domingo, 31 de maio de 2020





Manoel Freire Rodrigues





Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Mácio Alves de Medeiros







Manoel Freire Rodrigues [30-05-2020]

Edição: Itatiaia, 2000, VOL.2:
da      p.  pdf do visor: p. 615: [Capítulo VIII] "1. Raízes da Crítica Romântica" [...]
até  a p.  pdf do visor: p. 619:  [...]  "da angústia interior e da vida primitiva".

“Ao descrever os sentimentos e as ideias de um dado período literário, elaboramos frequentemente um ponto de vista que existe mais em nós, segundo a perspectiva de nossa época, do que nos indivíduos que o integram”. É com esta frase que Antonio Candido inicia o primeiro tópico do último capítulo de sua fundamental Formação da Literatura Brasileira, em que procura delinear as raízes da crítica romântica nacional, o que fará ao longo do texto, mas já apresenta, de forma objetiva e precisa, nas duas primeiras páginas. Ainda no mesmo parágrafo, o crítico assinala a necessidade de “contrabalançar a deformação excessiva” decorrente dessa postura, assinalando a necessidade de um esforço para se compreender a visão que os sujeitos tinham sobre as ideias de sua própria época. Concluindo o pensamento sintetizado no parágrafo, Candido ressalta que “se impõe o estudo da crítica do período em apreço”, pois considera ser ela “a consciência da literatura, o registro ou reflexo das suas diretrizes e pontos de apoio”.


Estabelecido esse pressuposto, Antonio Candido procura identificar elementos que levam às origens da crítica literária brasileira, apontando como primeiros sinais “de certo interesse” na “epístola de Silva Alvarenga a Basílio da Gama”, além da “Carta marítima de Souza Caldas”, mencionando ainda as “lições de Frei Caneca”, estas como simples “compêndio escolar”. Ressalta que a crítica literária no Brasil como “atividade regular da inteligência” só aparece com a revista Niterói, apontando ainda como possível sinal anterior a “Sociedade filarmônica”. Após delinear as “bases” de seu surgimento, Candido afirma que “a crítica literária brasileira se baseia na teoria do nacionalismo literário”, que paradoxalmente teve como iniciador um estrangeiro, vindo em segundo plano Almeida Garret, cuja contribuição Antonio Candido afirma vincular-se mais à “provável ação exerceu sobre os moços de Niterói”.


Mas Antonio Candido vai mais longe ainda para identificar “as raízes da crítica romântica” nacional, apontando como alicerces elementos da “então jovem teoria romântica”, nas obras de Schlegel, Chateaubriand, Madame de Staël e Sismondi, autores que os nossos românticos teriam “retomado”, seja diretamente ou por meio de comentadores / expositores, segundo o crítico “ainda não identificados pela pesquisa erudita”. Dentre esses autores, Candido destaca sobretudo Schlegel, “o mais importante e sistemático, do ponto de vista da história da crítica”, haja vista sua grande influência como “teórico e mentor do Romantismo alemão, espírito fino e vasto de erudito e poeta”, que definiu as características da estética da romântica. Além do teórico e poeta alemão, Candido ainda assinala a contribuição e Madame de Staël e Chateaubriand.  


Feito esse breve resumo, cabe ressaltar aqui, mais do que a densidade da pequena passagem da obra de Candido objeto deste comentário, a postura intelectual do crítico, seu compromisso com a objetividade e a clareza, ou a “paixão pelo concreto”, como alguém já assinalou, que passa longe das generalizações abstratas. Enfim, o texto revela, já no enunciado do primeiro parágrafo, esforço da compreensão dialética e o desejo de pôr as ideias em seus devidos lugares.


sexta-feira, 22 de maio de 2020




Mácio Alves de Medeiros




Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima







Mácio Alves de Medeiros [16-05-2020]

Edição: Itatiaia, 2000, VOL.2:
da      p.  pdf do visor: p. 610:  [início de subcapítulo] " A força do inconsciente" [...]
até  a p.  pdf do visor: p. 613:  [final do capítulo] [...]  "no universo do Romantismo".


A força do inconsciente

Na continuidade da apresentação da obra de Taunay, o escrutínio de Antonio Candido parece atenuar o crivo de sua crítica a esse autor, em razão da ênfase dada à força do inconsciente como campo de efusão da criatividade estética do escritor carioca do século XIX. Isso, porém, não impede o crítico de revelar em Taunay certos desvios de conduta estética, como, por exemplo, os “problemas de honra militar e o sentimento nacional”. Em contraponto a tais aspectos, o crítico destaca, de forma positiva, que o escritor, graças a vivências como a que experimentou com a índia Antonia, chega ao resultado estético da construção de uma personagem marcante como Inocência – o que revela na obra a importância das experiências vividas por Taunay longe do meio urbano. Disso resultaria uma boa representação do regionalismo romântico.


Assim, impulsos íntimos, menos conscientes, seriam o segredo do romance Inocência, tão enriquecido pela observação da paisagem: a sua experiência e interação com o sertão mato-grossense. Talvez fosse melhor dizer que a forte vocação de Taunay para o mundanismo seria contraposta pelo mecanismo que permitiria ao autor absorver suas experiências através do inconsciente. De fato, o aspecto do mundanismo é traço marcante no escritor, que, se tivesse se limitado a isso, suas melhores realizações  e intenções não teriam sido concretizadas, restando-lhe apenas o provincianismo revelado pela “banalidade dos adjetivos” ou o “teor rasteiro de um humorismo que tenciona ser fino”, por exemplo.


Além disso, a vocação para o mundanismo ganhou a contraposição de seu pendor para os problemas sociais – o que lhe propiciou uma faceta crítica mais significativa em sua obra. Todavia, para Candido, mesmo esse aspecto precisaria ter uma “elaboração conveniente”, de modo menos difuso. Afinal, fica a impressão de que Taunay não conseguiu ir muito além de Inocência, mas, assim mesmo, marcou seu lugar definitivamente no Romantismo. Foi fundamentalmente um romântico, apesar de espiar com simpatia os estilos adjacentes do realismo.




sexta-feira, 1 de maio de 2020





Laís Rocha de Lima




Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva







Laís Rocha de Lima   [02-05-2020]

Edição: Itatiaia, 2000, VOL.2:
da      p.  pdf do visor: p. 608:  "Taunay sentia muito" [...]
até  a p.  pdf do visor: p. 610:  [...]  "Ni vous sans moi, ni moi sans vous".

Consciente do impacto de sua formação no ofício, Taunay manteve “este culto sempre vivo de si mesmo”. Crescido sob a forte influência das artes plásticas – herança cultural ligada à sua família, ele também fortaleceu um senso de aprimoramento sobre as próprias obras, reconhecendo quais delas lhes proporcionariam vida eterna: “nutro a ambição de que hão de chegar à posteridade duas obras minhas, A Retirada da Laguna e Inocência”, apostou o escritor.

A formação do nacionalismo estético lhe estimulava a crer que Inocência seria referência nesta área, pois o nível de descrições às quais se dispôs a fazer para nutrir tal obra lhe pareciam “perfeitamente verdadeiras”, tendo em vista que ele se resguardava em suas impressões e lembranças para a construção das narrativas literárias. Buscando não desmerecer José de Alencar, Taunay tece uma comparação, evidenciando que seu colega não tinha apuração para apreciar a natureza brasileira como ele e consequentemente não haveria como desenvolver suas obras de maneira autêntica – “não lhe sentia a possança e a verdade”.

Taunay estipula que o “valor da obra dependia da autenticidade dos modelos”. Sendo assim, a busca constante destes personagens pautados em figuras reais e a apreciação/ exercício da descrição fotográfica dos cenários evidencia o compromisso do autor com a constituição da verossimilhança.

Entre o cenário reproduzido/ contexto criado pelo autor e as personagens estilizadas a partir de personalidades, engrandece Taunay um terceiro nível de consciência: a experiência em explorar suas impressões e memórias para a recomposição do “antigo drama da paixão contrariada, em toda a sua cega e, no caso, singela fatalidade”.



sábado, 18 de abril de 2020




Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva







Laís Rocha de Lima
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães






Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva [18-04-2020]

Edição: Itatiaia, 2000, VOL.2:
da      p.  pdf do visor: p. 606:              "3 A sensibilidade e o bom senso de Visconde de   
                                                            Taunay"[...]
até  a p.  pdf do visor: p. 608:  [...] "Távora enxergava na consciência regional."



Em Formação da Literatura Brasileira, Antonio Candido apresenta a sensibilidade e o bom senso de Visconde de Taunay, utilizando como exemplo a obra Inocência, resultante de dois elementos cruciais para a composição do estilo tauneano:  impressões de quando o autor era jovem; lembrança que conservou suas experiências.

Antes de se tornar o militar que transitava entre os dois mundos, a urbe e o sertão, ainda na infância, Taunay teve uma educação do olhar, aprimorada pela música e pelas artes plásticas, promovida pelo seu pai, tios e primos, amantes das artes e apreciadores do Visconde de Chateaubriand. Tal ambiente é propício para que ele se torne sensível às humanidades.

Candido destaca sua singularidade no período pré-romântico brasileiro não exatamente por cultuar um estilo mais burilado em intimismo para a criação de um mundo simbólico, mas por ser revestido de experiências por ele vividas, por isso reconhece a inovação desse recurso memorialístico para a época, tanto que o compara a dois outros escritores franceses que fizeram um longo excurso pelo Brasil. Não por acaso Taunay é mostrado como uma mistura de Ferdinand Denis, um viajante especialista em História do Brasil e de Charles Ribeyrolles, um jornalista exilado no período napoleônico. Certamente, por reunir e apresentar objetivamente detalhes do Brasil rural e seus problemas sociais, ainda que sob uma visão exótica.

Candido desnuda os bastidores da obra, trazendo elementos biográficos tão distintivos do estilo tauneano. Essa é a chave para ler a fortuna crítica do autor franco-brasileiro.

Anos depois, o pré-modernista Euclides da Cunha, também militar e escritor, trará em sua obra uma ressonância literária do estilo tauneano. Guardadas as semelhanças de serem períodos anteriores às estéticas literárias a caminho, o estilo euclidiano se despede das semelhanças ao abandonar o conservadorismo da forma, embora o sertão seja o ponto de partida para os dois universos literários.

quarta-feira, 15 de abril de 2020




Juliana Fernandes Ribeiro Dantas







Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas








Marcos Falchero Falleiros [04-04-2020]


Edição: Itatiaia, 2000, VOL.2:
da      p.  pdf do visor: p. 600:  "N’ O matuto" [...]
até  a p.  pdf do visor: p. 605:  [...]  "modismos anteriores".




Consequentemente, a obra de Franklin Távora se caracteriza pela irreverência intelectual e a repulsa ao superficial no enfoque histórico e fisionômico da região e na descrição dos comportamentos dos tipos humanos, incluindo uma feição extraliterária em sua fatura.

Sua imperícia o impediu de ser um grande escritor. Criticava Alencar, mas justamente o que lhe faltou foi o calor artístico e o estilo daquele para criar o mundo autônomo da literatura. Ainda assim, assimilou razoavelmente a técnica bifocal do fundador do romance histórico, Walter Scott, que temperava a verossimilhança articulando com personagem fictícia o contexto das personagens históricas. Pôde, portanto, compor, sob influência de Scott e de Alexandre Herculano, algumas cenas de qualidade, ao retratar, sobretudo em O matuto e Lourenço, o painel da ascensão das classes burguesas, comerciárias,  contra os latifundiários, na Guerra dos Mascates.

Foi reverenciada como sua obra-prima, já pelos críticos contemporâneos, a novela Casamento no arrabalde (1869), possível momento – único – de feliz inspiração, em que o autor, livre das imposições do romance histórico e da defesa de tese, apresenta costumes pernambucanos com encantadora singeleza. Mas posteriormente estragou a obra, procurando transformá-la sob viés naturalista num romance ambicioso, Sacrifício (1879): um fiasco literário com banhos lúbricos de D. João de fancaria e mulata permissiva –  pioneiro na voga das descrições de pernas mestiças.

Sua morte prematura e o tom melodramático de Sacrifício não confirmam sua adesão às fileiras naturalistas e deixam provas do quanto o Naturalismo se mostrou mais como continuação de modismos que ruptura abrupta. Impõe-se, assim, classificar Franklin Távora como romântico.

domingo, 22 de março de 2020





Joana Leopoldina de Melo Oliveira






Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
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Socorro Guterres de Souza
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Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
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Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
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Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira









Joana Leopoldina de Melo Oliveira [21-03-2020]


Edição: Itatiaia, 2000, VOL.2:
da      p.  pdf do visor: p. 598:  "Região e realidade" [...]
até  a p.  pdf do visor: p. 600:  [...]  "já avultada em seus dias".


No tópico Região e realidade, Antonio Candido ressalta que a virtude maior de Franklin Távora foi a de perceber a importância literária de um levantamento regional, sentindo o benefício corretivo da fantasia, que revigora a ficção graças ao contato com a realidade demarcada por espaço e tempo. Sendo assim, a regra seria o romancista conhecer e descrever a paisagem precisamente.


Segundo Antonio Candido, Távora censurava José de Alencar por não conhecer o cenário geográfico do seus livros, ao contrário dele, que não desprezava a pequena área que tão bem conhecia, como comprovam Casamento do arrebalde, O sacrifício, O cabeleira, O matuto e Lourenço. Nessas obras, percebe-se a paixão pela cana-de-açúcar não só como planta mas também como realidade econômica. Em O matuto, por exemplo, dedica um verdadeiro hino nostálgico à história da cana-de açúcar.


Antonio Candido percebe em Távora um modesto precursor de Gilberto Freyre, José Lins do Rêgo e Graciliano Ramos por seu discernimento da psicologia e do ambiente. O escritor procura também construir uma visão ideal da realidade, baseado na obra A ciência do Belo, dotando seus personagens com qualidades acima ou abaixo da norma, de modo a lhe permitir uma folga maior da imaginação.


Além disso, de acordo com o crítico, junta-se, à geografia, a história, como outro componente importante na estética de Franklin Távora. E assim, o escritor leva adiante o programa de literatura nortista juntando o senso ecológico ao da duração temporal. Por isso, para Candido, se ele vivesse um pouco mais talvez recorresse apenas à história, como sugerem dois livros inacabados sobre as revoluções pernambucanas.


Para Candido, as lacunas estéticas de Távora provêm de inexperiência e carência estética. Entretanto, reafirma a importância do escritor graças à percepção que teve da importância de sua realidade local. Para ele a região não era apenas motivo de contemplação, orgulho ou enlevo, mas um complexo de problemas sociais, dos quais se sobressaía a perda de sua hegemonia político-econômica.


sábado, 7 de março de 2020



Jackeline Rebouças Oliveira






Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo








 Jackeline Rebouças Oliveira [07-03-2020]


Edição: Itatiaia, 2000, VOL.2:
da      p.  pdf do visor: p. 596:  "2. O regionalismo como programa e critério estético:     
                                                            Franlin Távora" [...]
até  a p.  pdf do visor: p. 598:  [...]  "destruiu antes de morrer".




No tópico “O regionalismo como programa e critério estético: Franklin Távora”, Antonio Candido tece considerações a respeito da literatura regionalista, destacando que o sistema unitário de política, preservado por algumas circunstâncias, não impediu que a diversidade favorecesse o desenvolvimento da nossa cultura, pois a colonização aconteceu através de núcleos separados, com o desenvolvimento econômico e a evolução histórica ocorrendo de forma heterogênea – o que favoreceu o nascimento de culturas diferentes em cada região.


Para reforçar o seu argumento com relação à forma de colonização e ao surgimento da literatura regionalista, o autor aponta a visão do historiador Alfredo Ellis Jr. e de outros críticos. Segundo Candido, Ellis Jr. afirma que, desde a época de João Ribeiro e Handelmann, defendia-se a ideia de que havia várias colônias portuguesas na América. É nesse sentido que Viana Moog “procurou interpretar a nossa literatura em função do que chamou ilhas de culturas mais ou menos autônomas e diferenciadas”. Resumindo: a literatura tinha certas autonomias e diferenças, pois dependia da cultura local. Além disso, cada região tinha sua peculiaridade. Essas diferenças na cultura influenciavam os escritores.


Assim, o Nordeste se destacou por sua autonomia na geografia, na história e na cultura brasileiras, o que fez despertar o sentimento regionalista, como na Confederação do Equador, uma tentativa de dar expressão política  à diversidade. No entanto, não alcançou êxito, ao contrário da literatura e da oratória, que foram bem sucedidas, visto que procuravam exprimir sua consciência e dar estilo à sua cultura.


Na sequência, Candido destaca que o nacionalismo romântico, que retratava os feitos brasileiros, foi transformado em um regionalismo literário, ilustrado nos romances de Franklin Távora, primeiro romancista regionalista do Nordeste. A produção de Franklin Távora, assim, juntava-se à de seus antecedentes (Trajano Galvão, Juvenal Galeno e Alencar), tornando-se um programa quase culto, estimulado pelo contraste entre a decadência do Nordeste e a supremacia política do Sul.


Por fim, o autor cita os romances de Franklin Távora: Os índios do Jaguaribe (1862), de uma obra que a partir daí se mostra voltada à história e aos costumes pernambucanos: Um casamento no Arrabalde (1869), O cabeleira (1876), O matuto (1878), O sacrifício (1879), Lourenço (1881). Acrescentem-se dois trabalhos, um sobre a Guerra dos Mascates e outro sobre a Revolução de 1817 – desconhecidos, posto que destruídos pelo autor.