Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Orlando Brandão Meza Ucella
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza [13-6-2009]
Editora Martins, 1971:
da p. 105: [final do capítulo II ]"Os críticos não discrepam ao apontar a sua decadência nas obras posteriores a 1768,"...
até p. 111: [primeiras páginas do capítulo III Apogeu da reforma]..."Alvarenga Peixoto: duas odes, o fragmento de um terceira, uma cantata e o famoso "Canto Genetlíaco". "
Antonio Candido comenta a discordância dos críticos em relação ao poema épico de Cláudio Manuel da Costa, alegando sobretudo o esforço do poeta de “se pôr em dia” com a moda, com peças geralmente laudatórias, o que indica a possibilidade de desinteresse do poeta para com a produção lírica. Segundo Candido, esta produção lírica desinteressada pode servir para avaliar a decadência do poeta, observando que mesmo peças reveladas a posteriori ainda são de melhor qualidade que o “erro poético do Vila Rica”.
Os indícios de uma crise espiritual em Cláudio Manuel podem ter surgido em razão da pouca repercussão de sua obra, visto que Silva Alvarenga e Basílio da Gama eram conhecidos e levados em conta na Metrópole. O enfraquecimento poético do poeta teria sido talvez motivado pelo esforço de acertar o passo com os modernos e ganhar a desejada fama. Confiou, então, no sentimento nativista para forçar a admiração dos contemporâneos.
Capítulo III – Apogeu da reforma
1. Uma nova geração
Candido assegura que os ideais neoclássicos só se afirmaram na geração seguinte – Silva Alvarenga, Basílio da Gama, Alvarenga Peixoto e Gonzaga – apontando, seja por um ou por outro aspecto, em cada um destes autores, uma nítida superação do momento inicial de compromisso entre cultismo e novo estilo. Ressaltando aspectos de ritmo e musicalidade de alguns desses poetas, alude-os como traços importantes para completar a expressão da nova sensibilidade, “amaciando”, “colorindo o verso português”, num processo de contrapeso ao estilo regular e lógico do Classicismo.
No segundo parágrafo da página 113 [Ed. Ouro sobre Azul] , as características de plasticidade e modos de expressão da natureza nos poemas de Basílio da Gama e Silva Alvarenga são explicitados; ambos são mineiros, porém, cariocas pelo “sentimento da água, cores [...] e luminosidade do mar”. Gonzaga participa de um universo plástico psíquico mais genérico. Ressaltando onde cada um passou a maior parte de sua vida, Candido diz que não há uma Escola Mineira como grupo, mas o Arcadismo brasileiro encontrou sua mais alta expressão em poetas ligados à capitania das Minas, por nascimento ou por residência.
Alvarenga Peixoto
É mediana a qualidade dos poemas de Alvarenga Peixoto; impossível equipará-lo aos outros poetas mineiros.
Através deste poeta, Antonio Candido enfatiza a utilização que os poetas fizeram do louvor a reis e governantes para, através disso chegar à meditação sobre problemas locais. A homenagem tornava-se pretexto tanto mais seguro quanto o poeta se escudava no homenageado. Isto aconteceu com Cláudio Manuel da Costa, Antonio Cordovil e no que resta de mais vivo de Alvarenga Peixoto: duas odes, o fragmento de uma terceira, uma cantata, e o famoso CANTO GENETLÍACO.
Grupo de Estudo da obra de Antonio Candido, Formação da Literatura Brasileira, vinculado à Base de Pesquisa Formação da Literatura Brasileira, da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte._________________ FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA - DE BAIXO PARA CIMA DESDE 2008
sábado, 13 de junho de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Orlando Brandão Meza Ucella
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero [30-5-2009]
Edusp/Itatiaia, 1975:
de p. 101: " Convém notar que em certos poemas pouco citados, e aliás pouco numerosos, os
quatro "romances", "...
até p. 105: ... "Terás a glória de ter dado o berço
A quem te fez girar pelo universo."
Antonio Candido, após lembrar à página 93 que nos sonetos é que se encontra o nível mais alto da poesia de Cláudio Manuel, refere um tipo de produção considerado por ele, Candido, como também elevado. Trata-se de uma simplicidade alcançada pela aproximação em tom erudito ao plano da poesia popular tradicional, por meio do cantante verso, na métrica e no ritmo, que é a redondilha (“influência visível dos processos métricos caros aos espanhóis”, p. 101).
Em seguida aborda outra modalidade praticada pelo poeta, agora em decassílabos (necessidade de expansão discursiva, por certo), voltada para o teor encomiástico, num propósito de elogiar figuras cujas biografias pautaram-se por valores como “a Virtude, a Justiça, a Pátria”. Assim é com Gomes Freire, o 1° Conde de Bobadela, título instituído pelo rei de Portugal na segunda metade do século XVIII. Mas esse tipo de obra que em geral descamba para o puxa-saquismo inócuo, em Cláudio repousava menos nas personagens que nos valores aludidos e que elas representavam de modo exemplar. E é com base em tais valores que o futuro inconfidente embute em seu poema uma investida contra a iníqua relação entre colônia e metrópole, longe do equilíbrio racional que deveria marcar toda ordenação de governo.
“Vila Rica”. Poema construído num misto de imaginação e documentação, em que se evidenciam – pelo próprio poeta – os limites de uma e outra esfera. Ou seja, o leitor é informado em “ensaio prévio” e em “notas explicativas” a respeito do que seja invenção ou fato histórico. Perguntar não ofende: tal postura não seria um dos aspectos responsáveis pela má figura da obra? Penso, por exemplo, em Infância, do Graciliano, cuja mescla indistinta entre ficção e confissão é algo que confere beleza ao relato. O sergipano João Ribeiro apontou as influências de peso recebidas por Cláudio, temática e estrutural, de Voltaire e Basílio da Gama. Nem assim!
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Orlando Brandão Meza Ucella
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero [30-5-2009]
Edusp/Itatiaia, 1975:
de p. 101: " Convém notar que em certos poemas pouco citados, e aliás pouco numerosos, os
quatro "romances", "...
até p. 105: ... "Terás a glória de ter dado o berço
A quem te fez girar pelo universo."
Antonio Candido, após lembrar à página 93 que nos sonetos é que se encontra o nível mais alto da poesia de Cláudio Manuel, refere um tipo de produção considerado por ele, Candido, como também elevado. Trata-se de uma simplicidade alcançada pela aproximação em tom erudito ao plano da poesia popular tradicional, por meio do cantante verso, na métrica e no ritmo, que é a redondilha (“influência visível dos processos métricos caros aos espanhóis”, p. 101).
Em seguida aborda outra modalidade praticada pelo poeta, agora em decassílabos (necessidade de expansão discursiva, por certo), voltada para o teor encomiástico, num propósito de elogiar figuras cujas biografias pautaram-se por valores como “a Virtude, a Justiça, a Pátria”. Assim é com Gomes Freire, o 1° Conde de Bobadela, título instituído pelo rei de Portugal na segunda metade do século XVIII. Mas esse tipo de obra que em geral descamba para o puxa-saquismo inócuo, em Cláudio repousava menos nas personagens que nos valores aludidos e que elas representavam de modo exemplar. E é com base em tais valores que o futuro inconfidente embute em seu poema uma investida contra a iníqua relação entre colônia e metrópole, longe do equilíbrio racional que deveria marcar toda ordenação de governo.
“Vila Rica”. Poema construído num misto de imaginação e documentação, em que se evidenciam – pelo próprio poeta – os limites de uma e outra esfera. Ou seja, o leitor é informado em “ensaio prévio” e em “notas explicativas” a respeito do que seja invenção ou fato histórico. Perguntar não ofende: tal postura não seria um dos aspectos responsáveis pela má figura da obra? Penso, por exemplo, em Infância, do Graciliano, cuja mescla indistinta entre ficção e confissão é algo que confere beleza ao relato. O sergipano João Ribeiro apontou as influências de peso recebidas por Cláudio, temática e estrutural, de Voltaire e Basílio da Gama. Nem assim!
sábado, 16 de maio de 2009
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Orlando Brandão Meza Ucella
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes [16-5-2009]
Editora Martins, 1971:
de: p. 97: " Para compreender até que ponto elas contribuíam para enriquecer
a obra"...
até: p. 101: ... " a mescla de Cultismo e naturalidade, nem sempre favorável ao
equilíbrio poético e ao efeito sobre o leitor."
Ainda traçando aspectos da Literatura de Cláudio Manuel da Costa, Antonio Candido refere-se à imagem/ “imaginação da pedra” e à sensibilidade do poeta, que recorrem a “constantes barrocas”. Cláudio Manuel da Costa sentiu também a necessidade de se adequar ao moderno, possibilitada pela mescla entre o natural e o Cultismo.
No tema de Polifemo, mito do amor de ciclope por uma ninfa, o crítico mostra que as antíteses irrompem do drama de Polifemo e Lize, enriquecendo as cantatas (Galatea e Lize) e a Écloga VIII, Polifemo de Cláudio, peça composta de 49 versos, não tendendo, assim, ao prosaísmo, comum em alguns de seus poemas.
O tema, qualificado como essencialmente barroco, é abordado por Marino, Gôngora e Metastasio – o qual “arcadizou o velho mito”, deixando-lhe uma “brutalidade de ópera bufa”. Cláudio inspira-se nesses dois últimos e teve influência do grego Teócrito com seu Idílio XI e das ambivalências que o rodeavam.
Esteticamente colocada entre a cantata Galatea, em que ocorre a descrição do amor de Acis com a ninfa, e a cantata Lize, que marca a frustração causada pelo desajuste amoroso, a Écloga VIII representa o auge na obra. O poeta simpatiza e se compadece do ciclope, contrariamente às versões anteriores.
Depois do desprezo, e conseqüente desespero, o ciclope oferece os bens mais caros à Galatéia em troca do seu amor:
E se não basta o excesso
De amor para abrandar-te,
Quando rebanho vês cobrir o monte,
Tudo, tudo ofereço:
Este branco novilho,
Daquela parda ovelha tenro filho,
De dar-te se contenta
Quem guarda amor, zelos apascenta.
A esse momento Antonio Candido confere afirmação de que: “... o contraste dramático entre o gigante grotesco e a ternura que o anima permitiu a Cláudio um poema comovente, quase trágico. O pobre ciclope apaixonado, largado a soluçar sua paixão desmesurada nas verdes relvas do prado arcádico, entre pastores e pastoras de ópera, produz o efeito de um estampido nessa atmosfera de ‘parnaso obsequioso’ - graças à contensão clássica e à força barroca que o anima”.
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Orlando Brandão Meza Ucella
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes [16-5-2009]
Editora Martins, 1971:
de: p. 97: " Para compreender até que ponto elas contribuíam para enriquecer
a obra"...
até: p. 101: ... " a mescla de Cultismo e naturalidade, nem sempre favorável ao
equilíbrio poético e ao efeito sobre o leitor."
Ainda traçando aspectos da Literatura de Cláudio Manuel da Costa, Antonio Candido refere-se à imagem/ “imaginação da pedra” e à sensibilidade do poeta, que recorrem a “constantes barrocas”. Cláudio Manuel da Costa sentiu também a necessidade de se adequar ao moderno, possibilitada pela mescla entre o natural e o Cultismo.
No tema de Polifemo, mito do amor de ciclope por uma ninfa, o crítico mostra que as antíteses irrompem do drama de Polifemo e Lize, enriquecendo as cantatas (Galatea e Lize) e a Écloga VIII, Polifemo de Cláudio, peça composta de 49 versos, não tendendo, assim, ao prosaísmo, comum em alguns de seus poemas.
O tema, qualificado como essencialmente barroco, é abordado por Marino, Gôngora e Metastasio – o qual “arcadizou o velho mito”, deixando-lhe uma “brutalidade de ópera bufa”. Cláudio inspira-se nesses dois últimos e teve influência do grego Teócrito com seu Idílio XI e das ambivalências que o rodeavam.
Esteticamente colocada entre a cantata Galatea, em que ocorre a descrição do amor de Acis com a ninfa, e a cantata Lize, que marca a frustração causada pelo desajuste amoroso, a Écloga VIII representa o auge na obra. O poeta simpatiza e se compadece do ciclope, contrariamente às versões anteriores.
Depois do desprezo, e conseqüente desespero, o ciclope oferece os bens mais caros à Galatéia em troca do seu amor:
E se não basta o excesso
De amor para abrandar-te,
Quando rebanho vês cobrir o monte,
Tudo, tudo ofereço:
Este branco novilho,
Daquela parda ovelha tenro filho,
De dar-te se contenta
Quem guarda amor, zelos apascenta.
A esse momento Antonio Candido confere afirmação de que: “... o contraste dramático entre o gigante grotesco e a ternura que o anima permitiu a Cláudio um poema comovente, quase trágico. O pobre ciclope apaixonado, largado a soluçar sua paixão desmesurada nas verdes relvas do prado arcádico, entre pastores e pastoras de ópera, produz o efeito de um estampido nessa atmosfera de ‘parnaso obsequioso’ - graças à contensão clássica e à força barroca que o anima”.
sábado, 2 de maio de 2009
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano [2-5-2009]
Editora Martins, 1971:
de: p. 92: "Estudante em Coimbra, foi contemporâneo de Diniz,
Negrão"...
até: p. 97: ..." sentimento, podiam exprimir uma daquelas fortes antíteses
que lhe eram caras."
Em Coimbra, Cláudio Manuel da Costa, de formação barroca, e seus contemporâneos - Diniz, Negrão, Gomes de Carvalho e Garção - encontraram um ambiente inviável para o estilo culto, uma vez que a nova expressão do espírito do século XVIII já se operava. Porém, de modo independente e conservador da tradição, o brasileiro procurou, com simplicidade didática e interesse pela vida humana contemporânea, ser homem do seu tempo e co-autor das novas concepções européias. Mas, foi com a recuperação dos modelos quinhentistas que ele garantiu a culminância do segundo momento da sua evolução literária. Com resíduos do Barroco e da “fresca espontaneidade popularesca”, esses modelos expressaram plenamente o pensamento e a sensibilidade portuguesa no período da Arcádia Lusitana e deram sólida base à literatura moderna portuguesa. Graças a sua vocação cultista, Cláudio teve, no soneto, a sua mais alta realização, pois encontrou nele a forma poética justa para seu caro jogo intelectual, ligado à herança barroca do amor pela imagem peregrina, da rima sonora e da metáfora.
Temas como o do amante infeliz, o contraste rústico-civilizado e a tristeza da mudança das coisas em relação aos estados do sentimento são constantes nos sonetos de Cláudio. No entanto, certo dilaceramento dramático poder ser visto na sua poesia, a exemplo do soneto XVIII, no qual o eu lírico pastor, apesar dos presságios da voracidade do lobo em sua manada, apenas lembra-se de Nize, sua musa inspiradora. As imagens aprendidas em Quevedo e Gongora impregnam outras formas, como as éclogas e as odes de Cláudio. Em suas “Fábulas”, a influência desses poetas espanhóis pode ser vista pelo uso constante do hipérbato, “recurso culterano por excelência, utilizado por Gongora com admirável sentido expressivo e banido pelos árcades”.
Candido admite que o cultismo de Cláudio representa força diante das inclinações para o amaneiramento presente na poesia moderna. A volta ao Brasil em 1753, antes da efetiva fundação da Arcádia Lusitana, lhe causou certo desvio das idéias de renovação, mas favoreceu uma mediação entre as duas tendências, tornando-o, no dizer de Antonio Candido, “um neoquinhentista filtrado através do Barroco”.
Polifemo
As constantes referências às penhas, que sugerem o ambiente agreste e rústico de Minas Gerais, apontam a sensibilidade do poeta em busca dos estímulos barrocos, pois o cultismo era dado a rochedos e a cavernas, talvez pelos movimentos plásticos irregulares que essas formas representam. Além disso, o gosto de Cláudio pela eloqüência pode ser visto nas antíteses, figura prezada pelo movimento seiscentista.
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano [2-5-2009]
Editora Martins, 1971:
de: p. 92: "Estudante em Coimbra, foi contemporâneo de Diniz,
Negrão"...
até: p. 97: ..." sentimento, podiam exprimir uma daquelas fortes antíteses
que lhe eram caras."
Em Coimbra, Cláudio Manuel da Costa, de formação barroca, e seus contemporâneos - Diniz, Negrão, Gomes de Carvalho e Garção - encontraram um ambiente inviável para o estilo culto, uma vez que a nova expressão do espírito do século XVIII já se operava. Porém, de modo independente e conservador da tradição, o brasileiro procurou, com simplicidade didática e interesse pela vida humana contemporânea, ser homem do seu tempo e co-autor das novas concepções européias. Mas, foi com a recuperação dos modelos quinhentistas que ele garantiu a culminância do segundo momento da sua evolução literária. Com resíduos do Barroco e da “fresca espontaneidade popularesca”, esses modelos expressaram plenamente o pensamento e a sensibilidade portuguesa no período da Arcádia Lusitana e deram sólida base à literatura moderna portuguesa. Graças a sua vocação cultista, Cláudio teve, no soneto, a sua mais alta realização, pois encontrou nele a forma poética justa para seu caro jogo intelectual, ligado à herança barroca do amor pela imagem peregrina, da rima sonora e da metáfora.
Temas como o do amante infeliz, o contraste rústico-civilizado e a tristeza da mudança das coisas em relação aos estados do sentimento são constantes nos sonetos de Cláudio. No entanto, certo dilaceramento dramático poder ser visto na sua poesia, a exemplo do soneto XVIII, no qual o eu lírico pastor, apesar dos presságios da voracidade do lobo em sua manada, apenas lembra-se de Nize, sua musa inspiradora. As imagens aprendidas em Quevedo e Gongora impregnam outras formas, como as éclogas e as odes de Cláudio. Em suas “Fábulas”, a influência desses poetas espanhóis pode ser vista pelo uso constante do hipérbato, “recurso culterano por excelência, utilizado por Gongora com admirável sentido expressivo e banido pelos árcades”.
Candido admite que o cultismo de Cláudio representa força diante das inclinações para o amaneiramento presente na poesia moderna. A volta ao Brasil em 1753, antes da efetiva fundação da Arcádia Lusitana, lhe causou certo desvio das idéias de renovação, mas favoreceu uma mediação entre as duas tendências, tornando-o, no dizer de Antonio Candido, “um neoquinhentista filtrado através do Barroco”.
Polifemo
As constantes referências às penhas, que sugerem o ambiente agreste e rústico de Minas Gerais, apontam a sensibilidade do poeta em busca dos estímulos barrocos, pois o cultismo era dado a rochedos e a cavernas, talvez pelos movimentos plásticos irregulares que essas formas representam. Além disso, o gosto de Cláudio pela eloqüência pode ser visto nas antíteses, figura prezada pelo movimento seiscentista.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araújo [18-4-2009]
Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1993
de p. 85: "Na pedra, quase tanto quanto nos troncos, obrigatórios na convenção
pastoral...”
até p. 88: ..."Cultismo, chega ao neoclássico por uma recuperação do Quinhentismo
português "
Como mostra o título desse capítulo, “no limiar do novo estilo: Cláudio Manuel da Costa”, estamos diante de um poeta de transição, entre o Cultismo e o Arcadismo. Trata-se de um poeta que busca o equilíbrio da colonização em sua poesia, valorizando o brilho de sua natureza local, aliando-o aos traços estéticos europeus.
Seguindo a convenção pastoral, os versos de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789) trazem a força do sentimento do Eu lírico ligado à resistência da pedra, do penhasco.
Que inflexível se mostra, que constante
Se vê esse penhasco!
Tais palavras denotam a constância dos seus sentimentos, bem como o seu apego à natureza.
Ao citar alguns versos, Antonio Candido ressalta a importância que o escritor dá a sua terra. Ao contrário de poetas que apresentam cenários com prados e ribeiras, Cláudio Manuel da Costa retrata sua terra fielmente, com montanhas e montes, trazendo os elementos da paisagem mineira para a sua poesia.
Mesmo tendo frequentado a vida social e intelectual da Metrópole, o escritor não perdeu o vínculo com suas raízes interioranas. Tinha consciência de que sua obra, sem ceder aos temas líricos europeus, podia expressar um grande talento quando fosse comparada ao modelo da Metrópole. A consciência de sua origem rústica e brasileira despertou-o para o desenvolvimento de um talento que exprimisse o lado afetivo do Eu lírico, ligado a sua terra natal, à estética da Metrópole. Sua poesia, dividida entre Portugal e Brasil, entre a Metrópole e a Colônia, expõe um Eu fixado à terra, em meio aos problemas da sociedade.
Se o Brasil enquanto Colônia sofria a ação da influência de idéias externas sobre a cultura e a sociedade, naturalmente, o mesmo ocorria com a arte. Ciente disso, ainda que influenciado pelo modelo da Metrópole, onde havia estudado, Cláudio Manuel buscava uma identidade literária, unindo o saber intelectual adquirido ao instinto de rusticidade.
Sabemos que a cultura/literatura no Brasil foi-nos imposta, constituindo um produto da colonização. No entanto, não somos fadados a representar um galho secundário da literatura da Metrópole. Há, sim, momentos decisivos na história da literatura brasileira, como mostra Antonio Candido ao destacar o novo estilo de Cláudio Manuel da Costa. Mesmo formado em solo europeu, o poeta procurou salvar a literatura brasileira do rótulo de subliteratura, subproduto, repleta de lugares-comuns. Ele buscou trabalhar sua visão para melhor apreender sua terra: Minas Gerais.
Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1993
de p. 85: "Na pedra, quase tanto quanto nos troncos, obrigatórios na convenção
pastoral...”
até p. 88: ..."Cultismo, chega ao neoclássico por uma recuperação do Quinhentismo
português "
Como mostra o título desse capítulo, “no limiar do novo estilo: Cláudio Manuel da Costa”, estamos diante de um poeta de transição, entre o Cultismo e o Arcadismo. Trata-se de um poeta que busca o equilíbrio da colonização em sua poesia, valorizando o brilho de sua natureza local, aliando-o aos traços estéticos europeus.
Seguindo a convenção pastoral, os versos de Cláudio Manuel da Costa (1729-1789) trazem a força do sentimento do Eu lírico ligado à resistência da pedra, do penhasco.
Que inflexível se mostra, que constante
Se vê esse penhasco!
Tais palavras denotam a constância dos seus sentimentos, bem como o seu apego à natureza.
Ao citar alguns versos, Antonio Candido ressalta a importância que o escritor dá a sua terra. Ao contrário de poetas que apresentam cenários com prados e ribeiras, Cláudio Manuel da Costa retrata sua terra fielmente, com montanhas e montes, trazendo os elementos da paisagem mineira para a sua poesia.
Mesmo tendo frequentado a vida social e intelectual da Metrópole, o escritor não perdeu o vínculo com suas raízes interioranas. Tinha consciência de que sua obra, sem ceder aos temas líricos europeus, podia expressar um grande talento quando fosse comparada ao modelo da Metrópole. A consciência de sua origem rústica e brasileira despertou-o para o desenvolvimento de um talento que exprimisse o lado afetivo do Eu lírico, ligado a sua terra natal, à estética da Metrópole. Sua poesia, dividida entre Portugal e Brasil, entre a Metrópole e a Colônia, expõe um Eu fixado à terra, em meio aos problemas da sociedade.
Se o Brasil enquanto Colônia sofria a ação da influência de idéias externas sobre a cultura e a sociedade, naturalmente, o mesmo ocorria com a arte. Ciente disso, ainda que influenciado pelo modelo da Metrópole, onde havia estudado, Cláudio Manuel buscava uma identidade literária, unindo o saber intelectual adquirido ao instinto de rusticidade.
Sabemos que a cultura/literatura no Brasil foi-nos imposta, constituindo um produto da colonização. No entanto, não somos fadados a representar um galho secundário da literatura da Metrópole. Há, sim, momentos decisivos na história da literatura brasileira, como mostra Antonio Candido ao destacar o novo estilo de Cláudio Manuel da Costa. Mesmo formado em solo europeu, o poeta procurou salvar a literatura brasileira do rótulo de subliteratura, subproduto, repleta de lugares-comuns. Ele buscou trabalhar sua visão para melhor apreender sua terra: Minas Gerais.
domingo, 12 de abril de 2009
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini [11-4-2009]
Editora Martins, 1971:
De: p. 85: "Dessa revoada de maus poetas e letrados pedantes,
convém"...
Até: p. 88: ..."Aqui sobre esta penha, onde murmura
A onda mais quebrada..."
(Ecl. IV)
Cap. 3
Sousa Nunes e autonomia intelectual
Dentre “maus poetas e letrados pedantes”, Candido destaca Feliciano Joaquim de Sousa Nunes que, por volta dos vinte e um anos, escreveu sua única obra intitulada Discursos Político-Morais revelando claramente a sua contribuição ao progresso intelectual do país.
O primeiro volume de sua obra traz uma retórica erudita e moralista, banhada por um convencionalismo monótono agregado a um estilo lingüístico correto. Dois dos seus discursos, segundo Candido, o resgatam da mesmice e revelam uma visão ampla do escritor no que diz respeito à igualdade feminina e o combate ao patriarcalismo.
Sousa Nunes foi um autoditada que possuía um respeito pela instrução e os livros e uma confiança na própria capacidade de auto-instruir-se. Nesse ponto, o escritor divergia com o sentimento de inferioridade dos brasileiros, ceifada por uma pobreza intelectual, que privilegiava intelectuais que possuíssem prestígio perante a sociedade. Na obra desse escritor carioca fica expressa a posição do intelectual no país e o desejo de mostrar o valor do escritor brasileiro. Essa nova posição traz consequência para a mentalidade da época e terá repercussão na obra de Cláudio Manuel da Costa.
Cap. 4
No limiar do novo Estilo: Cláudio Manuel da Costa
A terra sob o tópico
O poeta mineiro, dentre os neoclássicos, é a representação da nova mentalidade, que tenta se desvencilhar da influência européia, buscando valorizar a terra onde nasceu. Mesmo nessa tentativa de procurar novas referências, Claudio Manuel se vê arraigado, ainda, pelas referências externas. Segundo Candido, a presença do vocábulo rocha em alguns de seus poemas reflete o anseio do poeta em buscar um novo alicerce para sua poesia.
Editora Martins, 1971:
De: p. 85: "Dessa revoada de maus poetas e letrados pedantes,
convém"...
Até: p. 88: ..."Aqui sobre esta penha, onde murmura
A onda mais quebrada..."
(Ecl. IV)
Cap. 3
Sousa Nunes e autonomia intelectual
Dentre “maus poetas e letrados pedantes”, Candido destaca Feliciano Joaquim de Sousa Nunes que, por volta dos vinte e um anos, escreveu sua única obra intitulada Discursos Político-Morais revelando claramente a sua contribuição ao progresso intelectual do país.
O primeiro volume de sua obra traz uma retórica erudita e moralista, banhada por um convencionalismo monótono agregado a um estilo lingüístico correto. Dois dos seus discursos, segundo Candido, o resgatam da mesmice e revelam uma visão ampla do escritor no que diz respeito à igualdade feminina e o combate ao patriarcalismo.
Sousa Nunes foi um autoditada que possuía um respeito pela instrução e os livros e uma confiança na própria capacidade de auto-instruir-se. Nesse ponto, o escritor divergia com o sentimento de inferioridade dos brasileiros, ceifada por uma pobreza intelectual, que privilegiava intelectuais que possuíssem prestígio perante a sociedade. Na obra desse escritor carioca fica expressa a posição do intelectual no país e o desejo de mostrar o valor do escritor brasileiro. Essa nova posição traz consequência para a mentalidade da época e terá repercussão na obra de Cláudio Manuel da Costa.
Cap. 4
No limiar do novo Estilo: Cláudio Manuel da Costa
A terra sob o tópico
O poeta mineiro, dentre os neoclássicos, é a representação da nova mentalidade, que tenta se desvencilhar da influência européia, buscando valorizar a terra onde nasceu. Mesmo nessa tentativa de procurar novas referências, Claudio Manuel se vê arraigado, ainda, pelas referências externas. Segundo Candido, a presença do vocábulo rocha em alguns de seus poemas reflete o anseio do poeta em buscar um novo alicerce para sua poesia.
domingo, 5 de abril de 2009
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti [4-4-2009]
Editora Martins, 1971:
de: p. 81: "Nos documentos publicados por Lamego é patente o nativismo"...
até: p. 84: ..."a expressão do coletivo, de que não se destacavam as personalidades de pouco relevo."
CAPÍTULO II – TRANSIÇÃO LITERÁRIA
2
Grêmios e Celebrações
Os Renascidos
O tópico sobre o qual o colega Peterson versou seu texto introduziu a noção de literatura congregada, importante para entendermos o início da formação de um sistema mesmo que caracterizado ainda por um autopúblico formador de uma subliteratura.
No tópico dois, Grêmios e celebrações, Candido irá expor características importantes de academias que se destacaram como a dos Renascidos e a dos Seletos.
A Academia dos Renascidos adquirirá significação por englobar autores pernambucanos, paulistanos e mineiros, havendo pela primeira vez um sopro de integração entre os intelectuais no Brasil que irá se traduzir numa vaga consciência de integração.
Outro aspecto interessante é o fato de os Renascidos terem tratado do nativismo, elucidando pontos da história local e se preocupando com a imagem do índio. Este, por exemplo, foi considerado, pela primeira vez, “menos bruto do que parece” e se concluiu, num dos poemas, que este povo não merecia o tratamento até agora adotado.
Dentro dessa temática, destaca-se ainda a preocupação com o caso de Diogo Álvares Corrêa – o Caramuru – que exprime a visão de nossa gênese histórica e social, tema esse recuperado por Santa Rita Durão – o que corrobora o início de um sistema literário no Brasil. Mostra-se como desejo, inclusive, a composição de uma epopéia nativista, dando categoria estética aos feitos da crônica local. A academia, todavia, se decompôs antes de terminar esse feito que, ao que parece, permaneceu no estado de esboço publicado por João Lúcio de Azevedo.
Os Seletos
Outra academia em destaque se mostrou a dos Seletos que, ao que parece, foi menos ambiciosa e menos significativa, pois já nos objetivos prenuncia um malogro estético, por ser unicamente destinada a celebrar Gomes Freire de Andrada.
Quanto a essa é interessante recuperar a ênfase crítica dada por Candido ao afirmar que as introduções do secretário, os discursos do presidente, as poesias dos acadêmicos, nada valem esteticamente. "Desnudam uma subliteratura de fiteiros, glosando, adulando, comprazendo-se em equívocos e trocadilhos, exibindo-se por meio da negaça e da falsa modéstia". [p. 82].
Os textos dessa academia eram feitos para se elogiar um poderoso, cultuar um santo ou celebrar um acontecimento, de forma que acabavam se tornando extremamente demagógicos contribuindo para a formação de um ciclo de elogios mútuos que provocava o fechamento da academia aos membros da sociedade que não tivessem uma condição sócio-econômica destacada. Inicia-se, com isso, também, a definição do status de letrado.
Nos poemas, percebe-se uma quantidade exorbitante de elogios que diversas vezes ofuscavam a intenção inicial do texto, tornando-o ainda mais pobre esteticamente. Isso se observa ao observarmos que o principal recurso na construção desses textos foi o símile que se mostra um dos mais usuais recursos e que, afora isso, não havia individualidades, mas o estilo coletivo de um grupo homogeneamente medíocre.
Isso se corrobora se conferirmos um trecho em que Otávio Paz (1982:20) em que afirma: “Quando um poeta adquire um estilo, uma maneira, deixa de ser um poeta e se converte em construtor de artefatos literários”. Se isso ocorre com um poeta, imagine com um grupo... Não é estranho, portanto, o tratamento enfático de Candido.
O valor dessas obras, segundo Candido, se mostra mais documental do que estético. Uma fonte na qual se bebe a mentalidade duma camada social, através de seus porta-vozes ideológicos. Nesse sentido, deve-se destacar a participação maciça do clero, tanto individualmente como também, no caso dos regulares, que disciplinadamente se misturavam na massa amorfa que se caracterizava a produção coletiva.
Dessa forma, por meio destes documentos, pode-se constatar o monopólio da instrução colonial que garantia os padrões de rotina e tradição literária, os valores de devoção e lealdade à Igreja e à Coroa, em colaboração com magistrados e militares.
As exéquias de Paracatu
Nesse contexto se destacam “As exéquias de Paracatu”, texto encomendado para homenagear Dona Maria Francisca Dorotheia, Infanta de Portugal, filha de D. José I.
Conclui-se, dessa forma, que apesar de apresentarem características significativas para a formação de nossa literatura como a abordagem do tema nativista, o início de uma integração intelectual, o início da formação de um sistema literário, os letrados formavam ainda um grupo que se separava da massa na medida em que integrava os quadros dirigentes na política, na administração, na religião.
Agora, neste INÍCIO foi assim, a literatura engatinhava como atividade grupal. Os grupos ainda eram homogêneos pela falta de expoentes que se libertassem dos valores dominantes e criassem estilos individuais que só quando somados formariam o aspecto grupal. Isso começará a ocorrer, paulatinamente, como bem explicitou Peterson, construindo, ironicamente, uma idéia de emancipação política, e, sobretudo, de emancipação econômica de Portugal.
Editora Martins, 1971:
de: p. 81: "Nos documentos publicados por Lamego é patente o nativismo"...
até: p. 84: ..."a expressão do coletivo, de que não se destacavam as personalidades de pouco relevo."
CAPÍTULO II – TRANSIÇÃO LITERÁRIA
2
Grêmios e Celebrações
Os Renascidos
O tópico sobre o qual o colega Peterson versou seu texto introduziu a noção de literatura congregada, importante para entendermos o início da formação de um sistema mesmo que caracterizado ainda por um autopúblico formador de uma subliteratura.
No tópico dois, Grêmios e celebrações, Candido irá expor características importantes de academias que se destacaram como a dos Renascidos e a dos Seletos.
A Academia dos Renascidos adquirirá significação por englobar autores pernambucanos, paulistanos e mineiros, havendo pela primeira vez um sopro de integração entre os intelectuais no Brasil que irá se traduzir numa vaga consciência de integração.
Outro aspecto interessante é o fato de os Renascidos terem tratado do nativismo, elucidando pontos da história local e se preocupando com a imagem do índio. Este, por exemplo, foi considerado, pela primeira vez, “menos bruto do que parece” e se concluiu, num dos poemas, que este povo não merecia o tratamento até agora adotado.
Dentro dessa temática, destaca-se ainda a preocupação com o caso de Diogo Álvares Corrêa – o Caramuru – que exprime a visão de nossa gênese histórica e social, tema esse recuperado por Santa Rita Durão – o que corrobora o início de um sistema literário no Brasil. Mostra-se como desejo, inclusive, a composição de uma epopéia nativista, dando categoria estética aos feitos da crônica local. A academia, todavia, se decompôs antes de terminar esse feito que, ao que parece, permaneceu no estado de esboço publicado por João Lúcio de Azevedo.
Os Seletos
Outra academia em destaque se mostrou a dos Seletos que, ao que parece, foi menos ambiciosa e menos significativa, pois já nos objetivos prenuncia um malogro estético, por ser unicamente destinada a celebrar Gomes Freire de Andrada.
Quanto a essa é interessante recuperar a ênfase crítica dada por Candido ao afirmar que as introduções do secretário, os discursos do presidente, as poesias dos acadêmicos, nada valem esteticamente. "Desnudam uma subliteratura de fiteiros, glosando, adulando, comprazendo-se em equívocos e trocadilhos, exibindo-se por meio da negaça e da falsa modéstia". [p. 82].
Os textos dessa academia eram feitos para se elogiar um poderoso, cultuar um santo ou celebrar um acontecimento, de forma que acabavam se tornando extremamente demagógicos contribuindo para a formação de um ciclo de elogios mútuos que provocava o fechamento da academia aos membros da sociedade que não tivessem uma condição sócio-econômica destacada. Inicia-se, com isso, também, a definição do status de letrado.
Nos poemas, percebe-se uma quantidade exorbitante de elogios que diversas vezes ofuscavam a intenção inicial do texto, tornando-o ainda mais pobre esteticamente. Isso se observa ao observarmos que o principal recurso na construção desses textos foi o símile que se mostra um dos mais usuais recursos e que, afora isso, não havia individualidades, mas o estilo coletivo de um grupo homogeneamente medíocre.
Isso se corrobora se conferirmos um trecho em que Otávio Paz (1982:20) em que afirma: “Quando um poeta adquire um estilo, uma maneira, deixa de ser um poeta e se converte em construtor de artefatos literários”. Se isso ocorre com um poeta, imagine com um grupo... Não é estranho, portanto, o tratamento enfático de Candido.
O valor dessas obras, segundo Candido, se mostra mais documental do que estético. Uma fonte na qual se bebe a mentalidade duma camada social, através de seus porta-vozes ideológicos. Nesse sentido, deve-se destacar a participação maciça do clero, tanto individualmente como também, no caso dos regulares, que disciplinadamente se misturavam na massa amorfa que se caracterizava a produção coletiva.
Dessa forma, por meio destes documentos, pode-se constatar o monopólio da instrução colonial que garantia os padrões de rotina e tradição literária, os valores de devoção e lealdade à Igreja e à Coroa, em colaboração com magistrados e militares.
As exéquias de Paracatu
Nesse contexto se destacam “As exéquias de Paracatu”, texto encomendado para homenagear Dona Maria Francisca Dorotheia, Infanta de Portugal, filha de D. José I.
Conclui-se, dessa forma, que apesar de apresentarem características significativas para a formação de nossa literatura como a abordagem do tema nativista, o início de uma integração intelectual, o início da formação de um sistema literário, os letrados formavam ainda um grupo que se separava da massa na medida em que integrava os quadros dirigentes na política, na administração, na religião.
Agora, neste INÍCIO foi assim, a literatura engatinhava como atividade grupal. Os grupos ainda eram homogêneos pela falta de expoentes que se libertassem dos valores dominantes e criassem estilos individuais que só quando somados formariam o aspecto grupal. Isso começará a ocorrer, paulatinamente, como bem explicitou Peterson, construindo, ironicamente, uma idéia de emancipação política, e, sobretudo, de emancipação econômica de Portugal.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Jackeline Rebouças Oliveira
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna
Peterson Martins
Editora Martins, 1971:
DE: p. 77: “O ambiente para a produção literária nos meados do século...”
ATÉ: p. 80: “...Pela primeira vez bruxuleou uma vaga consciência de integração
intelectual no Brasil”.
CAPÍTULO II
Transição Literária
1 Literatura Congregada
Neste segundo capítulo intitulado Transição Literária teremos o percurso traçado pela literatura colonial em seu processo de amadurecimento que culminará na literatura nacional desenhada mais solidamente no Romantismo. O primeiro tópico, Literatura Congregada, de que fiquei responsável, trata dos primeiros passos na organização literária brasileira e da função primordial que as arcádias literárias exerceram nesse importante papel de organização não apenas dos produtores, mas também na construção da crítica e do embrião de um mercado consumidor da produção literária que ainda era um autopúblico. Nas importantes funções dessas agremiações literárias que floresceram, sobretudo, na região das Minas Gerais, tal como aponta Antonio Candido, teremos uma certa abertura social na participação delas, embora a exclusão de negros ainda fosse algo marcante na maioria de tais agrupamentos, excetuando a Academia dos Renascidos.
Voltando um pouco ao início do texto é interessante percebermos como essas agremiações literárias coloniais, fortemente influenciadas pela ideologia e princípios da metrópole lusitana, irão, paulatinamente, construindo uma idéia de emancipação política, e, sobretudo, de emancipação econômica de Portugal, influenciadas, ironicamente, pelos mesmos princípios ilustrados pelos quais tanto simpatizava o Marquês de Pombal.
O contexto do Brasil do século XVIII não era dos mais estimulantes, pois até mesmo em períodos anteriores os grandes produtores do barroco literário brasileiro, para terem um certo reconhecimento deveriam obter aprovação na metrópole portuguesa – o que funcionava como um grande poder censurador. Assim, nesse período tivemos a proliferação (de acordo com Candido) de uma subliteratura, graças a essas agremiações literárias (denominadas arcádias ou academias) que irão surgir mesmo bem antes do Arcadismo (pois na fase final do Cultismo barroquiano já se havia iniciado uma associação de produtores literários e intelectuais).
Dentre esses tipos de agremiações literárias, Candido aponta três tipos: permanentes, temporárias e ocasionais. As primeiras, portanto, teriam um caráter mais duradouro, pois se propunham a ser associações culturais, enquanto que as outras duas eram criadas por ocasião de comemorações. Dentre as que tiveram importante papel no amadurecimento literário temos as do primeiro tipo, onde se enquadram: a Academia dos Renascidos em Salvador (que teve um caráter mais popular, inclusive com associação de negros e membros de categorias profissionais desprivilegiadas); a Academia Científica no Rio de Janeiro (fundada, inicialmente, com o intuito de subsidiar o Reino quanto a melhor forma de explorar a colônia, mas que irá extrapolar sua função e se tornará um importante centro educador e formador de homens de ciência); e a Sociedade Literária, também na cidade do Rio de Janeiro, que segundo Candido não era “mais uma Academia: incorporando ao espírito associativo às diretrizes da Ilustração, é um meio caminho para os grêmios liberais de caráter quase sempre maçônico...”.
Prosseguindo em nossas reflexões, percebi que quando relacionamos as observações de Bosi em sua História Concisa da Literatura Brasileira ao trecho em que fala da Arcádia e da Ilustração a química que agitava essas congregações brasileiras fica mais clara. [vejam p. 55-59, 1997].
De tudo isso, pude concluir que foi a partir dessa congregação literária que o delineamento ideológico ilustrado começou a ser construído em um movimento emancipatório que, a princípio, foi despretencioso, pois os inconfidentes, no início, só queriam impedir a Derrama; e muitos (inclusive o nosso Tiradentes) eram contrários à abolição da escravidão, tal como apontam estudos históricos mais recentes. Mas com a disseminação das associações culturais que congregaram os intelectuais e representantes do povo, foi possível redesenhar o sonho da nação brasileira. Isso tudo me faz lembrar aquela música do Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawai): “sem querer eles nos deram as chaves que abrem essas prisões”.
Editora Martins, 1971:
DE: p. 77: “O ambiente para a produção literária nos meados do século...”
ATÉ: p. 80: “...Pela primeira vez bruxuleou uma vaga consciência de integração
intelectual no Brasil”.
CAPÍTULO II
Transição Literária
1 Literatura Congregada
Neste segundo capítulo intitulado Transição Literária teremos o percurso traçado pela literatura colonial em seu processo de amadurecimento que culminará na literatura nacional desenhada mais solidamente no Romantismo. O primeiro tópico, Literatura Congregada, de que fiquei responsável, trata dos primeiros passos na organização literária brasileira e da função primordial que as arcádias literárias exerceram nesse importante papel de organização não apenas dos produtores, mas também na construção da crítica e do embrião de um mercado consumidor da produção literária que ainda era um autopúblico. Nas importantes funções dessas agremiações literárias que floresceram, sobretudo, na região das Minas Gerais, tal como aponta Antonio Candido, teremos uma certa abertura social na participação delas, embora a exclusão de negros ainda fosse algo marcante na maioria de tais agrupamentos, excetuando a Academia dos Renascidos.
Voltando um pouco ao início do texto é interessante percebermos como essas agremiações literárias coloniais, fortemente influenciadas pela ideologia e princípios da metrópole lusitana, irão, paulatinamente, construindo uma idéia de emancipação política, e, sobretudo, de emancipação econômica de Portugal, influenciadas, ironicamente, pelos mesmos princípios ilustrados pelos quais tanto simpatizava o Marquês de Pombal.
O contexto do Brasil do século XVIII não era dos mais estimulantes, pois até mesmo em períodos anteriores os grandes produtores do barroco literário brasileiro, para terem um certo reconhecimento deveriam obter aprovação na metrópole portuguesa – o que funcionava como um grande poder censurador. Assim, nesse período tivemos a proliferação (de acordo com Candido) de uma subliteratura, graças a essas agremiações literárias (denominadas arcádias ou academias) que irão surgir mesmo bem antes do Arcadismo (pois na fase final do Cultismo barroquiano já se havia iniciado uma associação de produtores literários e intelectuais).
Dentre esses tipos de agremiações literárias, Candido aponta três tipos: permanentes, temporárias e ocasionais. As primeiras, portanto, teriam um caráter mais duradouro, pois se propunham a ser associações culturais, enquanto que as outras duas eram criadas por ocasião de comemorações. Dentre as que tiveram importante papel no amadurecimento literário temos as do primeiro tipo, onde se enquadram: a Academia dos Renascidos em Salvador (que teve um caráter mais popular, inclusive com associação de negros e membros de categorias profissionais desprivilegiadas); a Academia Científica no Rio de Janeiro (fundada, inicialmente, com o intuito de subsidiar o Reino quanto a melhor forma de explorar a colônia, mas que irá extrapolar sua função e se tornará um importante centro educador e formador de homens de ciência); e a Sociedade Literária, também na cidade do Rio de Janeiro, que segundo Candido não era “mais uma Academia: incorporando ao espírito associativo às diretrizes da Ilustração, é um meio caminho para os grêmios liberais de caráter quase sempre maçônico...”.
Prosseguindo em nossas reflexões, percebi que quando relacionamos as observações de Bosi em sua História Concisa da Literatura Brasileira ao trecho em que fala da Arcádia e da Ilustração a química que agitava essas congregações brasileiras fica mais clara. [vejam p. 55-59, 1997].
De tudo isso, pude concluir que foi a partir dessa congregação literária que o delineamento ideológico ilustrado começou a ser construído em um movimento emancipatório que, a princípio, foi despretencioso, pois os inconfidentes, no início, só queriam impedir a Derrama; e muitos (inclusive o nosso Tiradentes) eram contrários à abolição da escravidão, tal como apontam estudos históricos mais recentes. Mas com a disseminação das associações culturais que congregaram os intelectuais e representantes do povo, foi possível redesenhar o sonho da nação brasileira. Isso tudo me faz lembrar aquela música do Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawai): “sem querer eles nos deram as chaves que abrem essas prisões”.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Maria do Perpétuo Socorro Guterres de Souza
Massimo Pinna [14-3-2009]
Belo Horizonte: Itatiaia , 2000. p. 66 - 69
Cap. I, 5: A presença do Ocidente
Antonio Candido lembra que no século XVIII, além da centralidade da razão, a naturalidade, presente em dois aspectos, formalismo e sentimentalismo, representou um ponto essencial da expressão literária, tendo encontrado a sua máxima realização no equilíbrio entre estes dois elementos através das obras de Basílio da Gama, Silva Alvarenga e Gonzaga.
Nesses escritores o encontro espontâneo da razão e do sentimento levou a um resultado satisfatório, assegurando “uma tonalidade universal e artisticamente elaborada à expressão literária”.
No Brasil, em razão de sua condição “periférica”, é preciso indicar a influência do Arcadismo – o qual, lembre-se, abrange tanto o Classicismo como a Ilustração – como também evidenciar que ele constituiu uma literatura capaz de incorporar-se à cultura do Ocidente.
Entre 1750 e 1880 quatro grandes temas nortearam a formação da literatura brasileira, junto a uma progressiva formação da consciência nacional: o conhecimento da realidade local; a valorização das populações aborígines; o desejo de contribuir para o progresso do país; a incorporação aos padrões europeus. Dentro dessas linhas a literatura da época se expressará, comprovando as suas peculiaridades.
Tudo isso representa uma pessoal leitura estético-filosófica da tradição européia no Brasil, leitura que fez com que se criasse – finalmente – uma literatura brasileira orgânica, transformando, por exemplo, o racionalismo em filantropia, a moda pastoril em valorização do índio e o culto da natureza em exaltação do pitoresco.
Escritores como “os mineiros”, Sousa Caldas, José Bonifácio, Hipólito da Costa, favoreceram o nascimento da literatura brasileira e conseguiram fazê-lo, em muitos casos, com aprazível gosto estético e consciência intelectual da própria missão.
Ferdinand Denis Garrett, em seu Bosquejo da História da Poesia e da Língua Portuguesa, de 1826, critica a “inútil presença” da influência cultural grego-romana na produção desses escritores. Num trecho dessa obra citado por Candido, afirma que os árcades não conseguiram ser originais, mesmo tendo à disposição um novo cenário para se inspirarem: o Brasil. Falando especificadamente de Gonzaga, diz que este não soube descrever a natureza peculiar do Brasil e, portanto, não alcançou uma verdadeira autonomia.
Antonio Candido, lembrando que dessa forma surgiu a teoria da literatura brasileira, onde a análise do brasileirismo representa, até hoje, o critério principal, evidencia – em contraponto à análise de Denis Garrett – que o cenário americano nunca seria suficiente para proporcionar essa autonomia e que somente uma pessoal visão do mundo, que “transforma a natureza física numa vivência”, poderia alcançá-la. Como exemplo, Candido releva que Silva Alvarenga, apesar de ter usado palavras como onça, gaturamo, cobra ou mangueira, continua sendo esteticamente neoclássico. Pelo contrário, Tomás Gonzaga, que não usa uma terminologia “americana”, é mais romântico porque “sofre o processo de decomposição do Neoclassicismo”.
Candido afirma que essa tão desprezada “quinquilharia grego-romana” pode ter favorecido a integração cultural entre o Brasil e o Velho Mundo, permitindo aos poetas lusófonos, através da imitação da Antiguidade, associar uma peculiar categoria estética à própria produção literária.
Já que a época exigia uma literatura universalista, os escritores conseguiram essa universalidade através da presença de uma linguagem comum à cultura européia, realizando os votos do intelectual brasileiro, expresso nos versos de Cláudio:
Cresçam do pátrio rio à margem fria
A imarcescível hera, o verde louro
Belo Horizonte: Itatiaia , 2000. p. 66 - 69
Cap. I, 5: A presença do Ocidente
Antonio Candido lembra que no século XVIII, além da centralidade da razão, a naturalidade, presente em dois aspectos, formalismo e sentimentalismo, representou um ponto essencial da expressão literária, tendo encontrado a sua máxima realização no equilíbrio entre estes dois elementos através das obras de Basílio da Gama, Silva Alvarenga e Gonzaga.
Nesses escritores o encontro espontâneo da razão e do sentimento levou a um resultado satisfatório, assegurando “uma tonalidade universal e artisticamente elaborada à expressão literária”.
No Brasil, em razão de sua condição “periférica”, é preciso indicar a influência do Arcadismo – o qual, lembre-se, abrange tanto o Classicismo como a Ilustração – como também evidenciar que ele constituiu uma literatura capaz de incorporar-se à cultura do Ocidente.
Entre 1750 e 1880 quatro grandes temas nortearam a formação da literatura brasileira, junto a uma progressiva formação da consciência nacional: o conhecimento da realidade local; a valorização das populações aborígines; o desejo de contribuir para o progresso do país; a incorporação aos padrões europeus. Dentro dessas linhas a literatura da época se expressará, comprovando as suas peculiaridades.
Tudo isso representa uma pessoal leitura estético-filosófica da tradição européia no Brasil, leitura que fez com que se criasse – finalmente – uma literatura brasileira orgânica, transformando, por exemplo, o racionalismo em filantropia, a moda pastoril em valorização do índio e o culto da natureza em exaltação do pitoresco.
Escritores como “os mineiros”, Sousa Caldas, José Bonifácio, Hipólito da Costa, favoreceram o nascimento da literatura brasileira e conseguiram fazê-lo, em muitos casos, com aprazível gosto estético e consciência intelectual da própria missão.
Ferdinand Denis Garrett, em seu Bosquejo da História da Poesia e da Língua Portuguesa, de 1826, critica a “inútil presença” da influência cultural grego-romana na produção desses escritores. Num trecho dessa obra citado por Candido, afirma que os árcades não conseguiram ser originais, mesmo tendo à disposição um novo cenário para se inspirarem: o Brasil. Falando especificadamente de Gonzaga, diz que este não soube descrever a natureza peculiar do Brasil e, portanto, não alcançou uma verdadeira autonomia.
Antonio Candido, lembrando que dessa forma surgiu a teoria da literatura brasileira, onde a análise do brasileirismo representa, até hoje, o critério principal, evidencia – em contraponto à análise de Denis Garrett – que o cenário americano nunca seria suficiente para proporcionar essa autonomia e que somente uma pessoal visão do mundo, que “transforma a natureza física numa vivência”, poderia alcançá-la. Como exemplo, Candido releva que Silva Alvarenga, apesar de ter usado palavras como onça, gaturamo, cobra ou mangueira, continua sendo esteticamente neoclássico. Pelo contrário, Tomás Gonzaga, que não usa uma terminologia “americana”, é mais romântico porque “sofre o processo de decomposição do Neoclassicismo”.
Candido afirma que essa tão desprezada “quinquilharia grego-romana” pode ter favorecido a integração cultural entre o Brasil e o Velho Mundo, permitindo aos poetas lusófonos, através da imitação da Antiguidade, associar uma peculiar categoria estética à própria produção literária.
Já que a época exigia uma literatura universalista, os escritores conseguiram essa universalidade através da presença de uma linguagem comum à cultura européia, realizando os votos do intelectual brasileiro, expresso nos versos de Cláudio:
Cresçam do pátrio rio à margem fria
A imarcescível hera, o verde louro
sexta-feira, 6 de março de 2009
Marcos Falchero Falleiros
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Edônio Alves Nascimento
Eldio Pinto da Silva
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros [6-3-2009]
Editora Martins, 1971:
DE: p. 67: Razão, verdade, natureza são portanto uma coisa só
ATÉ: p. 70: cultura orientada pela razão, a verdade e o culto da natureza.
Vimos na passagem anterior, apresentada pelo Marcel, a equação beleza = razão – verdade – natureza. A tríade se dá como uma unidade inter-relacionada, já que a razão está na natureza e entre elas está a verdade, que cabe à arte obter pela síntese singela em busca da beleza. Esse padrão chega ao século XVIII, sob influência do Classicismo francês, quando a tendência pelo verdadeiro terá da mimesis [a condição da arte] uma expectiva de fidelidade e não de invenção, assim como o sentido da arte estará voltado para a sinceridade das emoções e dos problemas intelectuais e políticos em oposição à sua função de deleite estético.
De Leopardi a Rousseau, da tipologia política de Montesquieu ao elogio de Voltaire a Pope, encontraremos a tríade de simplificação racional, que dará à literatura o sentido da utilidade e dos temas filosóficos. Daí a busca do verdadeiro envolver também a verdade científica e social nas propostas neoclássicas, que cobrarão, em seu nome, também a adequação da sociedade civil aos fins da razão. É o que traduz a Henriade [a epopéia de Voltaire] quando
em seu “asseio lapidar”, como diz Antonio Candido, pede aos reis que escutem e sejam educados pela força e clareza da Verdade, a substituta dos heróis e dos grandes feitos épicos.
Se o homem é extensão da natureza, as leis sociais terão portanto igual possibilidade de objetivação — o que favorece o embrião das ciências humanas no século XVIII e da idéia de progresso, configurada desde quando a revolução teórica de Montesquieu indicou que, pelo conhecimento adequado das leis objetivas da vida social, a humanidade poderia modificar-se no rumo de uma melhoria gradual.
A nossa Ilustração
Ao contrário dos países modelos, o Século das Luzes entre Brasil e Portugal foi tacanhamente beato, escolástico e inquisitorial. Mas ainda que discutível, a presença entre nós do despotismo esclarecido de Pombal foi progressista, desarticulando o poder clerical, como no caso da Companhia de Jesus, e promovendo de algum modo uma renovação mental, em que se pode ver na produção poética de seu período, por trás da intenção adulatória a sua figura, a concepção ilustrada do que seria um bom governo, revelando, na atmosfera difusa de nosso ambiente intelectual, um composto de Ilustração, pombalismo e nativismo, que permitiu aos brasileiros produzirem as expressões mais significativas do pombalismo literário: o Uraguai (1769) de Basílio da Gama (antijesuítico); O desertor (1771) de Silva Alvarenga (pela reforma intelectual); O reino da estupidez (1785) de Francisco de Melo Franco (contra a reação no tempo de D. Maria I).
Junto a outras obras, estas representam o eco brasileiro, luso-brasileiro, das idéias modernas, formando o cadinho ideológico de nativismo, da propaganda do saber, do bom governo e do otimismo utópico, à Rousseau, em que uma mistura de sonho e realidade espera pela educação do homem natural das florestas americanas, criando desde aí uma constante em nosso intelectual: o plano salvador.
Na verdade, somente com a vinda de D. João VI, o Brasil teve modestamente a sua Época das Luzes, com as bases da Independência sendo formadas a partir de uma dinâmica de entrosamento governamental e intelectual. Se a poesia do período foi de qualidade inferior, por outro lado, respondiam às tendências didáticas da Ilustração o jornalismo e o ensaísmo excelentes de Hipólito da Costa, Frei Caneca, Evaristo da Veiga, pensadores liberais que ao lado de “realistas”, conservadores igualmente ilustrados e progressistas, elaboraram os diagnósticos do país e os meios para que uma literatura efetivamente brasileira tomasse corpo. O cristianismo e a filantropia professados por José Bonifácio não eram mais clericalismo, mas a cultura de maçons, com ou sem batina, voltada à razão, à verdade e à natureza, que Pedro II e os jovens românticos a seguir iriam herdar.
Editora Martins, 1971:
DE: p. 67: Razão, verdade, natureza são portanto uma coisa só
ATÉ: p. 70: cultura orientada pela razão, a verdade e o culto da natureza.
Vimos na passagem anterior, apresentada pelo Marcel, a equação beleza = razão – verdade – natureza. A tríade se dá como uma unidade inter-relacionada, já que a razão está na natureza e entre elas está a verdade, que cabe à arte obter pela síntese singela em busca da beleza. Esse padrão chega ao século XVIII, sob influência do Classicismo francês, quando a tendência pelo verdadeiro terá da mimesis [a condição da arte] uma expectiva de fidelidade e não de invenção, assim como o sentido da arte estará voltado para a sinceridade das emoções e dos problemas intelectuais e políticos em oposição à sua função de deleite estético.
De Leopardi a Rousseau, da tipologia política de Montesquieu ao elogio de Voltaire a Pope, encontraremos a tríade de simplificação racional, que dará à literatura o sentido da utilidade e dos temas filosóficos. Daí a busca do verdadeiro envolver também a verdade científica e social nas propostas neoclássicas, que cobrarão, em seu nome, também a adequação da sociedade civil aos fins da razão. É o que traduz a Henriade [a epopéia de Voltaire] quando
em seu “asseio lapidar”, como diz Antonio Candido, pede aos reis que escutem e sejam educados pela força e clareza da Verdade, a substituta dos heróis e dos grandes feitos épicos.
Se o homem é extensão da natureza, as leis sociais terão portanto igual possibilidade de objetivação — o que favorece o embrião das ciências humanas no século XVIII e da idéia de progresso, configurada desde quando a revolução teórica de Montesquieu indicou que, pelo conhecimento adequado das leis objetivas da vida social, a humanidade poderia modificar-se no rumo de uma melhoria gradual.
A nossa Ilustração
Ao contrário dos países modelos, o Século das Luzes entre Brasil e Portugal foi tacanhamente beato, escolástico e inquisitorial. Mas ainda que discutível, a presença entre nós do despotismo esclarecido de Pombal foi progressista, desarticulando o poder clerical, como no caso da Companhia de Jesus, e promovendo de algum modo uma renovação mental, em que se pode ver na produção poética de seu período, por trás da intenção adulatória a sua figura, a concepção ilustrada do que seria um bom governo, revelando, na atmosfera difusa de nosso ambiente intelectual, um composto de Ilustração, pombalismo e nativismo, que permitiu aos brasileiros produzirem as expressões mais significativas do pombalismo literário: o Uraguai (1769) de Basílio da Gama (antijesuítico); O desertor (1771) de Silva Alvarenga (pela reforma intelectual); O reino da estupidez (1785) de Francisco de Melo Franco (contra a reação no tempo de D. Maria I).
Junto a outras obras, estas representam o eco brasileiro, luso-brasileiro, das idéias modernas, formando o cadinho ideológico de nativismo, da propaganda do saber, do bom governo e do otimismo utópico, à Rousseau, em que uma mistura de sonho e realidade espera pela educação do homem natural das florestas americanas, criando desde aí uma constante em nosso intelectual: o plano salvador.
Na verdade, somente com a vinda de D. João VI, o Brasil teve modestamente a sua Época das Luzes, com as bases da Independência sendo formadas a partir de uma dinâmica de entrosamento governamental e intelectual. Se a poesia do período foi de qualidade inferior, por outro lado, respondiam às tendências didáticas da Ilustração o jornalismo e o ensaísmo excelentes de Hipólito da Costa, Frei Caneca, Evaristo da Veiga, pensadores liberais que ao lado de “realistas”, conservadores igualmente ilustrados e progressistas, elaboraram os diagnósticos do país e os meios para que uma literatura efetivamente brasileira tomasse corpo. O cristianismo e a filantropia professados por José Bonifácio não eram mais clericalismo, mas a cultura de maçons, com ou sem batina, voltada à razão, à verdade e à natureza, que Pedro II e os jovens românticos a seguir iriam herdar.
sábado, 29 de novembro de 2008
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcos Falchero Falleiros
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro [29-11-2008]
Editora Martins, 1971:
DE: p. 62: "A poesia pastoral, como tema, talvez esteja vinculada ao
desenvolvimento"...
[parágrafo iniciando-se no final da página de "Bucolismo"]
ATÉ: p. 66: ..."Mas a verdade é a natureza:
La nature est vrai..."
[primeira página do Cap 4 Verdade e ilustração]
Dando continuidade à análise sobre o bucolismo presente na poesia árcade, Antonio Candido observa que a temática associada à paisagem natural, à vida no campo serve como um contrapeso à cultura urbana que cada vez mais se desenvolve nas cidades do século XVIII. Desse modo, o campo surge, na poesia, representando um ideal de simplicidade e felicidade que não pode ser encontrado na vivência urbana.
Na poesia bucólica, a crítica literária comumente aponta o convencionalismo arcádico como uma característica que a pode tornar menos valorosa, pois, o poeta árcade, como destaca Candido, delega a um pastor fictício a iniciativa lírica. A temática amorosa, portanto, recebe uma abordagem mais lúcida e menos emocional, porque, além das questões estéticas e ideológicas do momento histórico, é latente o fingimento do poeta.
A dicotomia campo-cidade, pastor-poeta acentua ainda mais o convencionalismo da poesia árcade, gerando debates sobre como deveria ser a verdadeira forma a ser adotada na expressão poética: o poema deveria abordar temática extremamente campestre com palavras simples ao alcance de pastores reais ou o poema deveria ser requintado verbalmente trazendo como pano de fundo a relação entre homem e a natureza?
O debate mencionado conduz a uma conceituação do gênero écloga, que deve buscar a simplicidade pautada no gosto e na razão, possibilitando, por suas características, a expressão racional de ideais universais.
No Brasil, a poesia pastoral permitiu ao intelectual brasileiro de formação européia justificar o seu modo de atuação em um país ainda sem a tradição erudita do velho mundo. O contraste entre a personalidade rústica do pastor e a roupagem clássica da poesia árcade serviu para indicar o “descompasso” entre a cultura universal com raízes européias e a cultura local, quase selvagem do mundo “recém-descoberto”. Da reinterpretação desse contraste, surgiu a vertente indianista com Basílio da Gama e Frei de Santa Rita Durão.
Verdade e ilustração
A arte não é uma simples reprodução do real, pois, guiada pela razão, a obra artística consegue apreender a verdade ideal. Por isso, por meio da arte pode-se chegar à categoria estética do belo.
Editora Martins, 1971:
DE: p. 62: "A poesia pastoral, como tema, talvez esteja vinculada ao
desenvolvimento"...
[parágrafo iniciando-se no final da página de "Bucolismo"]
ATÉ: p. 66: ..."Mas a verdade é a natureza:
La nature est vrai..."
[primeira página do Cap 4 Verdade e ilustração]
Dando continuidade à análise sobre o bucolismo presente na poesia árcade, Antonio Candido observa que a temática associada à paisagem natural, à vida no campo serve como um contrapeso à cultura urbana que cada vez mais se desenvolve nas cidades do século XVIII. Desse modo, o campo surge, na poesia, representando um ideal de simplicidade e felicidade que não pode ser encontrado na vivência urbana.
Na poesia bucólica, a crítica literária comumente aponta o convencionalismo arcádico como uma característica que a pode tornar menos valorosa, pois, o poeta árcade, como destaca Candido, delega a um pastor fictício a iniciativa lírica. A temática amorosa, portanto, recebe uma abordagem mais lúcida e menos emocional, porque, além das questões estéticas e ideológicas do momento histórico, é latente o fingimento do poeta.
A dicotomia campo-cidade, pastor-poeta acentua ainda mais o convencionalismo da poesia árcade, gerando debates sobre como deveria ser a verdadeira forma a ser adotada na expressão poética: o poema deveria abordar temática extremamente campestre com palavras simples ao alcance de pastores reais ou o poema deveria ser requintado verbalmente trazendo como pano de fundo a relação entre homem e a natureza?
O debate mencionado conduz a uma conceituação do gênero écloga, que deve buscar a simplicidade pautada no gosto e na razão, possibilitando, por suas características, a expressão racional de ideais universais.
No Brasil, a poesia pastoral permitiu ao intelectual brasileiro de formação européia justificar o seu modo de atuação em um país ainda sem a tradição erudita do velho mundo. O contraste entre a personalidade rústica do pastor e a roupagem clássica da poesia árcade serviu para indicar o “descompasso” entre a cultura universal com raízes européias e a cultura local, quase selvagem do mundo “recém-descoberto”. Da reinterpretação desse contraste, surgiu a vertente indianista com Basílio da Gama e Frei de Santa Rita Durão.
Verdade e ilustração
A arte não é uma simples reprodução do real, pois, guiada pela razão, a obra artística consegue apreender a verdade ideal. Por isso, por meio da arte pode-se chegar à categoria estética do belo.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Mácio Alves de Medeiros
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Marcel Lúcio Matias Ribeiro
Marcos Falchero Falleiros
Massimo Pinna
Peterson Martins
Renan Marques Liparotti
Rochele Kalini
Rosanne Bezerra de Araujo
Rosiane Mariano
Valeska Limeira Azevedo Gomes
Afonso Henrique Fávero
Aldinida Medeiros Souza
Antônio Fernandes de Medeiros Jr
Arandi Robson Martins Câmara
Carmela Carolina Alves de Carvalho
Cássia de Fátima Matos dos Santos
Edlena da Silva Pinheiro
Joana Leopoldina de Melo Oliveira
Kalina Naro Guimarães
Ligia Mychelle de Melo
Mácio Alves de Medeiros [22-11-2008]
Editora Martins, 1971:
DE: p. 58: "Deístas, céticos, ateus; materialistas, empiricistas, sensualistas,"...
ATÉ: p. 62: ..."imagens pastorais, como Garção, Gonzaga, Silva Alvarenga."
[do subitem Bucolismo do Cap 3 Natureza e rusticidade]
Capítulo I – Razão, natureza, verdade
Item 3 – Natureza e rusticidade
A dialética do natural e do racional persiste no comportamento setecentista, embora se perceba que o século XVIII tenha sido um período de transição. A percepção do eu e do outro como representações da existência pessoal mas também do mundo exterior combinava com a revolução que ressaltava o sentimento e estava implícita no empirismo por meio da literatura de Rousseau. E isso demonstrava já a prevalência da magia sobre a simetria matemática, não significando, contudo, a mudança total de paradigmas, mas o fortalecimento do conceito de Natureza, da valorização da emoção, da leitura em voz alta, do recitador enfim, do sentimento do interlocutor, como já frisara Antonio Candido. Fazendo-se uma breve divagação, basta lembrar da multiplicação dos salões de leitura na França do século XVIII, em pleno Antigo Regime que ao proibir uma série de publicações excitava mais ainda a subversão dos leitores. Nesse mesmo contexto, para a valorização da natureza e da rusticidade pode ser representativo o interesse das elites urbanas pela cultura camponesa.
No Brasil, destaca Antonio Candido, a respeito de Silva Alvarenga, tem-se a mera transcrição do preceito horaciano segundo o qual o poeta deveria estar comovido para poder comover. Esse mesmo pensamento também fora defendido, na música, por Emmanuel Bach.
Essa exaltação da sensibilidade como condição na poesia árcade tornou difícil de ser combinada, na obra de Gonzaga, com os elementos racionais. Mesmo assim, a obra de Gonzaga produziu momentos de plenitude da naturalidade, do homem natural com algumas características do seu padrão ideal, embora sua invocação na literatura fosse influenciada por circunstâncias históricas e ideológicas.
O homem natural
O homem natural tornou-se a representação da bondade, tornou-se o herói destituído do caráter humano da urbanidade e da arquitetura apresentada pelo barroco e pelos sistemas monárquicos. Diferentemente disso, ele representa a contemplação da naturalidade das maneiras e dos sentimentos e a assimilação disso pelo social. O equilíbrio entre a forma e o conteúdo é ao mesmo tempo preenchido pela linguagem do coração e da inteligência.
Grande parte da literatura dessa época se empenha na construção de um ideal que defende o homem natural imbuído dos embates culturais envolvendo o erudito e o popular (se é possível interpretar assim), pois era exigido dele a simultaneidade da razão e da emoção, do simples e do requintado, do rústico e do erudito, do polido e do espontâneo. Inclusive, a este último aspecto (considerado a negação da racionalidade) foi conduzido o ideal de naturalidade, depois que o pensamento setecentista ressaltou a identidade do racional e do natural, rompendo o equilíbrio clássico e instalando a lógica do coração e a dicotomia entre sentimentos espontâneos e a razão raciocinante. No contexto geral, menos no Brasil e em Portugal, a razão raciocinante foi dissolvida – como instância superior na criação literária – com a chegada do Romantismo.
Bucolismo
Por fim, na continuidade das manifestações da naturalidade, ao aspecto do homem natural foi acrescentada a ênfase nos gêneros pastorais, que juntava a tradição clássica com relações humanas simples, sendo interpretada, porém, por normas racionais. Assim, o projeto árcade segue no cumprimento de sua atitude estética de tornar equivalentes a palavra e a natureza, substitui a idéia de progresso pela noção de homem natural, acolhendo a utopia em detrimento da nostalgia.
Editora Martins, 1971:
DE: p. 58: "Deístas, céticos, ateus; materialistas, empiricistas, sensualistas,"...
ATÉ: p. 62: ..."imagens pastorais, como Garção, Gonzaga, Silva Alvarenga."
[do subitem Bucolismo do Cap 3 Natureza e rusticidade]
Capítulo I – Razão, natureza, verdade
Item 3 – Natureza e rusticidade
A dialética do natural e do racional persiste no comportamento setecentista, embora se perceba que o século XVIII tenha sido um período de transição. A percepção do eu e do outro como representações da existência pessoal mas também do mundo exterior combinava com a revolução que ressaltava o sentimento e estava implícita no empirismo por meio da literatura de Rousseau. E isso demonstrava já a prevalência da magia sobre a simetria matemática, não significando, contudo, a mudança total de paradigmas, mas o fortalecimento do conceito de Natureza, da valorização da emoção, da leitura em voz alta, do recitador enfim, do sentimento do interlocutor, como já frisara Antonio Candido. Fazendo-se uma breve divagação, basta lembrar da multiplicação dos salões de leitura na França do século XVIII, em pleno Antigo Regime que ao proibir uma série de publicações excitava mais ainda a subversão dos leitores. Nesse mesmo contexto, para a valorização da natureza e da rusticidade pode ser representativo o interesse das elites urbanas pela cultura camponesa.
No Brasil, destaca Antonio Candido, a respeito de Silva Alvarenga, tem-se a mera transcrição do preceito horaciano segundo o qual o poeta deveria estar comovido para poder comover. Esse mesmo pensamento também fora defendido, na música, por Emmanuel Bach.
Essa exaltação da sensibilidade como condição na poesia árcade tornou difícil de ser combinada, na obra de Gonzaga, com os elementos racionais. Mesmo assim, a obra de Gonzaga produziu momentos de plenitude da naturalidade, do homem natural com algumas características do seu padrão ideal, embora sua invocação na literatura fosse influenciada por circunstâncias históricas e ideológicas.
O homem natural
O homem natural tornou-se a representação da bondade, tornou-se o herói destituído do caráter humano da urbanidade e da arquitetura apresentada pelo barroco e pelos sistemas monárquicos. Diferentemente disso, ele representa a contemplação da naturalidade das maneiras e dos sentimentos e a assimilação disso pelo social. O equilíbrio entre a forma e o conteúdo é ao mesmo tempo preenchido pela linguagem do coração e da inteligência.
Grande parte da literatura dessa época se empenha na construção de um ideal que defende o homem natural imbuído dos embates culturais envolvendo o erudito e o popular (se é possível interpretar assim), pois era exigido dele a simultaneidade da razão e da emoção, do simples e do requintado, do rústico e do erudito, do polido e do espontâneo. Inclusive, a este último aspecto (considerado a negação da racionalidade) foi conduzido o ideal de naturalidade, depois que o pensamento setecentista ressaltou a identidade do racional e do natural, rompendo o equilíbrio clássico e instalando a lógica do coração e a dicotomia entre sentimentos espontâneos e a razão raciocinante. No contexto geral, menos no Brasil e em Portugal, a razão raciocinante foi dissolvida – como instância superior na criação literária – com a chegada do Romantismo.
Bucolismo
Por fim, na continuidade das manifestações da naturalidade, ao aspecto do homem natural foi acrescentada a ênfase nos gêneros pastorais, que juntava a tradição clássica com relações humanas simples, sendo interpretada, porém, por normas racionais. Assim, o projeto árcade segue no cumprimento de sua atitude estética de tornar equivalentes a palavra e a natureza, substitui a idéia de progresso pela noção de homem natural, acolhendo a utopia em detrimento da nostalgia.
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