terça-feira, 27 de junho de 2017

Juliana Fernandes Ribeiro Dantas





Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira







Marcos Falchero Falleiros
[substituindo Juliana Fernandes Ribeiro Dantas – 17-06-2017]

 Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p.  167:      [visor p. PDF: p. 478]    “A sua imaginação floral deita raízes nesse mundo onde o cravo briga com a rosa”[...]
até a p. 169:   [visor p. PDF: p. 480]    [entrando pelo 4. Bernardo Guimarães, poeta da natureza [...]“quando já encontrara no romance outra forma de expressão”.


Ainda em relação a Laurindo Rabelo, resta assinalar que a metaforização floral nele é singela, bem diferente de uma complexidade barroca e trocadilhada como a de Gregório de Matos, mostrando-se próxima da ingenuidade dos versinhos de Afonso Celso, quando “rosa” limita-se a “planta, beijo e paixão”.

Apesar de mais lírica, sua botânica mostra-se mais próxima do primitivo e do folclore, onde as flores são “almas externas”, avatares de sentimentos do eu lírico, como melancolia, desejo, amores – imagens que nos desdobramentos pré-românticos tenderiam ao signo, às vezes sentenciosas, na passagem do vegetal ao simbólico. Em Laurindo Rabelo, passam da experiência da flor à sua desmaterialização no espírito, o “coração que vai se tornando um vaso”, com um sistema de signos cuja expressão pode lembrar, por exemplo, “O grifo da morte” de Mário de Andrade, ou a imagem, inscrita da alma, do chinês extático de Mallarmé.


4. Bernardo Guimarães, poeta da natureza


Antonio Candido atribui à poesia de Bernardo Guimarães a imagem de fruta saborosa com semente amarga: volúpia e euforia voltadas para o mundo exterior com eventuais traços de azedume que chegam a um satanismo e perversidade com marcas pitorescas de seu ambiente paulistano.

Seu estro plástico e musical indisciplinado alcançou versos admiráveis, como os de Poesias diversas, de sua segunda fase. Entretanto, quando não havia ainda domesticado seus impulsos desordenados, produziu as peças mais significativas de sentimento da natureza. Na última fase passa por um processo interessante: nota-se um retorno na maturidade à harmonia neoclássica, decadência da inspiração e tendência à prosa. Longe de Minas, pode ter se insinuado nele um insidioso atavismo arcádico. De tal modo que a última fase parece no plano formal preceder as anteriores à sua opção pelo romance como outra forma de expressão.



sábado, 3 de junho de 2017







Joana Leopoldina de Melo Oliveira




Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira







Joana Leopoldina de Melo Oliveira [03-06-2017]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p.  164:      [visor p. PDF: +-p. 474]    “ Muitas vezes a ocorrência é puramente ocasional: ”[...]
até a p. 167:   [visor p. PDF: +-p. 477]    [...] “Róseas flores d’alvorada.
                                                                     Teus perfumes causam dor.


Antonio Candido continua o tópico “Obsessão floral” mostrando as várias formas sob as quais as flores aparecem na obra de Laurindo Rabelo. O crítico observa que, muitas  vezes, a ocorrência é puramente ocasional. E, em outras, a intenção é simbólica ou comparativa. Nesses casos, a flor é virtude, saudade, tristeza, prazer, amor:


Se de um lado a razão seu facho acende
De outro os lírios seus planta a saudade.
                                             (“Dois impossíveis”)


No mais famoso dos seus poemas, a saudade é flor, fazendo do próprio nome, “saudades”,  símbolo do próprio sentimento que nomeia, em referência à irmã morta:
  
         
Quem sabe...(Oh! meu Deus, não seja,
Não seja esta ideia vã!)
Se em ti não foi transformada
A alma de minha irmã?!
[...]


E a melhor realização se encontra nas “Flores murchas”, composta por seis poesias, “quase um poemeto frouxamente composto em torno da metáfora floral”:


Ai! flores da minh’alma! Quem matou-vos...


O estudioso afirma que assim as flores vão perdendo a identidade; passam da botânica à psicologia, confundem-se com os sentimentos que lhes dão nome e se tornam realmente saudade, amor-perfeito, martírio. E o poeta acaba operando realmente a transfusão das duas realidades, invadindo a flora material com emoções que florescem segundo as leis de uma botânica subjetiva, alcançando a imaginação popular de cantigas como “Craveiro, dá-me um cravo/Roseira, dá-me um botão”:


Na terra que cobrir-me as frias cinzas
Plantarás um suspiro, uma saudade.

sábado, 20 de maio de 2017




Jackeline Rebouças Oliveira





Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo






Jackeline Rebouças Oliveira [20-05-2017]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p.  162:      [visor p. PDF: +-p. 475]    [início do capítulo] “ 3 As Flores de Laurindo    
                                                                                                              Rabelo”[...]
até a p. 164:   [visor p. PDF: +-p. 477]    [...]“poemas coligidos na edição mais completa,
                                                                              ou seja mais de um terço.”



Leste-lhe a poesia? Eram arquejos
               Dum coração aflito!
De uma alma que ensaiava na matéria
               Os voos do infinito! –

Antonio Candido inicia o tópico intitulado de “As flores de Rabelo” com um trecho de um poema feito por Laurindo Rabelo em homenagem a Junqueira Freire. O crítico segue explanando que, ao contrário das características atribuídas a Junqueira Freire, Rabelo foi um poeta de linguagem simples, que procurava retratar nas suas obras os sentimentos dos homens e os próprios sentimentos de uma forma bem natural e espontânea, sem muita preocupação com o requinte estilístico. “Tudo medido e singelo, numa forma em que o desejo de comunicar prima [sic] qualquer artesania”. O importante para esse poeta era falar de sentimentos como: “melancolia”, “amor faterno”, “amizade”, ” gratidão”, com uma linguagem descontraída e simples:


Vate não sou, mortais; bem o conheço;
Meus versos, pela dor só inspirados,
Nem são versos; menti; ais sentidos,
Às vezes sem querer d`alma exalados.
                                  (“O que são meus versos”)


Nos versos acima, qualificados como chavão romântico, Candido continua a reflexão sobre a poesia de Rabelo, deixando claro em suas observações que as obras desse poeta apresentam três aspectos: a poesia de circunstância (insignificante, revelando o homem convencional aderido às comemorações), a obscena (com a sociabilidade de botequim, tal como Bernardo Guimarães, Aureliano Lessa, Álvares de Azevedo e – quem diria! – Junqueira Freire) e a confidencial. Isso se dá porque Laurindo Rabelo se aproveitava da condição de boêmio para colocar as experiências pessoais em seus versos. Segundo Antonio Candido, Rabelo por ser pobre, insatisfeito e boêmio dava muito valor aos dons de improvisador, neste gênero em que a essência é a retórica e não a poética. Como poeta popular e irreverente, Laurindo também se destacou com os versos à “musa secreta” da obscenidade.


Obsessão floral


Nas poesias confidenciais, os versos trazem o próprio sentimento do poeta de tal modo que parecem traduzir a realidade vivida. “Meus versos, pela dor só inspirados.” Sobre a presença das flores no romantismo, Antonio Candido  nos diz  que  elas serviram de inspiração para os poetas românticos, pois  nelas os poetas exploravam a delicadeza e o sentimentalismo. As flores eram intermediárias entre o mundo físico e o homem, levando-o à reflexão. Em Rabelo, as flores, na maioria das vezes, expressavam um plano simbólico e serviam para transmitir sentimentos comuns de forma espontânea. Sentimentos como: amor, saudades de familiares, solidão e desejo de morrer são abordados nos versos de Laurindo Rabelo de uma forma tão simples que mais parecem um “desabafo do poeta”, ou seja, prevalece mais a forma sincera e a autenticidade com que procurava transmitir os sentimentos do que a própria estilística. Essa forma de linguagem parecida com uma confissão de sentimentos aproximava o leitor da obra e fazia com que ele se entregasse “principalmente quando arrastado para esfera da imaginação floral.” A isto, o crítico acrescenta uma percepção bastante significativa para o estudo de nossa literatura:


“as flores talvez sejam a principal fonte de imagens dos poetas românticos brasileiros”.



sábado, 6 de maio de 2017





Érika Bezerra Cruz de Macedo






Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis





Érika Bezerra Cruz de Macedo  [06-05-2017]

Edição: Martins, 1971, VOL. 2:
da p.  159:      [visor p. PDF: +-p. 470]    “Raramente, porém, alcança poesia tão boa                 
                                                                  para exprimir os”[...]
até a p. 161:   [visor p. PDF: +-p. 472]       [...] “mas intensos momentos de beleza que
                                                                   logrou alcançar. ” [final do capítulo]


“Havia nele mais dum traço original; é lamentável que a pressão insuportável das condições de vida e um formalismo constrangedor houvessem impedido a sua realização plena, no nível dos poucos, mas intensos momentos de beleza que logrou alcançar”. É com essas palavras que o mestre Candido remata sua incursão na poética contraditória do ultrarromântico Junqueira Freire. Se antes nosso crítico destacara a estreiteza formal e rítmica dos padrões neoclássicos que inspiravam o vate baiano como incongruente à exacerbação de sentimentos que moviam este a uma constante confissão, ocupa-se, agora, em comentar o efeito e a causa que tal dissonância tem em seu feitio literário.


O efeito é o de raramente o poeta produzir uma poesia que tão bem expresse seus dramas. Dentre as exceções, estão alguns versos que, mesmo contidos, transparecem “uma bela e saudável euforia dos sentidos”. O geral, porém, de seus cânticos de dor arrancados das inquietudes do claustro, da solidão, do desejo reprimido, das revoltas pessoais, do remorso e da obsessão da morte é a expressão de um espírito poético oscilante e desprovido de mistério.


Com sua habitual lucidez, Candido discorre sobre a ausência de mistério e de complexidade como a causa que minoriza os bons momentos da produção freiriana. Segundo o crítico, a complexidade de um escritor geralmente deriva de sua “capacidade de ver os próprios problemas por várias facetas, experimentando interiormente com eles, dando-lhes forma pela descoberta de imagens adequadas”. São essas imagens que sensibilizam o leitor, não bastando para isso a mera existência de um drama complicado, porém reduzido à matéria que origina a expressão.


Enquanto os poetas clássicos recorreram à tradição greco-latina, que demandava grau relativamente alto de abstração nas figuras paradigmáticas, míticas ou pastoris, e os românticos, por sua vez, valeram-se de diversas formas sinuosas e musicais para expressar o influxo desordenado das emoções, Junqueira Freire não obteve muito êxito em achar imagens que encarnassem seus sentimentos, bastando alguns extratos de sua poesia para se conhecer o gênio poético que se escondia sob as vestes do monge.


A monotonia presente nas repetidas situações de que o poeta se vale demanda muita seletividade na apreciação de sua obra, a fim de ressaltar seus bons momentos. Um destes é o poema “Morte”, considerado “um travo antecipado de Augusto dos Anjos e da poesia realista da morte”. Eis alguns de seus versos:


Pensamento gentil de paz eterna,
Amiga morte, vem. Tu és o termo
De dois fantasmas que a existência formam,
– Dessa alma vã e desse corpo enfermo.

Pensamento gentil de paz eterna,
Amiga morte, vem. Tu és o nada,
Tu és a ausência das moções da vida,
Do prazer que nos custa a dor passada.

Pensamento gentil de paz eterna,
Amiga morte, vem. Tu és apenas
A visão mais real das que nos cercam,
Que nos extingues as visões terrenas.

(...)

Amei-te sempre: – e pertencer-te quero
Para sempre também, amiga morte.
Quero o chão, quero a terra – esse elemento;
Que não se sente dos vaivéns da sorte.

Para tua hecatombe de um segundo
Não falta alguém? – Preenche-a tu comigo.
Leva-me à região da paz horrenda,
Leva-me ao nada, leva-me contigo.

Miríadas de vermes lá me esperam
Para nascer de meu fermento ainda.
Para nutrir-se de meu suco impuro,
Talvez me espera uma plantinha linda.

Vermes que sobre podridões refervem,
Plantinha que a raiz meus ossos ferra,
Em vós minha alma e sentimento e corpo
Irão em partes agregar-se à terra.

E depois nada mais. Já não há tempo,
Nem vida, nem sentir, nem dor, nem gosto.
Agora o nada, – esse real tão belo
Só nas terrenas vísceras deposto.



sábado, 22 de abril de 2017




Elizabete Maria Álvares dos Santos






Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva




Elizabete Maria Álvares dos Santos [22-04-2017]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da  p.  157:   [visor p. PDF: p. 468]   “A poética dos clássicos requer pois uma filtragem”[...]
até a p.159:  [visor p. PDF: p. 470] [...]      “Não há de assim nos avistar a morte,
                                                                                     Ou morreremos juntos.
                                                                                                                            (“Temor)”



Tentando justificar a forma adotada pelos românticos ao tentarem dar expressão a suas obras de modo diferente da poética dos clássicos, Candido afirma que os românticos dessa geração afinal acabaram por forjar sua própria forma, adotando uma prosa mais “desordenada e nervosa”, cujo sistema de imagens estava baseado diretamente na realidade externa e interna das coisas. Esse recurso passa a ideia de uma obra baseada no testemunho, cuja apresentação do material bruto das emoções está sempre presente.


A obra de Junqueira Freire, enquadrada no Ultrarromantismo, mas ligada ao Neoclassicismo português,  é repleta de grande pessimismo, seus versos condenam as disciplinas religiosas e os votos de obediência, ao mesmo tempo em que se tornam um símbolo de liberdade. O poeta revela a grande contradição entre o amor e a morte. Entretanto, para Candido, sua mensagem mostrou-se prolixa demais para se ajustar à regularidade do sistema clássico.


Candido cita versos de “Por que canto”, para exemplificar o drama que Junqueira Freire queria manifestar: a revolta e o arrependimento por ter ingressado na Ordem dos Beneditinos, sem qualquer vocação, aos 19 anos de idade. Essa revolta também é ilustrada com versos do poemeto  “O Monge”, o qual é classificado pelo crítico como “mal realizado, discursivo e prolixo”.


Outro aspecto relevante destacado por Candido na obra de Junqueira Freire é o da exaltação erótica que aparece em vários graus, fortalecendo a tensão emocional de seus versos.




sábado, 8 de abril de 2017



Eldio Pinto da Silva




Elizabete Maria Álvares dos Santos
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Alynne Ketllyn da Silva Morais
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Eide Justino Costa







Eldio Pinto da Silva [08-04-2017]



Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da p.  155:      [PDF p. 466] [2. Conflito...Junqueira Freire] “Os motivos são vários. Considere-se em primeiro lugar o meio”[...]
até a p. 157 :  [PDF +- p. 468] [Um drama sem estilo][...] “perdendo o caráter de confissão direta.”


2. Conflito da forma e da sensibilidade em Junqueira Freire

Antonio Candido destaca o trabalho de Junqueira Freire como o de um artista que esteve intimamente ligado aos padrões do Neoclassicismo. Junqueira estava preso aos valores estéticos da produção portuguesa. A produção de Junqueira Freire tinha o caráter tradicional do setissílabo e do decassílabo e também usou verso branco inspirado em poemas setecentistas. Antonio Candido destaca que o que levou Junqueira Freire a atuar desta maneira em seus versos se devia ao meio em que vivia: uma Bahia ligada à tradição clássica, com vinculação aos estudos linguísticos e  preferência pela oratória, sendo que não havia em Salvador o movimento romântico do modo que havia se espalhado pelo País. O autor de Formação da Literatura Brasileira salienta que o romantismo aplicado por Castro Alves tem raízes em Recife e São Paulo.


Junqueira Freire foi um autor que exercitava uma poesia retórica e conservadora, admirador de autores clássicos e de portugueses como Garrett e Herculano. Não se inspirou em autores modernos como fizeram seus contemporâneos. Para Candido, "Tem em comum com os neoclássicos da fase de rotina certa dureza de ouvido, a franqueza sensual cruamente expressa, o fraco pelas palavras de rebuscado mau gosto".


Junqueira Freire não cedeu à musicalidade, primando pela medida, pelo estilo clássico realizado no Arcadismo, o que se tornava uma estética desajustada em relação às novas expressões textuais. O verso branco aparecia em muitos poemas, que para Candido eram "sem tacto poético e até mal compostos”, “que se desarticulam numa discursividade excessiva". Mesmo assim Junqueira Freire também se aproveitou das tendências modernas que vivia o momento literário, percebido, por Candido, em poucos poemas.



Um drama sem estilo


Quanto ao conteúdo, Antonio Candido observa que a qualidade dos poemas de Junqueira Freire tem uma "qualidade medíocre da sua realização." Candido nota seu desejo de confessar pelo uso do verso uma sensibilidade tumultuosa e uma dor dramática, típicas de seus poemas.


O que Candido destaca na forma literária de Junqueira Freire é que ela está ligada a um modelo clássico, indissolúvel à qualidade. Com elaboração estética vinculada ao sentimento clássico e não ao romântico da época, seus poemas ficam desajustados na forma, entre o conteúdo e as emoções. Assim, os versos de Junqueira Freire demonstram que o eu-lírico sofre, chora, se revolta, expõe seus sentimentos, emoções em estado bruto, diferente do que se observa, segundo Candido, nos poemas de Tomás Gonzaga em que "a experiência emocional só podia ser comunicada em certo nível de estilização", o que demonstra que o movimento romântico diferenciava-se do clássico arcádico, por ser este um movimento de linguagem elaborada, comunicável: "Submetida a este tratamento a emoção ganha maior alcance, perdendo o caráter de confissão direta."