sábado, 15 de agosto de 2015



Joana Leopoldina de Melo Oliveira






Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira











Joana Leopoldina de Melo Oliveira [15-08-2015]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p. 85: [PDF-+-p. 405] “Para o leitor habituado à tradição europeia, é no efeito poético da surpresa”[...]
até a p. 87 : [PDF-+-p. 407]  [...] “ Afrouxam-se as prisões, a embira cede,
                                                       A custo, sim; mas cede: o estranho é salvo.”




Em continuidade ao segmento anterior, Antonio Candido apresenta agora  a poesia indianista de Gonçalves Dias, I-JUCA PIRAMA. Para ele, o indianismo dos escritores brasileiros, sempre muito criticado pela europeização da figura indígena, “longe de ficar desmerecido pela imprecisão etnográfica, vale justamente pelo caráter convencional; pela possibilidade de enriquecer processos literários europeus com um temário e imagens exóticas, incorporados desse modo à nossa sensibilidade”. Por isso, Candido considera I-JUCA PIRAMA como obra-prima da poesia indianista brasileira –  não por ser mais autêntico do que os índios dos outros poetas, mas por ser mais poético.

A obra de Gonçalves Dias se incorporou ao orgulho nacional e à representação da pátria, assim como o grito do Ipiranga e as cores verde e amarela. Há na obra um deslumbramento que, para Antonio Candido, tem “um poder quase mágico de enfeixar, em admirável malabarismo de ritmos, aqueles sentimentos padronizados que definem a concepção comum de heroísmo e generosidade”. Além disso, o poeta apresenta o lamento do guerreiro, caso único na literatura indianista e que, por ser um recurso inesperado, o crítico considerou excelente, pois rompeu com a tensão monótona da bravura tupi.


O escritor destaca ainda a concepção, o tema e o arcabouço bem romântico da obra, além da configuração plástica e musical que a aproxima do bailado, com cenário, partitura e riquíssima coreografia:

Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.

Para finalizar, lembra que a importância estética da obra está na variedade de movimentos que integram a sua estrutura.


sábado, 13 de junho de 2015





Jackeline Rebouças Oliveira



Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis





Jackeline Rebouças Oliveira [13-06-2015]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p. 83: [PDF-+-p. 403] “Mas já nesse tempo, o povo tinha adotado o poeta, repetindo                           
                                              e cantando”[...]
até a p. 85: [PDF-+-p. 405]  [...] “ Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas,
                                                           A arasóia na cinta me apertaram”



Na página anterior, Antonio Candido apresenta Gonçalves Dias como o verdadeiro criador da literatura nacional que consolidou o Romantismo pelas qualidades superiores de inspiração e por possuir uma consciência artística acima de seus antecessores. Foi admirado e seguido por diversos poetas e serviu de exemplo para os seus sucessores. Com os Primeiros Cantos o poeta causou uma revolução nacional, “a ponto de todos acordarem ao mesmo tempo, e o autor se ver exaltado muito acima do seu merecimento”, diz Candido.


Essa obra serviu de experiência para os demais escritores que tomaram como referência e aprenderam com ele os padrões do Romantismo. Contudo, no que se refere à poesia nacional, os seus sucessores, apesar de terem dado um grande destaque ao índio, jamais conseguiram dar, como ele,  a mesma dimensão poética em relação ao tema.  A esse respeito, o crítico afirma que o indianismo em Gonçalves Dias vai muito além do modo de ver a natureza em profundidade, pois retrata junto à realidade o sentido heroico da vida.


O indianismo


Esse tópico versa sobre as poesias americanas de Gonçalves Dias. Para Antonio Candido, essas poesias se aproximam do medievalismo coimbrão. Isso se dá porque Gonçalves Dias incorporou em suas poesias temas do passado. O índio tem por modelo o cavaleiro medieval, herói, nobre e guerreiro fiel aos deveres tribais. Por isso, Sextilhas de frei Antão, O soldado espanhol, O trovador, (poemas medievais), possuem uma certa simetria com os Timbiras, i-Juca Pirama, a Canção do Guerreiro, que reduzem o índio aos padrões de cavalaria.


Ainda seguindo essa perspectiva, o crítico destaca que Gonçalves Dias como poeta dá uma visão geral do índio, pois retrata as cenas e feitos de um índio qualquer, não se preocupando em identificá-lo, já que a identidade serve  apenas para dar um padrão. Essa forma de caracterizar o índio o torna bem diferente do que faz o romancista Alencar, que particulariza o seu personagem, criando uma identidade e, por isso, acaba “tornando-o mais próximo à sensibilidade do leitor.”



Não há como negar que a forma peculiar de Gonçalves Dias expressar-se em suas poesias com uma grande riqueza temática e multiplicidade de assuntos fez dele um poeta extraordinário. O prisioneiro de Juca Pirama e o tamoio  da Canção dão um bom exemplo da grandiosidade desse escritor. Apesar de serem ”vazias de personalidade”, a “riqueza simbólica” é  incomparável, por isso, são consagrados na literatura brasileira.


É relevante notar que Gonçalves Dias trouxe para a literatura brasileira muitos temas que servirão de modelos para os demais escritores. Sobre isso, Antonio Candido afirma que o poeta soube incorporar em seus versos o detalhe pitoresco da vida americana sob um ângulo romântico e europeu, onde mistura medievalismo, idealismo e etnografia, tendo como resultado uma  escrita nova, que nos faz sentir os velhos temas da poesia ocidental.



A esse respeito, o crítico cita como exemplo a figura da marabá. Mulher de dois sangues, por ter mãe índia e pai europeu, a marabá, apesar de ter uma beleza incomparável, sofre por ser rejeitada por sua tribo, pois possui característica de uma europeia. Para o crítico, a marabá é um desses “monstros românticos” cuja fatalidade é ficar aquém da plenitude afetiva:


Meus olhos são garços, são cor das safiras,
Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
Imitam as nuvens de um céu anilado,  
As cores imitam das vagas do mar!

Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
- “Teus olhos são garços”,
Responde enojado, "Mas és Marabá:
“Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
“Uns olhos fulgentes,
“Bem pretos, retintos, não cor d'anajá!”




Por fim, Antonio Candido analisa uma estrofe do poema o Leito de Folhas Verdes. Segundo o autor, esse poema é uma obra-prima do exótico, pois Gonçalves Dias utiliza o ambiente para expressar um tipo de emoção que na verdade independe do ambiente. É a combinação de detalhes feita na lírica que causa toda a emoção, tanto que uma simples referência à arazoia (tanga de penas) “faz a emoção vibrar numa totalidade desusada, que refresca e torna a mais expressiva a declaração de amor”:


Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios, 
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas 
A arazóia na cinta me apertaram.

sábado, 30 de maio de 2015




Giorgio de Marchis






Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti








Giorgio de Marchis   [30-05-2015]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p. 81: [PDF-+-p. 402] [ 5. Gonçalves Dias consolida o romantismo]  “Gonçalves Dias se destaca no medíocre panorama da primeira fase”[...]
até a p. 83: [PDF-+-p. 403]  [...] “– falou desse volume com expressões bem lisonjeiras – e esse artigo causou muita impressão em Portugal e Brasil.”



As primeiras páginas do capítulo da Formação da Literatura Brasileira dedicado a Gonçalves Dias como consolidador do Romantismo no Brasil, para serem devidamente apreciadas, não podem ser desvinculadas da leitura das páginas que o precedem porque foi, claramente, por contraste, que Antonio Candido destacou a figura deste poeta.



De facto, em relação aos émulos de Gonçalves de Magalhães, como bem salientou Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti, Antonio Candido não poupou adjetivos desqualificadores, mostrando como nas obras de Teixeira e Sousa, Dutra e Melo e Joaquim Norberto não faltavam “atavismos arcádicos”, “falta de inspiração”, “banalidade de rima e do conceito”, evidentes na expressão duma “religiosidade afetada”, na “exaltação poética pela pátria” e na “ostentação do sofrimento”. Enfim, tratar-se-ia duma chusma de versificadores que produziu um monturo de versos incapazes de resistir ao tempo.



Agora, apesar da cesura que separa os dois capítulos, é precisamente em oposição a estes poetas menores que a figura de Gonçalves Dias surge inquestionavelmente ocupando o lugar central do cânon da literatura brasileira oitocentista.



A organização da Formação da Literatura Brasileira é, portanto, muito eficaz na apresentação de Gonçalves Dias; a sua superioridade em relação Teixeira e Sousa & Companhia é manifesta, eu diria, por imediata oposição. Assim sendo, Candido destaca como a temática nacional apenas no poeta d’Os Timbiras se exprima através duma “harmonia neoclássica” e uma “necessidade de medida” ausentes nos outros autores.



As qualidades superiores de inspiração de Gonçalves Dias, patentes no “medíocre panorama da primeira fase romântica”, e o seu lugar de primazia nas letras brasileiras como “verdadeiro criador da literatura nacional” tornam-se assim evidentes e indiscutíveis. E o que hoje aparece claro ao leitor do século XXI da Formação da Literatura Brasileira, graças ao hábil recurso que Candido faz de sutis meios retóricos (no sentido mais admiravelmente positivo do termo), encontra mais uma justificação na opinião dos poetas e jornalistas contemporâneos do autor dos Primeiros Cantos, que não duvidaram um momento em reconhecer neste “soberbo cantor” o detentor do “segredo da harmonia” regeneradora da “rica poesia nacional”.



segunda-feira, 18 de maio de 2015





Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti





Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo








Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti  [16-05-2015]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:

da p. 78: [PDF-+-p. 399] [Teixeira e Sousa]“As poesias líricas são ruins; o poema indianista, Três dias de um noivado, péssimo”[...]
até a p. 80: [PDF-+-p. 402]   “Os temas do poema  ‘arrancaram
à sua melancólica dor uma poesia sentimental’.” [final do subcapítulo]




Uma das características de açu-Acê é ser parcimonioso em adjetivos; basta procurar em seus ensaios –  todos, sem exceção, exemplos de erudição sólida e harmonia de composição – e nunca será fácil encontrar um acúmulo de qualificadores; no entanto, neste subcapítulo, a respeito dos êmulos de Gonçalves de Magalhães, há muitos termos desabonadores em relação à obra poética de Joaquim Norberto, Antônio Francisco Dutra e Melo e Antônio Gonçalves Teixeira e Sousa, a que se pode juntar "Sob o signo do folhetim: Teixeira e Sousa", páginas que fixam  o lugar histórico de um autor menor.



Assim, sucedem tolice pedestre, pasmosa vulgaridade, irremediável vulgaridade, decepcionantes (...) ilusões poéticas, impressão (...) de banalidade, desvaliosa como realização poética, pior que péssimos. Acê não se transforma, por isso, num adjetivador inconsequente, desprovido de senso analítico; trata-se, suponho, antes, de uma forma de expressar, por contraste, a distância entre a matéria sobre a qual Machadão vai refletir e ordenar segundo a mais exigente consciência histórico-literária e a dimensão máxima da própria obra machadiana.


  
A importância histórica do editor da revista Niterói é sublinhada repetidas vezes pelo autor da Felebê, assim como o descompasso entre o valor estético de sua obra – pequeno, em última análise – e a grande capacidade de influir nos rumos de uma literatura –  de uma cultura, por assim dizer – durante momentos decisivos, sobretudo a década compreendida entre 1836 e 1846. Gonçalves de Magalhães foi uma espécie de preceptor dos três poetas em pauta, conforme pode ser lido no último parágrafo deste subcapítulo, quem “'lhes deu a ideia de Romantismo".



A estreiteza do ambiente intelectual desse período e o patrocínio estatal à difusão da poesia moderna nos trópicos portugueses recém emancipados explicam, em parte ao menos, o descompasso indicado. Ainda que Teixeira e Sousa figure na Felebê como seguidor de Magalhães, dado que o critério desta história da Literatura Brasileira é estético e histórico, ou seja, alguns degraus acima dos meros eventos, não fez parte do séquito que se formou em torno deste - Acê usa o termo “panela” para referir o grupo dos ungidos pelo amigo do imperador. O autor de O filho do pescador participa da roda de amigos do livreiro-editor Francisco de Paula Brito, da qual faria parte, tempos depois, Machadão; noutras palavras, o autor de Quincas Borba formou-se num ambiente intelectual muito xucro, o que é mencionado em outras partes pelo autor de Literatura e sociedade com mais ênfase.


sábado, 2 de maio de 2015

Érika Bezerra Cruz de Macedo





Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos






Érika Bezerra Cruz de Macedo [02-05-2015]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:

Edição:Martins,1971, VOL.2:
da p. 75+-: [PDF-p. 398]  “Pertencendo a uma geração literária de maridos virtuosos,  já vimos que cantou pudicamente”[...]
até a p. 77+-: [PDF-p. 399]    [...] ”líricas,um longo poema indianista e a longuíssima epopeia sobre a Independência.“ [ primeiras linhas  do subtítulo Teixeira e Sousa]


Nas páginas antecedentes, Antonio Candido vale-se de um estilo elegante, ainda que por vezes eivado de ironias sutis, e de inigualável argúcia e senso crítico para apresentar sua concepção da literatura como um conjunto de obras no qual a interação "autor-obra-público" se define e se prolonga pela "tradição", constituindo um "sistema", em contraste com as "manifestações literárias" precedentes.


No caso da literatura brasileira, parece-lhe que a caracterização desse "sistema" ocorreu entre as academias do século XVIII e Machado de Assis, razão pela qual a Arcádia e o Romantismo delimitam seus estudos. O grande mestre da crítica literária afirma ainda que é entre os anos trinta e setenta do século XIX que o “sistema literário” se consolida, vindo a se consubstanciar através do movimento desencadeado em Paris pelo grupo liderado por Gonçalves de Magalhães através da revista Niterói em 1836.


Tributários do nacionalismo, os intelectuais românticos criam as bases do que seria uma literatura brasileira. Empenhados na “construção da nação”, assumiram mesmo um “sentimento de missão” que os levava a “[...] considerar a atividade literária como parte do esforço de construção do país livre” (CANDIDO, 1971, v. 1, p. 26). Tal empenho conduziu a literatura a priorizar a soberania do tema local, exaltando a terra e o povo, além de buscar as linhas estéticas e as preocupações temáticas capazes de expressar a nova realidade da recente nação.


A esse respeito, alguns escritores acreditavam que a representação do local passava pela figura do índio, visto como símbolo maior da brasilidade, ainda que poeticamente pintado com tons refratados do modelo europeu de cavaleiro medieval. Já outros adotaram a beleza pátria, a religião e a natureza como motivos principais de seus cantos.


Tais temas foram introduzidos no Brasil por poetas esteticamente vacilantes, hesitantes entre a nova e a velha escola, sem grandes ousadias poéticas e literariamente medíocres. Segundo Antonio Candido, essa primeira geração é formada por três estratos de autores: o primeiro representado por Gonçalves de Magalhães, Manuel de Araújo Porto Alegre e Francisco Salles de Torres Homem; o segundo apresenta os discípulos mais jovens: Joaquim Norberto, Dutra e Melo, Teixeira e Souza; e o terceiro é marcado principalmente por Gonçalves Dias, o único a desvencilhar-se da mediocridade.


Nas páginas específicas para esta leitura, Candido enfoca justamente o grupo de discípulos, adjetivados como êmulos, título que por si só sugere a qualidade secundária de suas obras. O primeiro a figurar dentre os escritores que adotaram conscientemente a reforma da Niterói, no sentido de assumir o nacionalismo literário como dever patriótico, é Joaquim Norberto, cuja extensa obra incorporou de maneira cabal a divisa da revista: “Tudo pelo Brasil, e para o Brasil”, mas não resultou em nenhum "verso prestável".


Seguidor das propostas estético-literárias de Magalhães, é apresentado como um marido virtuoso, que canta pudicamente a esposa em "O Livro de Meus Amores", conferindo-lhe atributos de “anjo de amor” ou “anjo sagrado”, dentro dos padrões de idealização romântica da figura feminina. No vasto conjunto da obra de Norberto, Candido destaca "Flores entre Espinhos", poemas denominados de "contos poéticos" feitos sob a égide de Lord Byron, mas sem o talento deste, como o maior pecado estético de Norberto e uma evidência vulgar do quão canhestra era nossa produção literária.


O autor seguinte é Dutra e Melo. Poeta de segunda ordem, embora sensível a certos prenúncios de transformação literária, evidente na verve crítica com que delineia seu artigo sobre "A Moreninha", manteve-se preso a padrões neoclássicos que sufocam sua expressão lírica e configuram-no como exemplo de indeterminação estética similar a de Junqueira Freire.


Por fim, Candido apresenta-nos Teixeira e Sousa como pior que os outros dois, destacando-o como um escritor cuja ambição literária é inversamente proporcional ao seu talento.

sábado, 18 de abril de 2015



Elizabete Maria Álvares dos Santos







Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva










Elizabete Maria Álvares dos Santos [18-04-2015]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:

da p. 72: [PDF-p. 395]      “Do canto XXV ao XL esta impressão se acentua, ao narrar o resto da viagem”[...]
até a p. 75: [PDF-p. 397]   [até início do cap. 4 –Êmulos] [...] ”Após tanto esplendor de vida e glória!
                                              (“A visão do proscrito”)“ 



Candido ilustra o "vanilóquio" de Porto-Alegre com exemplos que vão desde " a narração da viagem até a morte do próprio herói", nos quais a carência de sentido e de própria "caracterização psicológica" são marcas evidentes do enfado que o poema provoca no leitor.


Na tentativa de demonstrar seu apreço ao nosso descobridor, Porto-Alegre se utiliza de técnicas, as quais Candido tão bem define: "Note-se que, tomado em si, o seu verso é quase sempre correto e expressivo: temos a impressão de um bailarino que apurou na barra os elementos fundamentais da técnica e foi depois espanar móveis ou servir à mesa."



Candido encerra sua análise de O Colombo, destacando que a "prolixidade" toma conta dos versos, deixando o poema sem clareza e com um ar de "tolice". No subtítulo 4 - ÊMULOS - Candido inicia com uma análise da obra de Joaquim Norberto, alinhando a temática de sua poesia como uma espécie de "ponte entre Gonçalves Dias e Magalhães", afirmando que aquele "nunca fez um verso prestável", apesar de ter publicado muitas poesias.

sábado, 4 de abril de 2015



Eldio Pinto da Silva





Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa








Eldio Pinto da Silva  [04-04-2015]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:

da p. 70: [PDF-p. 393, por aí+-]      “Contribuindo para a tentativa muito interessante de Joaquim Norberto” [...]
até a p. 72: [PDF-p. 395...+-]   [...] ” seu poema é exemplo perfeito de vanilóquio...“ 



Para Candido, o trabalho de Porto Alegre contribui com a tentativa de Joaquim Noberto, isto porque busca adaptar a balada romântica experimentada por alemães e franceses. A iniciativa de alemães e franceses tinha dado certo, sendo que no Brasil precisava-se formalizar as temáticas medievais ao contexto nacional, daí imprimiu-se na poesia erudita associações aos temas populares, com destaque para O CAÇADOR (1844), que, como percebe Candido, pode se associar ao texto CHASSE DU BURGRAVE, de Victor Hugo.


Ainda buscando popularizar a temática nacional, há o poema O POUSO, que expressa uma tonalidade sertaneja, localista, sem se deter com atravios europeus, pois trazia não elementos medievais e sim a desventura de cantar ao som da viola e não da lira e da cítara. Mesmo assim percebe-se que, sendo um artista romântico, Porto Alegre ainda se prende aos neoclássicos da última fase com o uso de temáticas associadas ao movimento. Tal condição ocorre pelo fato de abordar tom retórico, verso branco em ritmo prosaico, sintaxe e vocabulário, com poemas naturalistas, descritivos e de exaltação patriótica.


Os textos produzidos eram como uma epopeia, poemas longos, cheios de dados e cenas para melhor descrever e evocar as ações épicas do descobrimento através do poema COLOMBO (1866), o qual Candido chama de “terrível [...] paquiderme de quarenta cantos onde se compendiam os seus muitos defeitos e poucas qualidades”. Candido descreve o texto COLOMBO para melhor explicitar sua opinião, destacando que o texto parece uma mistura das ações de Ivanhoé com Eurico, o que demonstra a leitura dos textos clássicos das literaturas inglesa e portuguesa.

Colombo é, para Candido, um texto que apresenta analogias, sem abordar entretanto o assunto real, dando feições heroicas ao protagonista que não chegam a convencer o leitor, podendo-se dizer que o “poema é exemplo perfeito de vanilóquio”, ou melhor de palavras vazias para celebrar o feito de Colombo quando decidiu fazer suas viagens pelo Mundo Novo e invadir as terras indígenas.