disse um dos letrados presentes, o Dr. Vilaça, glosador insigne, que acrescentou aos pratos de casa o acepipe das musas. Lembra-me, como se fosse ontem, lembra-me de o ver erguer-se, com a sua longa cabeleira de rabicho, casaca de seda, uma esmeralda no dedo, pedir a meu tio padre que lhe repetisse o mote, e, repetido o mote, cravar os olhos na testa de uma senhora, depois tossir, alçar a mão direita, toda fechada, menos o dedo índice, que apontava para o teto; e, assim posto e composto, devolver o mote glosado. Não fez uma glosa, mas três; depois jurou aos seus deuses não acabar mais. Pedia um mote, davam-lho, ele glosava-o prontamente, e logo pedia outro e mais outro; a tal ponto que uma das senhoras presentes não pôde calar a sua grande admiração. (ASSIS, 1998) )

Por fim, o trecho analisado dessa obra célebre de Antonio Candido termina com uma informação-chave que nos brinda sobre a estética romântica (sobretudo, na poesia): a musicalidade une-se a estratégias retóricas também na composição lírica (conotação de uma influência barroquiana). Isso pode ser observado claramente na terceira fase romântica, onde o tom inflamado dos versos de um Castro Alves será declamado nas praças durante os discursos pró-abolicionistas (inspiração hugoana).



sexta-feira, 23 de maio de 2014

Paulo Caldas Neto



Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira



Paulo Caldas Neto [24-05-2014]


Edição: Itatiaia, 2000, VOL.2:

da p. 33: “A sua função de envolvimento da inteligência pela melopeia”[...]
até a p. 35:   [...]”Teixeira e Sousa, entremeados aos decassílabos soltos de Os três dias de um noivado”. 


Após mostrar a fuga de sua função puramente declamatória, em pleno século XIX, o apogeu do Romantismo, o poema se deixa entusiasmar pela efervescência da música italiana. Daí, toda uma adaptação feita para que o metro, a melodia e o ritmo se encaixassem nas técnicas musicais, trazendo ao palco das discussões teóricas o uso do verso isorrítmico, isto é, estrofes de um poema cujos versos possuem a mesma acentuação. Deu-se a construção da melodia do poema, seguida do reforço de sua regularidade métrica, graças, nesse enfoque, à música, pois o compositor garantia mais equilíbrio à alternância de sons. Voltou a ser cultuado o verso chamado novessílabo, que tinha como última sílaba acentuada a 9ª sílaba, além da 3ª e 6ª.


Depois de Gregório de Matos, o novessílabo ganhou movimento com o emprego nos ditirambos e nas odes, contudo, perdeu eficácia para a maioria dos românticos, porque, segundo estes, quebrava a linearidade dos metros, provocando-lhes a alternância. Assim, pouco apareceu nos escritos dos classicistas e, principalmente, nos tratados portugueses, só, talvez, fixando resistência nos poemas espanhóis de Zorrilla e Espronceda, além dos italianos e do francês Béranger, traduzidos pelos românticos portugueses e brasileiros, o que assegurou a sua sobrevivência enquanto verso isorrítmico. Zorrilla passou a escrever também o decassílabo sáfico que é semelhante à métrica dos versos dos ultrarromânticos brasileiros e portugueses, além da brincadeira que fez sempre alternando o eneassílabo e o endecassílabo numa aparência até cômica. Sucesso causou o verso novessílabo, já citado, na poesia romântica popularesca e na erudita, mas perdeu força logo em seguida, chegando até a ser usado equivocadamente por românticos tais quais Bernardo Guimarães e Gonçalves Dias.


Mais destaque teve o verso endecassílabo, com última acentuação na 11ª sílaba e nas 2ª, 5ª e 8ª restantes, por ter sofrido o resgate pelos românticos, que lhe atribuíram o galope martelado e inflexível, dando ao pensamento e à emoção uma melopeia com ar de fugacidade. Como o objetivo do Romantismo era dar mais embriaguez melódica aos versos, não é de se admirar que esses foram os mais cultivados. O verso mais natural e menos melódico era o de 8 sílabas (comumentemente, visto na prosa), seguido, em ordem decrescente, dos de 6,7,3,2,4,10,11,12 e 9. O endecassílabo e o novessílabo, por serem menos comuns no texto em prosa, eram mais melódicos e, portanto, mais musicais. Por consequência, os românticos os tinham como mais poéticos, o que resultou em uma ligação intensa que impôs fulgor à isorritmia, qual tendência musical. Em Portugal, Alexandre Herculano e Almeida Garret foram os pioneiros ao lado do drama musical italiano. No Brasil, constatou-se a presença deles na obra Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães, e a sua imortalidade em Balatas, de Joaquim Norberto e em Os três dias de um noivado, de Teixeira e Souza; este preenchendo-os também com certos decassílabos.







sábado, 10 de maio de 2014



Mona Lisa Bezerra Teixeira



Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna







Mona Lisa Bezerra Teixeira [10-05-2014]



Edição: Martins, 1971, VOL.2: 
da p. 35: “Via de regra, porém, o Romantismo buscou maior liberdade”[...]
até a p. 38: [...]      ”Essa imagem que recordas.
                               É meu puro e santo amor” 



Antonio Candido observa que a profunda vocação lírica do romantismo diluiu a ficção na poesia, permitindo maior liberdade estética aos escritores e propiciando novas formas de expressões. Como exemplo significativo ele cita Byron e seus romances em versos de grande densidade dramática, que influenciaram grandes escritores na Europa, e, como consequência, no Brasil.


O verso e a música


Essa sensibilidade romântica, com relação à expressão, é marcada pelo sentimento de inferioridade da palavra diante do objeto. Surge assim um novo recurso estético: a música, e a sua capacidade de manifestar o inexprimível. Para Antonio Candido a música atua como uma potência capaz de suprir as lacunas do verbo.


O nossos românticos escolhem a música italiana como guia de suas criações. O crítico atenta para o fato de Silva Alvarenga assimilar o setissílabo “metastasiano”, que implicaria o afastamento da poesia romântica erudita dos padrões neoclássicos. Entretanto, estes permanecem nas modinhas e aparecem no Diletante de Martins Pena, demonstrando sua afeição a Bellini. Outros padrões de metrificação, sempre com influência básica da poesia  italiana, vão criando um caminho para novas expressões que particularizam aspectos de nossa terra, como revelariam a poesia de Gonçalves Dias e Castro Alves.


sábado, 3 de maio de 2014


Massimo Pinna



Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva







Massimo Pinna  [26-04-2014]


Edição: Martins, 1971, VOL.2: 
da p. 33: “Pessimismo e sadismo condicionam a manifestação mais espetacular”[...]
até a p. 35: [passando para 3. As formas de expressão, 1º§] [...]”um derradeiro esforço: Os Brasileidas, de Carlos Alberto Nunes.” 

Pessimismo, sadismo - e até satanismo - estão presentes no espírito romântico; há uma queda dos valores éticos, políticos, sociais e estéticos. O lado obscuro do ser humano como o crime, o vício e as transgressões sexuais, é representado nas obras românticas de forma cada vez mais preponderante. Autores como Byron, Balzac, Stendhal, na tentativa de superar os parâmetros clássicos, descrevem em suas obras o amor incestuoso, o homossexual, os crimes. Especialmente o romance francês "desce aos subterrâneos do espírito e da sociedade", proporcionando aos leitores "a conquista mais fecunda da literatura moderna". O escritor assume um novo papel, não mais protegido por um mecenato, mas agora individualista e inconformista, profissional desamparado à procura de um novo público. Além disso, o "homem de inteligência", devido também à participação de massa na vida política (consequência da Revolução Industrial e das lutas pela Liberdade), se torna mais sensível aos outros. Por isso, ele encarna, às vezes numa só pessoa, o pessimista, mas também o profeta redentor, transformando o satanismo em rebeldia política: Candido cita os casos de Wordsworth, Lamartine, Shelley, Hugo e Castro Alves. Enfim, o poeta romântico, neste momento de transformações epocais, leva dentro de si sentimentos contraditórios como individualismo e solidariedade, pessimismo e fé no progresso, simbolizando plenamente o Zeitgeist - como se diria na língua de Goethe - , isto é, o espírito da sua época.

AS FORMAS DA EXPRESSÃO

Estas mudanças se manifestam também nas formas literárias, dando vida, no Brasil, ao romance e ao teatro como gênero literário regular. O poema épico sobrevive graças a Basílio e Durão - resposta dos poetas à bem-vinda Independência - expressando, através de inúmeras obras, o nacionalismo brasileiro. Este fenômeno equivocado - diz Candido - é prolongado até à literatura contemporânea, o último exemplo sendo "Os Brasileidas" de Carlos Alberto Nunes.


sábado, 12 de abril de 2014








Maria Valeska Rocha da Silva




Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins 
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres 
Thayane de Araújo Morais 
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa 
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza






Maria Valeska Rocha da Silva  [12-04-2014]


Edição: Ouro sobre Azul, 2012, v. único [parte II]:
da p. 349: “É que o poeta romântico procura, como ficou dito, refazer a expressão”[...] até a p. 350: ”E sorlovano insiem la via mortale Primi conforti d’ogni saggio core.”


O relativismo romântico repele o valor cunhado pela tradição para a Natureza e para sua expressão literária. Quando o verbo literário perde a categoria quase sagrada que lhe conferia a tradição clássica, surge a necessidade de “refazer a expressão a cada experiência”, e a autoridade perdida pela tradição transporta-se unicamente para o gênio do artista. Surge o “poeta mediúnico”, cuja criação é “um processo mágico”, em que ele se vê tomado pelas forças do Universo.


No desaparecimento da equivalência entre natural e real no horizonte dos românticos, Candido reconhece a origem de “uma nova marca da natureza na sensibilidade romântica: o sentimento de mistério”. O poeta volta-se, então, para seus aspectos mais desordenados, como “tempestade, furacão, raio, treva, crime, desnaturalidade, desarmonia, contraste”.


Candido relembra a pergunta do Fausto  (“Por onde prender-te, Natureza infinita?”) . É sobre a impossibilidade de uma resposta racional que se estabelece a sedução de Mefistófeles (“Despreza razão e ciência, força suprema do homem: deixa-te firmar pelo Espírito da mentira nas obras de ilusão e de magia...”) e o oferecimento da “vertigem” como único caminho para apreender “uma Natureza que se fecha ante as nossa perguntas”. 


Para Candido, a “desconfiança da palavra em face do objeto que lhe toca exprimir” é uma condição estética do “mal do século”, com seu desejo de fuga, a invocação da morte e sua associação ao amor. Certos pós-românticos, como Baudelaire e Antero de Quental, encontrarão um “veio opulento” nesse “filete de tonalidade sádica e masoquista”.

sábado, 29 de março de 2014





Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza



Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
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Terezinha Marta de Paula Peres
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Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
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Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
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Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
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Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa



 



Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza [29-03-2014]

Edição: Ouro sobre Azul, 2007, v. único [parte II]:
da p. 346: “Revisão do Mundo | O verbo literário, simples medianeiro entre a natureza e o intérprete” [...]
até a p. 349: “No Tramonto, finalmente, ela é como a alma das coisas que se retira, sepultando-as na noite privada da sua... fuggente luce.



No tópico Revisão do Mundo, prosseguindo no estudo do início do Romantismo no cenário literário, Candido expõe que os românticos, “operando uma revisão de valores”, impõem pessoalidade à sua visão de mundo, divergindo assim das imagens do “arsenal clássico”, as quais “pressupunham relativa fixidez do sentimento”. Desse modo, “impregnado de relativismo”, o Romantismo possuiria “em grau mais elevado que os clássicos a dolorosa consciência do irreversível”. Como exemplar completo da alma romântica, Candido cita o primeiro Fausto, no qual a angústia do “velho sábio” encontra-se presa ao “sonho de encontrar a perfeita manifestação do ato perfeito” (“Se conseguires fazer com que eu diga ao instante fugaz – ‘Pára, és tão belo!’...”)


A partir do Romantismo, diz Candido, as concepções do homem “sofrem o seu embate”. Estados de ânimo descritos em versos como os de Álvares de Azevedo (“No mundo exausto / Bastardas gerações vagam descridas”) decorrem da vitória da “cultura urbana contemporânea, sobre o passado em grande parte rural do Ocidente”; problemática que é colocada por Goethe no segundo Fausto, no que diz respeito às violentas transformações de uma modernidade incipiente, na qual o último empecilho para o “velho sábio” é representado pelo horto no qual Filemon e Baucis “prolongam a visão bucólica e o ritmo agrário da existência”, o que, contudo, é destruído por Fausto em sua ânsia pelo domínio da natureza. Segundo Candido, “Na consciência romântica, o horto de Filemon representa a alternativa condenada, a que o homem moderno se apega, ou que destrói, para curtir no remorso a nostalgia do bem perdido”.


Como bem observou Marcus Vinicius Mazzari em leitura anterior (21-12-2013), a “magia romântica” teria então desalojado o “encanto” árcade, no que diz respeito à visão da natureza, o que pode ser confirmado na “magia” com que os poetas românticos traduzem a lua, pois a “antiga Selene”, conforme Candido, “Deixa de ser a referência unívoca, a divindade imutável de todos os momentos, para se tornar uma realidade nova a cada experiência, soldando-se ao estado emocional do poeta”.



sexta-feira, 14 de março de 2014





Maria Aparecida da Costa



Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari




 



Maria Aparecida da Costa [15-03-2014]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:  
da p. 26: “Esta exigência de realismo, que assinala a maior parte da novelística moderna” [...] 
até a p. 28:  [...]”condicionado pela nova situação do artista em relação à palavra com que se exprime.”



A missão do poeta
Após o momento em que a criação estética aceita aspectos do cotidiano em sua composição isso se torna quase uma exigência nos movimentos literários que se seguiram. Na tentativa de superar movimentos anteriores, é lugar comum quando surge uma movimentação nova, no âmbito da literatura, acontecer uma espécie de degradação do movimento anterior. Assim foi com o romance realista que aparece em contraposição ao individualismo romântico, refletindo, por sua vez, o mundo cotidiano comum e servindo de inspiração para “quase tudo o que literariamente temos realizado até agora”. 

No entanto, antes da consolidação do Realismo, quando a pauta ainda eram os românticos, mais necessariamente, os poetas românticos, estes se comportavam aquém dos acontecimentos cotidianos reais, se sentindo, por vezes, como enviados divinos. Com isso, o individualismo egocêntrico desses poetas é justificado como se fosse algo necessário para uma espécie de transcendência do poeta em seu momento de criação artística, para eles era necessário sair da convivência com os terrenos para o plano do divino. Dessa forma, o poeta se vê como um enviado para uma missão espiritual ou social. 

Conforme Antonio Candido, exemplo dessa sensação de ser quase um enviado divino é o poeta religioso Gonçalves de Magalhães e sua dedicação a Deus como o maior de todos,

De mágico poder depositário,
Qual um Gênio entre os homens te apresentas,
Ante ti não há rei, nem há vassalo.
Tu nos homens só vês virtude, ou vício.




Para o poeta, cuja história da literatura considera o fundador do romantismo no Brasil, o egocentrismo, o isolamento e o egoísmo fazem parte de uma espécie de sacrifício que vai salvar o povo e elevar o vate a seu posto de enviado divino. Assim, o poeta se afasta do que Candido chama de equilíbrio neoclássico na busca de um novo desequilíbrio, “condicionado pela nova situação do artista em relação à palavra com que se exprime”.