sábado, 10 de agosto de 2019




Marcos Falchero Falleiros






Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins





Marcos Falchero Falleiros [03-08-2019]





Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da      p. 259  – no visor da obra em pdf: p. 563:      "Com efeito, embora a presença”[...]
até  a p. 262  – no visor da obra em pdf: p. 566:   [...] "lamento e, ao mesmo tempo, medicina da alma opressa.”


A irregularidade da obra de Fagundes Varela é esmiuçada por Antonio Candido nos altos e baixos de sua poética e de seus recursos expressivos alcançados, que vão de uma “política rimada” de má qualidade a outras de fatura mais feliz, em meio às influências de poeta português ou de Álvares de Azevedo em tom casimiriano. Mas, a respeito de Vozes da América – ressalta em nota – ao contrário do que se divulga, a influência foi de Varela sobre Castro Alves, assim como, em contraste com sua discursividade excessiva, prenunciava um parnasianismo fin-de-siècle no caprichoso lavor de “esmaltada beleza”, em versos como os de “Ideal” (poema que mais tarde, musicado, tornou-se uma canção muito popular).  

O apogeu

Afinal, Cantos e fantasias atinge o ponto alto de sua obra (avaliação endossada por Manuel Bandeira – ver nota em FLB), quando a “música vareliana” alcança o frescor da fusão entre natureza e estados de alma. Destaca especialmente a “Ira de Saul”, que antecipa “A Hebreia” de Castro Alves, através da magia das evocações bíblicas à maneira de Byron ou de Vigny: o poema recebe de Antonio Candido a atenção de comentários detalhados e minuciosamente exemplificados (ver em FLB), como se o crítico suspendesse o andamento típico de análise geral de Formação da Literatura Brasileira e se detivesse no poema em razão de sua importância e força.

Encerra o subcapítulo, assinalando que a “Ira de Saul”, assim como o trecho de sua fonte bíblica, Livro de Samuel, ganham o sentido de um canto sobre o milagre da poesia, cuja importância se mostra, mais que em seus aspectos técnicos, na força do lamento que se faz medicina da alma opressa.

segunda-feira, 8 de julho de 2019






Peterson Martins





Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna





Peterson Martins [29-06-2019]





Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da      p. 257   – no visor da obra em pdf: p. 561:  [título]  "2 Transição de Fagundes                                                    Varela”[...]                                                                    
até  a p. 259   – no visor da obra em pdf: p. 563:   [...] "soberano e final de Castro Alves.”



[LIRISMO-SÍNTESE DE FAGUNDES VARELA]

Nesse tópico, continuamos no desenvolvimento do capítulo “A expansão do lirismo” em que Candido observa os diversos aspectos da heterogênea lírica romântica que contribuíram, sobremaneira, com a lírica contemporânea. 

Segundo Candido, Fagundes Varela não teria, a princípio, traços de genialidade, pois retoma algumas fórmulas (inclusive, no aspecto formal de seus versos e temas) adotados por Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo, entre outros.  Nesse texto, aponta que a contribuição de Varela seria mais na transição dos aspectos estéticos do spleen byroniano para o tom épico social da geração condoreira. No entanto, observa que seria injusto considerá-lo um poeta menor sem ressaltar a contribuição de uma “equação pessoal”.

Em outro texto de Candido (Iniciação à Literatura Brasileira), essa contribuição de Varela se torna mais explícita, pois aponta que o poeta antecipa a oposição entre o campo e a cidade em seus versos, além de desenvolver o que Candido denominou de “patriotismo continental” – a consciência de ser americano e da importância da América. Embora ainda tenhamos uma forte marca ufanista, é um dos primeiros a apontar a presença da “escravidão” como um elemento contraditório ao desenvolvimento do continente e que precisava ser superado.

Já Massaud Moisés é mais ousado: em sua obra História da Literatura Brasileira, chega a especificar que “Fagundes Varela é uma espécie de súmula da nossa poesia romântica: nele se encontra desde o lirismo à Gonçalves Dias e Casimiro de Abreu até o condoreirismo à Castro Alves, passando pela poesia religiosa e da natureza, em que foi mestre”.  No entanto, aponta (tal como Candido) que não apresentou êxito em todas as suas composições, refletindo que Varela  “às vezes assume cariz de gênio, às vezes se rebaixa ao nível de mero versejador”.  Além disso, Massaud Moisés aponta que, no lirismo de Varela, temos um desenvolvimento não-linear (aleatório), tendo a poesia religiosa (ou metafísica) e da natureza como centrais, enquanto as demais modalidades seriam “satélites” dessas duas.

Pergunto-me,  se essa pecha de  “versejador copista” que, por muito tempo serviu para eclipsar o real valor da lírica de Fagundes Varela não foi consequência de um determinante estético que outorgava, na época, o valor de um poeta – pois, no séc. XIX, a qualidade artística estava muito mais relacionada ao domínio da forma – isso fica claro quando José Veríssimo em sua obra História da Literatura Brasileira aponta que se preferia mais

a forma, mormente a forma eloquente, oratória, a ênfase, ainda o “palavrão”, as imagens vistosas, aquelas sobre todas, que por seu exagero, sua desconformidade, sua materialidade, mais impressionam o nosso espírito, de nenhum modo ático. 

Ainda, nessa mesma obra, Veríssimo reflete que a “ingenuidade juvenil” do “eu-lírico” desenvolvida inicialmente, na lírica brasileira, por Fagundes Varela, teria sido uma de suas grandes contribuições, pois considerava que essa característica seria uma “virtude cardeal dos maiores poetas anglo-germânicos”.

Assim, percebe-se que, embora Antonio Candido e Massaud Moises tenham se esforçado em resgatar o valor da lírica de Fagundes Varela (inclusive, apontando-o como poeta-síntese da “Lírica Romântica Brasileira”) a má interpretação da crítica isenta desses autores relegou-o a uma certa “eclipse” da abordagem e análise de sua obra nos livros didáticos de literatura do Ensino Médio (e, consequentemente, tornando-o um  autor pouco visto nas aulas de literatura).


sábado, 15 de junho de 2019






Socorro Guterres de Souza







Massimo Pinna
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa




Socorro Guterres de Souza [15-06-2019]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da      p. 253   – no visor da obra em pdf: p.  556   : "Mais ou menos pelo mesmo tempo,
                                                                                   Tobias”[...]
até  a p. 256   –  no visor da obra em pdf: p. 560:   [...] "Cópia servil dos homens."



Ao discorrer sobre as novas direções na poesia, Candido ressalta o condoreirismo de Tobias Barreto, em voo alto por renovação da sociedade brasileira, cujos versos vieram difundir um novo tom: “Assopras nas grandes tubas, Que despertam as nações; Eriçam-se as férreas jubas, Uivam as revoluções...”

A fase final do Romantismo, afirma Candido, se desenvolve num “tumultuoso decênio de sonoridades e melopeias, num cruzamento do verso com a ênfase do discurso”, fato que vai encontrar expressão principal na poesia abolicionista, cantada por quase todos os poetas da geração, embora apenas Castro Alves a tenha elevado à categoria de grandeza.

Ao ribombar da poesia social e heroica, Candido dispõe num grupo os poetas sentimentais, que Varela chefiaria, e noutro grupo, aqueles com “preferência marcada pela energia da dicção e a seiva ardente do sentimento”, com Castro Alves à frente.

Candido expõe ainda a “falta de originalidade” nas poesias da fase romântica de Machado de Assis. “São bem penteadas e não fazem feio”. Nessa primeira fase, Candido destaca a Lira Chinesa, “traduções onde o caráter direto e concreto da poesia oriental” permitiram ao poeta uma forma adequada à serenidade dos temas, o que pode ser contemplado nos versos de “O Poeta a Rir”:

Taça d’água parece o lago ameno;
Têm os bambus a forma de cabanas,
Que as árvores em flor, mais altas, cobrem
      Com verdejantes tetos.

As pontiagudas rochas sobre flores,
Dos pagodes o grave aspecto ostentam...
Faz-me rir ver-te assim, ó natureza,
     Cópia servil dos homens.




sexta-feira, 31 de maio de 2019





Maria Aparecida da Costa






Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari




Maria Aparecida da Costa [01-06-2019]

Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da      p. 250   – no visor da obra em pdf: p.  554   : "Consequentemente, surgem na
                                                                                     poesia”[...]
até  a p. 253   –  no visor da obra em pdf: p. 556:   [...] "que parece ter impressionado
                                                                                  toda uma geração."


Na segunda metade do século XIX, a poesia participante vai ganhar fôlego no Brasil a partir das empreitadas de Castro Alves e dos não tão robustos João Júlio dos Santos e Rozendo Moniz Barreto. Esses poetas, juntamente com outros contemporâneos, vão cantar em seus poemas, para além das dores da alma e do tédio infantilizado, a democracia e a liberdade de um povo.


Com expressiva influência dos escritores europeus, sobretudo franceses, vai haver, por exemplo, uma reformulação do conceito de povo e atenção ao tema da democracia, “a expressão povo-rei, [...] assume o sentido de povo soberano, povo com fonte de soberania[...]”. Como postula Antonio Candido, se essa poesia com tom participante não apareceu antes do decênio de 1860 no Brasil, não foi por falta de acontecimentos externos/históricos, foi simplesmente pelo fato de não haver “amadurecimento interno” e coragem dos poetas de se desprenderem do neoclassicismo.


Isso vai acontecer, a princípio, pela influência de escritores como Victor Hugo, que imprime em seus textos os gritos da rua provenientes do contexto revolucionário francês. Aqui no Brasil, seu leitor contumaz, Castro Alves é um dos maiores representante desse poesia em seu tempo.


Com isso, o continente começa ter a atenção dos poetas mais maduros, elegendo o povo, a democracia e a liberdade como protagonistas. Saem da cena principal os lamentos e dores d’alma para que de dê lugar a um outro tipo de canto – o que evoca a liberdade, conforme exulta Castro Alves no poema “O século”: “Que este mar de almas e peitos, /Com as vagas de seus direitos, /Virá partir-vos a lei”. Assim foi dado o impulso para a poesia participante ou “engajada” no Brasil.

sábado, 18 de maio de 2019






Marcos Falchero Falleiros






Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcus Vinicius Mazzari









Marcos Falchero Falleiros [18-05-2019]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da        p. 249    – no visor da obra em pdf: p.  553 : "Poesia participante [subtítulo]”[...]
até  a p. 250  – no visor da obra em pdf: p. 554:   [...] "documento mais alto e duradouro."


Poesia participante

Antonio Candido inicia o subtítulo “Poesia participante” com a riqueza usual de formulações que evidenciam e ensinam perspicácia crítica. Assim, com “rompante da poesia política e humanitária” e “ecúmeno literário”, o autor situa os anos de 1860 como superação de práticas deletérias em que a balbuciante poesia brasileira havia permanecido no período precedente.


A eclosão da poesia participante, que chega à culminância de Castro Alves, não pode, entretanto, ser explicada meramente pelo agitado contexto político do decênio, que viveu dramáticos conflitos diplomáticos com o Império Britântico, guerra no Paraguai, abolicionismo, a fundação do Partido Republicano. Pois no período anterior, desde a Independência, um teor histórico mais denso não produziu politicamente senão inanidades poéticas. Com isso, o crítico adverte para o equívoco de uma leitura mecanicista entre causa histórica e efeito literário. Ou seja: entre 1820 e 1850, apesar dos densos estímulos externos da história brasileira, não havia preparo para uma produção artística mais vigorosa, que ainda estava presa ao neoclassicismo e, quando não, à vibração romântica da história universal ou de nosso passado lendário.


A partir de 1860, porém, o amadurecimento intelectual daqueles aspectos ”internos” [estéticos], também amamentado pelos arrancos democráticos europeus, a que deram expressão obras como a de Victor Hugo, levou a oratória de salão às sacadas, praças e ruas, num tom que desdobrou sua presença até nossos dias, com sua evolução no jornalismo substituindo o pasquim difamador pela veemência política da imprensa de maior porte.


Daí o caldo de cultura que unificou poesia e oratória, poeta e tribuno, jornal e manifesto, aglomerando poetas, demagogos, discurseiras, passeatas, numa “vibração liberal, humanitária e patriótica”, de que Castro Alves foi a maior expressão.



domingo, 5 de maio de 2019






Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva







Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro








Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva [04-05-2019]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da      p. 247    – no visor da obra em pdf: p. 551: "Capítulo VI  A expansão do lirismo/ 1
                                                                            Novas  direções da poesia””[...]
até  a p. 249   –  no visor da obra em pdf: p. 552:   [...] "A mão do rico te apertar tão      
                                                                            fria. /(Cândido José Fereira Leal) "    



No tópico "Novas direções da poesia", Candido principia a análise sobre a produção dos poetas da terceira geração romântica. Assinala que esses poetas recebem o benefício de uma tradição literária, conforme se pode perceber nas epígrafes dos poemas elaborados na terceira fase do Romantismo. Além dos benefícios, também herdam os defeitos da geração anterior: idealismo extremado, exibicionismo, abuso de cadência musical. Apesar disso, os dois poetas de destaque do momento (Fagundes Varela e Castro Alves) conseguem superar o legado da geração anterior.


Candido observa que a poesia romântica no decênio de 1860 se perdeu em meio à prática do recitativo. Pois tendo a necessidade de priorizar a musicalidade (melodia e rima interna), o poema muitas vezes ficava esvaziado no aspecto conteudístico. Candido encerra o tópico com a citação de estrofes que apresentam a tendência do "perdão erótico", “minh’alma é triste” ou “quero morrer”, ciclos muito utilizados nos recitativos.


sexta-feira, 19 de abril de 2019








Marcela Ribeiro







Marcel Lúcio Matias Ribeiro Saraiva
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Terezinha Marta de Paula Peres
Thayane de Araújo Morais

Adriana Vieira de Sena
Afonso Henrique Fávero
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Bethânia Lima Silva
Edlena da Silva Pinheiro
Eldio Pinto da Silva
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Érika Bezerra Cruz de Macedo
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Alessandra Rodrigues de Paiva
Laís Rocha de Lima
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues








Marcela Ribeiro  [20-04-2019]


Edição: Martins, 1971, VOL.2:
da     p. 242  –   no visor da obra em pdf: p. 548: "A escrava Isaura” [subtítulo] / Outro
                                                                                      grave  problema”[...]
até  a p. 244   – no visor da obra em pdf:  p. 549  [...] "relegou para a sombra. "



Como último subtítulo do capítulo dedicado a Bernardo Guimarães, Candido explana sobre os dois livros desse autor que abordam o tema abolicionista: A escrava Isaura e Rosaura, a enjeitada. O crítico afirma ser A escrava Isaura o mais popular de seus livros, porém não seria sua obra-prima, pois nele o autor foge ao estilo conversa de rancho, cunhado em suas obras anteriores.


Apontando Guimarães como fraco de imaginação, porém rico em observação, Candido nomeia-o como contador de casos, aquele responsável por dar a conhecer o que viu e ouviu e registrar as histórias de um povo em suas obras, produzindo romances fortes no regionalismo e no naturismo, descrevendo as paisagens do Brasil central, ao sul de Goiás e norte de Minas Gerais.


No entanto, ao enveredar por um tema social, o escritor saiu de sua zona de conforto, expondo seus defeitos e fraquezas. O tema abolicionista, quase panfletário, é o responsável por alçar o livro à posição de obra consagrada do autor e o insere como importante representante do estilo de sua época.


No entanto, a força da tese, que deu ao livro tal poder para comoção popular, também é apontada por Candido como causa de sua falha, pois seria ele responsável por enfraquecer a história e torná-la apenas pretexto em redor da causa social.


Geograficamente, Guimarães também se distanciou de seu universo comum: saiu do Brasil central (Goiás e Minas) para se aventurar em São Paulo e Recife, enfraquecendo seu poder de descrição da natureza, primordial para o Romantismo e inigualável em suas obras anteriores. O rancho dá vez a cidade, e o contador de casos ao escritor engajado socialmente, mesmo que deficitário.


Para Candido, na obra Rosaura, a enjeitada, o autor consegue alinhar seu estilo rancheiro ao tema social da abolição, porém, não alcança a dramaticidade d’A escrava Isaura, já gravada no imaginário popular.


Assim, pode-se dizer que a aventura empreendida pelo caipira em trajes de cerimônia tornou-se bem sucedida, pois firmou o nome de Bernardo Guimarães na história literária brasileira, relevando suas notáveis falhas em nome da força da aclamação popular pelo tema social abordado com dramaticidade irrevogável.