domingo, 25 de agosto de 2013

Kalina Naro Guimarães




Kalina Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas








Kalina Naro Guimarães   [17-8-2013]


Edição: Martins 1971:

da p.308:   “ Como se sabe Silvio Romero procurou discernir”[...]
até a p. 310:  [...] “liberta da imitação servil dos clássicos e atenta às sugestões     
                                                                                                                 locais.31


Antonio Candido inicia seu texto comentando a tentativa de Sílvio Romero de distinguir prenúncios do Romantismo anteriores ao grupo da Niterói. Para tanto, Romero indica, nos poetas mineiros e nos estudantes de Olinda e São Paulo, sinais da nova sensibilidade e consciência literária, fixando-se, mais tarde, na figura de Maciel Monteiro. Contudo, é nos escritos dos irmãos Queirogas que são encontrados, segundo Manuel Bandeira, indícios de um lirismo brasileiro, embora estes sejam insuficientes para animar um movimento. Isso só foi possível, na avaliação de Bandeira e com a qual concorda Candido, através da influência de Gonçalves de Magalhães, que sonhou com “um lirismo de alta envergadura, a um tempo brasileiro e universal”. Apesar de poeta medíocre, o ideário de Magalhães frutificou, a partir de seu exemplo, na consciência dos mais jovens, ficando às gerações românticas seguintes o cargo de produzir um lirismo de expressão nacional e mais próxima dos sentimentos universais.


Reconhecendo serem Magalhães e o grupo da Niterói os primeiros a acordar a consciência romântica, Candido acrescenta que, segundo Haroldo Paranhos cuja posição era compartilhada também por Sílvio Romero, as Academias de Direito de São Paulo e Olinda constituíram espaços onde foram prenunciados temas, formas e perspectivas do romantismo brasileiro.


Contudo, se não parece correto que houve um prenúncio romântico na Academia de Olinda, em São Paulo, entretanto, a Sociedade Filomática, agrupamento literário que reunia alunos e professores, deu sinal de algo novo, apesar de a revista ter publicado apenas dois ou três números. Destacam-se as figuras de Francisco Bernardino Ribeiro, Justiniano José da Rocha, Antonio Augusto Queiroga e José Salomé Queiroga, cujos versos, ainda que pouco expressivos, foram os mais fecundos deste grupo.


No plano crítico, duas posições dissonantes marcaram a ambivalência do grupo, conforme Candido. De um lado, Bernardino obedeceu ao apelo do nacionalismo, rejeitando o português colonizador, a tal ponto que, para não reconhecer a novidade romântica de um Garrett, o autor não só aconselha a imitação dos ingleses e franceses como também adere à tradição clássica. Por outro lado, Justiniano Rocha, no Ensaio crítico sobre a Coleção de Poesias do Sr. D. J. G. Magalhães, defendeu a perspectiva de Garret, constituindo-se, segundo José Aderaldo de Castelo, num possível precursor das ideias românticas no Brasil, ao atentar para a necessidade de uma literatura nacional cuja forma incorporasse a atmosfera local, desvencilhando-se da imitação dos clássicos.

 




terça-feira, 9 de julho de 2013



Juliana Fernandes Ribeiro Dantas



Kalina Naro Guimarães
Kalina Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Paulo Caldas Neto
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira






Juliana Fernandes Ribeiro Dantas    [15-6-2013]
Edição: Martins, 1971:
da p. 305: “ Há portanto um encontro de ideias entre Garrett e Denis;” [...]
até a p. 307: [...] [final do capítulo] “ com a exceção, não de autor, mas de uma ou outra peça.”


Desse encontro de ideias Candido nos diz que nasceu uma birra entre os dois estudiosos, no entanto, o que importa é a contribuição oferecida pelos dois para as bases da teoria literária do nosso recém-nascido Romantismo, para a qual alguns outros viajantes estrangeiros também prestaram tributos. Entre eles destaca-se o alemão Schlichthorst que publicou no ano de 1829, em sua língua materna, o livro O Rio de Janeiro como é (apenas em 1943 temos a publicação em português).

Para Candido, o alemão nos deu um dos livros mais interessantes sobre o Brasil, citando que as qualidades do brasileiro, se bem trabalhadas pela educação, poderiam produzir grandes poetas. Coadunando-se com Almeida Garret e Ferdinand Denis, Schlichthorst oferece o que interessa a Candido verificar: a noção da existência de uma continuidade literária no Brasil e a formulação de princípios que deveriam caracterizar as novas tentativas literárias. Também é rica a contribuição dada por Gavet e Boucher em 1830.

Já nesse tempo surge uma voz brasileira para conclamar nossa literatura: com o Parnaso brasileiro, Januário da Cunha Barbosa pretende apresentar aos novos a poesia dos antigos, de forma didática e nacionalista, tendo sido publicado entre 1829 e 1832. Candido classifica como a primeira iniciativa brasileira de apanhar as deixas dos estrangeiros.

Como um mecenas, Januário deu continuidade aos seus planos de incitar a mocidade, promovendo iniciativas culturais e patrocinando a literatura , utilizando-se da posição de promotor de independência e orador. Seus esforços resultaram na fundação do Instituto Histórico e Geográfico, órgão consagrador dos escritores da primeira fase do Romantismo.

Para finalizar o capítulo e dando a deixa para o próximo, Candido nos fala no limbo poético: o aparecimento de jovens escritores respondendo ao chamado para construir uma literatura renovada e nacional, seus poemas aproximando-se da simplicidade popular. De um lado alguns que ainda seguiam a forma clássica, mas que aderiam ao conteúdo nacionalista e de outro os que timidamente iniciavam o romantismo. Assim se formou um grupo contraditório, do qual não se salvava um representante, mas sim alguns escritos.



segunda-feira, 3 de junho de 2013




Joana Leopoldina de Melo Oliveira



Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira






Joana Leopoldina de Melo Oliveira    [1-6-2013]



Edição: Martins, 1971:
da     p. 303:      “ 4. INDEPENDÊNCIA LITERÁRIA / / No ponto a que chegamos o   
                              Romantismo começa a” [...]
até a p. 305:       [...]  “aproveitamento, como tema, tanto do índio quanto dos
                              primeiros colonos.18


4. INDEPENDÊNCIA LITERÁRIA

Nesse tópico Antonio Candido fala sobre o início do processo de definição de uma literatura independente no Brasil, uma literatura que exprime do seu modo os temas, os problemas e os sentimentos da nação. No país, o marco inicial do nacionalismo literário romântico aconteceu com o grupo de Niterói.


Antonio Candido já antecipa o que será posteriormente comentado dizendo que o Romantismo no Brasil foi um processo de tomada de consciência nacional, ligado ao movimento de independência. Ele imagina que o processo de elaboração dessa nova fase literária foi formulado da seguinte forma: “1) O Brasil tem uma tradição literária própria; 2) há nela elementos próprios que é preciso desenvolver; 3) a consequência será a formação de uma literatura nova, baseada em formas e sentimentos renovados, adequados a um país jovem que se afirmou na libertação política.” Entretanto, as coisas na prática não aconteceram com essa clareza, pois havia ainda defensores do passado e outros defensores de mudanças, mas sem interesse pela autonomia literária.


Por fim, Antonio Candido fala de dois estrangeiros que, a partir de 1826, começaram a perceber a necessidade de uma literatura brasileira que falasse de temas locais. O primeiro foi Almeida Garret, em 1826, que ao traçar um panorama evolutivo da literatura portuguesa, formula a ideia de que os brasileiros deveriam escrever seguindo as sugestões da terra, trocando a mitologia pela realidade local. Já Ferdinand Denis foi além e lançou as bases teóricas do nacionalismo romântico, iniciando modestamente a história da literatura brasileira. Mas, para que essa literatura realmente se constituísse, Ferdinand acreditava que era necessário desenvolver os aspectos nacionais, rejeitando a mitologia greco-latina, que não correspondia à do Novo Mundo, sugerindo, em seu lugar, o aproveitamento do índio como tema.




segunda-feira, 20 de maio de 2013


Jackeline Rebouças Oliveira




Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis








Jackeline Rebouças Oliveira    [18-5-2013]

Edição: Martins, 1971:
da     p. 299:      “ Em Monte Alterne, um grande número de sermões se suspendem”
[...]
até a p. 302:       [final do capítulo][...]  “ graças ao qual se reputava mestre, profeta e
guia mental da jovem pátria.”


Dando continuidade às discussões sobre Frei Francisco de Monte Alverne, o que se pode dizer a respeito é que ele se destacou pelo fato de ter influenciado a primeira geração romântica, com um tipo de discurso que influiria a expressão e o ritmo romântico, além de ter sido um orador que introduziu um sentimento religioso para além da religiosidade tradicional. Segundo as observações de Antonio Candido, nos sermões desse franciscano observa-se que a ênfase recai sobre o “eu”, ou seja, sobre o próprio orador, ponto totalmente diferente da oratória tradicional,  um gênero em que  prevalecia o foco na religiosidade e o orador ficava à margem. O crítico afirma que Chateaubriand influenciou muito o estilo de escrita de Monte Alverne, sendo presença constante no espírito dos sermões, nos temas e na forma. Candido também indica que ele se aproxima bastante do estilo de discurso de São Francisco de São Carlos.


Ainda com relação ao estilo de oratória desse grande franciscano, diz que em Monte Alverne um grande número de sermões fica suspenso no vácuo, sendo sustentados por palavras lançadas sem seguir uma lógica, e a multiplicidade de imagens e conceitos acaba tornando seus sermões bastante prolixos, transformando-os por consequência em grandes perífrases. A técnica utilizada por Alverne é ampliadora e lactante, tendo como aliada a embriaguez verbal, comparável a um Chateubriand irregular e palavroso.


Para justificar o sucesso desse frei, Antonio Candido mostra a importância da junção de três pontos que foram decisivos para romantismo nascente, sendo eles: o exemplo do verbo literário a serviço da pátria, da religião e do eu. Esses pontos serviram de exemplos para gerações formadas depois da independência. A imagem que apresenta de Monte Alverne é a de um homem querido pelo povo brasileiro, efeito do seu tipo de oratória, que associava a imagem a uma grande quantidade de conceitos, além de inserir nos sermões temas históricos.


Por fim, Candido informa que em 1836, o frei, já cego, recolheu-se ao convento, voltando a pregar somente em 1854, ano que produziu o seu famoso sermão, o "2º panegírico de São Pedro de Alcântara", reconhecido pelos contemporâneos e pósteros como sua obra-prima. Com relação a essa obra-prima, Antonio Candido afirma que o compositor escolheu nas obras anteriores o que para ele parecia pertinente e criou um novo discurso. Esse novo discurso tinha um efeito de minucioso compêndio dos seus temas, imagens, palavras e recursos, além de retomar o início do "2º sermão do Santíssimo Sacramento". Foi assim que o orador ressuscitou sua própria esperança na vida, voltando a ter os aplausos de que há muito tempo sentia falta, consagrado na  condição que sempre aspirou ter: a de figura dominante na literatura.





sábado, 4 de maio de 2013


Giorgio de Marchis





Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti







Giorgio de Marchis    [4-5-2013]



Edição: Martins, 1971:
da     p. 296:      “O leitor de Chateaubriand percebe logo quanto lhe deve Monte
                                                                                                                        Alverne” [...]
até a p. 299:       [...]        "Que no céu rugindo passa.
                                           Hiena que despedaça
                                           Minha mais bela ilusão!”





Formação da Literatura Brasileira nos apresenta um Frei Francisco do Monte Alverne que muito deve a Chateaubriand e também como o autor que primeiro difunde no Brasil uma atitude romântica perante a religião. Deste ponto de vista, extremamente interessante é a análise de Candido das Obras oratórias deste franciscano brasileiro. Nos sermões do autor, a religião se transfigura, através do filtro dum poderosíssimo e incontornável eu, numa aventura pessoal que leva o sentimento religioso à dimensão bem mais vaga, inapreensível e, portanto, romântica da religiosidade.

Apesar da grande unidade de estilo e de temáticas – provavelmente possível graças à revisão dos textos realizada pelo autor, em vista da sua publicação por volta de 1850 – o que predomina nestes textos, segundo Candido, é a acumulação de imagens e conceitos, que aproxima o leitor (ou o ouvinte) ao objeto, sem levar esse mesmo leitor (ou ouvinte) até lá. Recusa deliberada, em suma, de qualquer progressão lógica e linear, sem possibilidade alguma de síntese ou de coerentes conclusões.

Candido, depois de comparar o estilo de Monte Alverne à oratória da época (Januário da Cunha Barbosa) e a inevitáveis modelos do passado (Antônio Vieira), considerando uma possível afinidade com outro orador contemporâneo (Francisco de São Carlos), pergunta-se se não haveria no Brasil daqueles anos uma linha franciscana da oratória poética, evocativa mais do que didática, sedutora mais do que esclarecedora, e, sobretudo, caraterizada por uma desconfiança em relação às possibilidades da palavra.

Como leitor estrangeiro, ao me debruçar sobre um autor como Monte Alverne, pergunto-me se mais do que a dívida para com Chateaubriand não terá maior interesse esta dúvida em relação às possibilidades da palavra. Num Pré-Romantismo que – como noutros contextos periféricos ou semiperiféricos (Itália e Portugal, por exemplo) – interpretava a modernidade através de moldes inteiramente dependentes do pensamento iluminista e, no âmbito mais amplo dum Romantismo prevalentemente interpretado como contribuição cívica e racional do poeta à construção da Nação, não será a oratória de frei Francisco do Monte Alverne uma das poucas frestas através das quais a sensibilidade do eu apaga o Mundo e a emoção romanticamente abafa a lógica linear da razão? Como qualquer leitor de Antonio Candido sabe, longe dos países centrais, a filiação dos textos talvez seja menos interessante que a relação com o seu contexto.

segunda-feira, 22 de abril de 2013




Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti




Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva
Elizabete Maria Álvares dos Santos






Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti  [20-4-2013]


Edição: Martins, 1971:
da     p. 294:      “Esse individualismo é nítido na sua própria concepção da vida  
                                                                                                                         religiosa” [...]
até a p. 296:       [...] “contra a qual não podem prevalecer as mais fortes prevenções’
                                                                 (“Sermão da Fundação da Ordem do Cruzeiro”).”


O trecho de FLB  escolhido para leitura corresponde à parte das páginas dedicadas por Antonio Candido a Frei Francisco do Monte Alverne, e por sua vez parte do capítulo Resquícios e prenúncios, cujo objeto são os pré-românticos.


O autor de FLB segue uma trilha, indicada por Gonçalves de Magalhães, contemporâneo do orador franciscano, que aponta o autor de tantos sermões e panegíricos como precursor de atitudes mentais românticas; estas, por sua vez, moldadas pela obra e pela imagem que Chateaubriand difundiu de si mesmo no ocidente: o gênio ou o eu tomado pela flama da genialidade se alça a guia dos povos e das massas. Patriótico, construtivo e ordeiro, trata-se de um romantismo benquisto e muito distante do desregramento de Nerval – e ainda assim, romantismo, pois do mesmo modo assegura à expressão do indivíduo o centro do mundo.


A partir da análise filológica de trechos, Monte Alverne é apresentado na FLB como um talentoso homem de letras que moldou um cristianismo de feição heroica, fundamentado na experiência pessoal passível de generalizar-se por graça do fenômeno do contágio. Assim, seria vinculada a uma corrente de motivações seculares a concepção de religião, ou religiosidade, de Monte Alverne: "... um conceito bastante romântico de religião, como harmonia, mistério, exaltação, - acrescentando à devoção um elemento mais flexível e gratuito, quase uma atitude estética".


Lendo um trecho como esse, o estudioso de literatura de coração formado pelo materialismo parece não ter onde fincar o pé. O jeito é ter em mente que Antonio Candido está interessado em colocar ordem nas ideias. A concepção de mundo católica combinou-se de muitos modos com formas literárias e artísticas ao longo dos vinte últimos séculos – para mencionar exemplos próximos, Pier Paolo Pasolini e Murilo Mendes expressaram aquela concepção via formas modernistas de poesia e do universo fílmico lapidado pelo Neorrealismo italiano. E certamente, mesmo que haja muitos pontos de confluência, ambos não se identificam plenamente, assim como não se identificam em tudo com outros artistas portadores da visão cristã, como Dante. É a análise filológica, à maneira de Spitzer, ou das imagens, à Panofski, que dá a última palavra sobre essas identidades, confluências e diferenças – portanto, um método materialista de lidar com a presença ou ausência de Deus no universo literário. A cosmovisão do artista pode ou não incluir o dado metafísico, o método do crítico e do historiador, sob pena de fazer o concreto sensível dissolver-se no inefável, necessita ater-se à forma, ao contexto histórico e aos mil desdobramentos de ambos. É essa distinção que permite Antonio Candido fazer vínculos ousados, como a visão do mundo de Monte Alverne e a expressa na literatura medieval denominada de cavalaria.

quinta-feira, 11 de abril de 2013


Elizabete Maria Álvares dos Santos





Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa
Eldio Pinto da Silva





Elizabete Maria Álvares dos Santos  [6-4-2013]

Edição: Martins, 1971:
da     p. 292:      “É interessante que, depois dessa junção do poeta com o oceano,” [...]
até a p. 294:       [...]  “ como servidor do culto do eu, do individualismo característico
                                        das tendências românticas.”



Dando continuidade às observações  sobre Borges de Barros, Candido ressalta que “em Borges de Barros, as premonições românticas podem ser observadas num grupo de poemas escritos no mar, entre 1810 e 1813”.  É nesse período “marítimo” que se encontra a verdadeira poesia de Borges, considerada pelo crítico como sendo de fase intermediária.  Candido  encaixa essa fase do poeta mediano entre o “ Arcadismo elegante” e o “poemeto de 1825 – Os Túmulos”.


O resultado desse poema foi desastroso, tendo sido visto pela crítica, como: “um poema  fúnebre extremamente medíocre, inferior a tudo que fizera, um enfadonho desabafo sentimental pela morte do filho menino...”.


Ainda com relação à poesia de Borges, Candido afirma que a mesma é “rasteira ou irritantemente desigual”, pelo fato de o próprio Borges não saber ordenar e aflorar seu próprio dom pré-romântico. Diz, ainda, que o poeta mediano produziu não pelo seu amadurecimento intelectual, mas tão somente pelo seu temperamento, mantendo-se assim abafado no anonimato até 1945.


Ao contrário desse anonimato de Borges, Candido enaltece Frei Francisco do Monte Alverne como sendo um religioso de “vocação declarada e imperiosa para as letras e uma das grandes confessadas influências da primeira geração romântica, fascinando o Rio de Janeiro entre 1816 e 1860”.


Essa maestria de Monte Alverne, bem observada por Candido, se deve a duas razões principais: à prática da oratória com efeito na expressão e ritmo da prosa romântica e também à introdução do sentimento religioso para além da devoção tradicional, como estado de alma.


Na poesia de Alverne, o culto do próprio eu e a necessidade de torná-lo público são características presentes. Segundo Candido, visto de hoje, “ o belo e majestoso franciscano das descrições contemporâneas surge como servidor do culto do eu, do individualismo característico das tendências românticas”.

           




sábado, 23 de março de 2013



Eldio Pinto da Silva




Elizabete Maria Álvares dos Santos
Francisco Roberto Papaterra Limongi Mariutti
Giorgio de Marchis
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Juliana Fernandes Ribeiro Dantas
Kalina Naro Guimarães
Kalina Paiva
Laís Rocha de Lima
Lígia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Manoel Freire Rodrigues
Marcela Ribeiro
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Marcus Vinicius Mazzari
Maria Aparecida da Costa Gonçalves Ferreira
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Maria Valeska Rocha da Silva
Massimo Pinna
Mona Lisa Bezerra Teixeira
Peterson Martins 
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Rousiêne Gonçalves
Thayane de Araújo Morais
Terezinha Marta de Paula Peres
Valeska Limeira Azevedo Gomes

Afonso Henrique Fávero
Andrey Pereira de Oliveira
Antônio Fernandes de Medeiros Jr 
Arandi Robson Martins Câmara 
Bethânia Lima Silva
Daniel de Hollanda Cavalcanti Piñeiro
Edlena da Silva Pinheiro
Eide Justino Costa





Eldio Pinto da Silva   [23-3-2013]


Edição: Martins, 1971:
da     p. 290:      “Não espanta, pois, haver produzido em 1814” [...]
até a p. 292:       [...]  “ Meu peito em ânsias
                                           imita undoso.
                                           (“Cançoneta”)   ”




Antonio Candido continua na reflexão sobre a obra de Borges Barros, analisando o texto produzido em 1814 (A flor saudade). Candido observa que o texto de Borges de Barros já apresenta características do “Romantismo brasileiro inicial”. As observações são evidentes quanto a um momento de transição, de transformação literária, mas dentro do que Candido chama de “posição extrema do Arcadismo”.


O trecho apresenta versos que ressaltam a saudade, a dualidade entre alegria e a melancolia:


Vem cá, minha companheira,
Vem, triste e mimosa flor,
Se tens de saudade o nome,
Da saudade eu tenho dor

Recebe este frio beijo,
Beijo da melancolia,
Tem d’amor toda a doçura,
Mas não o ardor d’alegria.



A temática da melancolia, observa Candido, já tinha sido utilizada em 1813 com características árcades. O texto de de Borges de Barros tem uma sensibilidade poética, como também uma melancolia inspiradora – o que poderia ter marcado com a mesma visão Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e Junqueira Freire. Candido observa que nos poemas de Borges de Barros “começa a poesia d’alma, dos vagos movimentos interiores ao devaneio e, sendo própria do adolescente, vai dar vontade de chorar e morrer a duas gerações de poetas mortos na flor da idade.”


Poesia de fronteiras, os poemas de Borges de Barros são precursores da suprema consagração que Garrett daria em termos modernos à temática da saudade agridoce, do amor terno e cruel . Assim é que em Borges de Barros, por exemplo, na ode "À Melancolia", define-se "o estado de alma predileto do poeta romântico”.


Portanto, Antonio Candido destaca na obra de Borges de Barros “premonições românticas”:


Não me lembres, não, mudem-se, ó Noite
Doces momentos em tristonhas horas,
Em lagrimas os risos
("À Noite")


Meu peito em ânsias
Imita undoso.
("Cançoneta")



O texto de Borges de Barros traz a liberdade de criação e de expressão, o pessimismo com ênfase na saudade, melancolia, a tristeza, os anseios da vida em relação à morte. O que será observado nas páginas seguintes com a análise do poemeto de 1825 - Os túmulos.